Sucesso é mescla de estratégia, persistência e qualificação constante, recomenda consultor

por marcel_gugoni — publicado 06/12/2012 17h38, última modificação 06/12/2012 17h38
São Paulo - Edemilton Pozza, que foi frentista e hoje é vendedor premiado e professor, recomenda trabalhar imagem, networking e feedback, e estar aberto a críticas para ser bem-sucedido.
frentista_195.jpg

O sucesso não tem receita pronta, mas alguns ingredientes sempre fazem diferença para tornar um profissional bem-sucedido na carreira: estratégia, persistência e qualificação constante. Foi com grandes doses destes três elementos que Edemilton Pozza deixou de ser frentista de posto de combustível para ser um vendedor premiado, palestrante e professor universitário.

Leia mais: Aprender a lidar com mudanças é estratégia para se manter competitivo, diz especialista em gestão comercial

“Não queria envelhecer como frentista. Tinha metas, e uma delas era estudar sempre”, afirmou ele, que tem várias formações – Direito, Gestão Comercial, Filosofia e Teologia – e em menos de dez anos deu uma guinada completa na própria vida. “Quem não sabe para onde quer ir não vai a lugar nenhum. Sem metas, não existe melhoria.”

Pozza conversou com a reportagem do site antes de participar do comitê aberto de Secretariado Executivo da Amcham-São Paulo nesta terça-feira (11). O tema tratado no evento foi a importância da superação de desafios e da melhoria contínua para a carreira.

Nascido em Umuarama (PR), Pozza conta que trabalhou em uma empresa pública durante o começo da carreira, quando estudava Direito. “Morava em Londrina (PR) e trabalhava numa estatal, e numa mudança política fui demitido”, lembra.

Ele diz que seu primeiro grande desafio foi se recolocar no mercado. “Voltei para a minha cidade e achei que fosse ser fácil encontrar emprego, tendo um diploma em mãos, mas não tinha o networking. Quem me empregou foi um amigo que tinha acabado de abrir um posto.”

Veja aqui quais são as vantagens de ser sócio da Amcham 

Durante dois anos, entre 1998 e 2000, ele trabalhou atendendo clientes no posto. “Entrava às 6h e saía 22h. Ficava no posto o maior tempo possível para que mais gente visse e procurava me diferenciar com os clientes”, conta. Ele diz que mantinha um cadastro dos clientes, até com data de aniversário, e comprava bombons como brinde.

Imagem e networking

Pozza afirma que a meta era melhorar a própria imagem junto aos consumidores: vendendo mais e fidelizando clientes, ele ganhava mais. “Nessa época eu morava numa casa pequena, de 27 m², com mulher e filho”, conta o palestrante. “Buscava uma chance de me apresentar, de tratar bem os clientes e um deles me fez uma proposta para ser vendedor.”

O executivo de uma indústria farmacêutica apostou nos dons de vendas do frentista. Nesse momento, Pozza entendeu a importância do networking para a carreira. “Ao mesmo tempo em que as pessoas compram sua imagem, o networking mostra que o relacionamento é um pilar para o sucesso.”

No período como vendedor, o palestrante diz que manteve o foco em sua qualificação. Entre 2000 e 2007, conseguiu concluir cursos de especialização e treinamentos, inclusive no exterior, e terminou a segunda faculdade. “Foi o maior salto da minha vida. Meu salário foi de pouco mais de R$ 1.000 para R$ 30 mil e fui considerado todos os anos o melhor vendedor”, afirma. “Um ano depois que me formei em vendas estava dando aula na mesma faculdade onde depois fiz teologia e filosofia.”

Quer participar dos eventos da Amcham? Saiba como se associar aqui

Ele ministra aulas de Marketing Pessoal, Endomarketing, Negociações e Tomada de Decisão, Gestão da Qualidade e Empreendedorismo na Fatecie, em Paranavaí (PR). “Em 2008, fui convidado para fazer um treinamento sobre vendas em empresas e depois nunca mais parei com as palestras.”

Feedback e melhoria

O salto de vida foi estratégia pura, reforça Pozza. “Tem gente que diz que ‘toca a vida do jeito que dá’, mas assim é difícil chegar ao sucesso. É preciso ter metas”, destaca. “Quando estava no posto, fazia todos os cursos que eles ofereciam, ia em todas as palestras que conseguia e depois busquei me aperfeiçoar com pós-graduação.”

“Dez anos depois que saí do posto, ainda tenho amigos que trabalham lá. Hoje eles me veem com carro e casa boa e falam que dei sorte”, brinca. “Não é sorte, é trabalho duro.”

Na trajetória de melhoria contínua, Pozza diz que é importante o profissional sempre buscar um retorno sobre seu trabalho e estar aberto a críticas. “O feedback ajuda a nortear o que está correto e o que pode melhorar no trabalho porque ninguém faz tudo sempre perfeito”, explica. “E temos que estar abertos a críticas.”

“Todos sempre querem buscar o autoconhecimento, mas é preciso que outros apontem nossas falhas. Quem usa as críticas para crescer acelera mais rumo ao sucesso.”

Leia mais: Liderança não depende de ninguém além de você mesmo, garante psicólogo

A persistência é chave para a superação e a melhoria constante, reflete ele. Autor do livro “O sucesso ao alcance das suas mãos” (Editora Umuarama, 2010) e coautor de “Ser+ em vendas” (Editora Ser Mais, 2011), Pozza defende que as pessoas acreditem mais no próprio poder de superação. “Estamos acostumados a achar que as pessoas de sucesso são as pessoas ricas como [o empresário] Eike Batista. A verdade é que existem exemplos reais”, ressalta. “Todos têm carência motivação, superação e boas histórias.”

registrado em: