Tecnologia sozinha nunca vai substituir o trabalho humano, garante especialista em gestão do conhecimento

por marcel_gugoni — publicado 18/04/2012 17h13, última modificação 18/04/2012 17h13
São Paulo – Para a área de inteligência competitiva, sistemas ajudam a automatizar processos, mas é a qualificação humana que pode refinar a mera informação em dados estratégicos.
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A área de inteligência estratégica é essencial para refinar os rumos da empresa e ajustar as tarefas rotineiras à missão e aos objetivos corporativos. Transformar informações de mercado em oportunidades exige metodologia, mas se engana quem coloca o maior peso dessa tarefa na tecnologia. Para Armelle Decaup, sócia-fundadora da Defí Inteligência Competitiva e especialista em gestão do conhecimento, a tecnologia nunca vai substituir o trabalho humano. 

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Ela debateu o tema com executivos da área de inteligência competitiva no seminário “Gestão da Informação e do Conhecimento”, realizado pela Amcham-São Paulo nesta terça-feira (17/04). “Todos são responsáveis pela gestão do conhecimento e pela geração de inteligência a partir dos dados da empresa”, defende. “Capacitar pessoas é essencial, mas é preciso ter processos claros e simples. Fracassou quem forneceu muita informação e pouca inteligência.”

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A tecnologia, sozinha, “não vai substituir nunca o trabalho humano, porque a única máquina que gera conhecimento e inteligência é a nossa cabeça”. A especialista afirma que “planilhas simples são capazes de resolver uma grande parte dos problemas de gerenciamento de informação no começo, mas, conforme adicionamos sofisticação às nossas práticas, a tecnologia vai servir para automatizarmos alguns dos ciclos”.

Veja os principais trechos da entrevista com Armelle Decaup:

Amcham: Qual o objetivo da gestão da inteligência de mercado e da gestão do conhecimento?

Armelle Decaup: O objetivo dessas duas disciplinas é que elas tornem o processo decisório mais assertivo. Para isso, temos três grandes propósitos. Primeiro, é preciso ajudar a empresa a atingir suas metas, tal como elas são definidas no planejamento de negócio. Algumas metas são competitivas, prevendo ganho de market share, ganho de participação no mercado ou o lançamento de produtos antes da concorrência, por exemplo. O segundo grande propósito é a questão da vigilância, que tem muito mais a função de maximização de oportunidades e de mitigação dos riscos diante da concorrência. Por fim, essas duas disciplinas, de maneira integrada, visam a ajudar a empresa a definir seu rumo para o próximo período estratégico e fazer frente ao maior grau de complexidade e incertezas do mercado.

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Amcham: Qual o papel do fator cultural das empresas?

Armelle Decaup: É total, porque em qualquer empresa trabalha-se com pessoas. Estas duas disciplinas não são da responsabilidade de um único núcleo, de um comitê sozinho, mas de grupos que devem agir para coordenar essas iniciativas. Todos são responsáveis pela gestão do conhecimento e pela geração de uma inteligência a partir dos dados da empresa. Todos sempre têm algo com que contribuir. Por isso, o fator humano é essencial. Metade desse trabalho depende de disciplinas técnicas; os outros 50% são do âmbito comportamental.

Amcham: A sra. diz que o ideal é entregar a inteligência certa, para a pessoa certa, no momento certo. Qual é o significado disso?

Armelle Decaup: Por serem disciplinas integradas, o conhecimento alimenta a geração de inteligência, e vice-versa. Ambas aumentam a base de conhecimento e informação da empresa. Temos que gerenciar nosso conhecimento e produzir inteligência a tempo para que a concorrência não consiga fazer melhor e mais rápido do que nós. Uma certeza é que esse tipo de trabalho não tem fórmula pronta. Trata-se de uma atividade rotineira que consome recursos e tempo e só se aprende praticando. Com persistência e o patrocínio da liderança da empresa é possível caminhar. Isso exige flexibilidade e quebras de paradigma, e demanda persistência. Os planos de gestão de conhecimento e de inteligência competitiva requerem um plano de trabalho para evitar ‘chutômetros’ e imprecisões porque temos que entregar valor. Volume de informações não é valor. Qualidade dos dados, sim. Outro erro é não aplicar o conhecimento na tomada de decisão.

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Amcham: A tecnologia contribui com esse trabalho de que maneira?

Armelle Decaup: Ela não é prioridade no início. Planilhas simples são capazes de resolver uma grande parte dos problemas de gerenciamento de informação no começo, mas, conforme adicionamos sofisticação às nossas práticas, a tecnologia vai servir para automatizarmos alguns dos ciclos. Aqui entra o papel de qualificação, de conscientização e de colaboração. Capacitar pessoas é essencial, mas é preciso ter processos claros e simples. Fracassou quem coletou muito e analisou pouco, quem forneceu muita informação e pouca inteligência, e quem não priorizou os trabalhos. A tecnologia, sozinha, não vai substituir nunca o trabalho humano, porque a única máquina que gera conhecimento e inteligência é a nossa cabeça.

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