Todo trabalho tem um chamado. Basta enxergar, diz especialista em gestão

publicado 10/10/2018 16h07, última modificação 11/10/2018 10h15
Joinville – No CEO Fórum, Luiz Gaziri afirma que ter propósito motiva mais do que recompensa financeira
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Para Luiz Gaziri, autor, consultor e professor de pós-graduação na PUC-PR e FAE Business School, a verdadeira motivação é baseada em propósito, e não incentivo financeiro. “Todo trabalho tem um chamado. Basta a gente querer enxergar, querer fazer as pessoas que trabalham com a gente enxergar esse chamado. É isso que vai nos fazer ter melhor desempenho”, argumenta, no CEO Fórum da Amcham-Joinville em 4/09.

O principal encontro de empresários de Joinville reuniu 200 profissionais em torno do tema ‘O Século do Propósito’. Além de Gaziri, vieram Eros Jantsch, CEO da Bematech e vice-presidente de micro e pequenos negócios na TOTVS, e Maria Fernanda Teixeira, CEO da Integrow Beyond Numbers e conselheira de Diversidade e Desenvolvimento do Banco Mundial.

Gaziri cita que as pessoas encaram o trabalho de três formas: como emprego, carreira ou chamado. Os dois primeiros estão ligados a incentivos financeiros e reconhecimento. Mas quem enxerga o trabalho além das duas primeiras opções é mais produtivo, comenta.

“O Instituto Gallup descobriu que, quando um trabalho tem significado em nossa vida, nosso engajamento aumenta 250%. E estudos médicos mostram que quem vê propósito no que faz tem menos chance de desenvolver Alzheimer, além de viver mais.”

Isso porque enxergar propósito causa sensações positivas, acrescenta. “Quando uma atividade causa stress, parte do pensamento racional é desligado e a pessoa encara a situação como pior. Sentindo uma emoção positiva, você enxerga a situação como um todo e, assim, encontra mais soluções e opções”, segundo Gaziri.

Equipe de limpeza

Outro estudo mencionado por Gaziri foi feito com a equipe de limpeza de um hospital nos Estados Unidos. Questionados sobre o que faziam, a maioria respondeu que limpava as instalações. Descreviam suas atividades, como varrer o chão, esterilizar o centro cirúrgico, tirar o lixo, entre outras atribuições.

Uma pequena parcela respondia de forma diferente, conta Gaziri. Que ajudavam o paciente a se recuperar mais rápido. Perguntados sobre isso, respondiam que faziam o máximo para diminuir o tempo de internação do paciente.

Ao esterilizar a sala de cirurgia, davam o melhor para que tudo ficasse limpo e organizado, de modo a facilitar o trabalho do médico. No quarto do paciente, caprichavam na arrumação, para que a limpeza e organização ficassem evidentes e evitasse o risco de infecção.

De vez em quando, davam orientações aos visitantes e tentavam animar pacientes que não recebiam muitas visitas. Gaziri disse que no crachá das pessoas estava escrito a mesma: zelador. “Alguns enxergavam que seu trabalho era limpar. Outros viam além. Que seu trabalho contribuía com a sociedade e os pacientes, então ajudavam o dia das pessoas a ser melhor. Encaravam o que faziam como um chamado”, detalha.

Profissionais que encaram o trabalho como um chamado ganham melhor e são mais bem avaliados pelos clientes, colegas e empresa. “Eles crescem mais rápido”, resume Gaziri.

CEOs

Por sua vez, Jantsch destacou a importância de engajar a equipe em torno de um objetivo e inclui-la no projeto. Motivar também é expressar a paixão pelo negócio, afirma. “Soa bastante diferente dizer que estou abrindo uma loja de decoração ou que estamos juntos em um projeto”, detalha.

E que nesse projeto, completa, “o plano é abrir dez lojas em cinco anos e vou precisar muito de todos, porque vocês fazem parte de uma possível rede de decoração e esta unidade é apenas a primeira”.

Para Teixeira, as empresas que se posicionam estão entre as mais admiradas. Ela destaca a importância da igualdade de gênero nas organizações como um valor a ser incorporado.

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