Local de trabalho não pode ser espaço para cultivar doenças, diz fundador dos “Doutores da Alegria”

publicado 24/10/2016 09h23, última modificação 24/10/2016 09h23
São Paulo – Wellington Nogueira vê uma busca maior por modelos mais cooperativos de trabalho
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Para Wellington Nogueira, fundador da ONG Doutores da Alegria, as pessoas precisam transformar sua relação com o trabalho. "As relações com o trabalho estão doentes e continuar nesse formato dá um espaço enorme para o cultivo de doenças. Isso já acontece há um bom tempo, por isso que tem tanta gente deprimida. Eu aprendi que é no local de trabalho que o adulto se interna", afirmou, durante reunião conjunta do comitê de Recursos Humanos e de Relações do Trabalho da Amcham - São Paulo, no dia 20/10.

A relação antiga de trabalho, na visão de Nogueira, vem de uma ideia de que o trabalho vem do "suor, do sofrimento, da ralação”. Mudar a mentalidade que o local de trabalho pode ser também um lugar de alegria é fundamental para construir uma relação mais saudável com o emprego, deixando os colaboradores mais felizes e produtivos. “Temos que trazer playgrounds para o conceito de trabalho. O que nós pudemos observar é que quando o adulto consegue se libertar temporariamente e começa a brincar como criança, é quando ele se abre para insights e criatividade", garante o palhaço da ONG.

Nogueira vê que as novas gerações estão sendo críticas às antigas relações de trabalho e estão investindo mais em espaços de criação coletiva e cooperação. “Os mais jovens estão escolhendo outros modelos mais cooperativos de trabalho. Nunca se falou tanto em co-criar, economia colaborativa, coletivos, economia circular, caring economy. São esses os movimentos que vão abrir espaço para o homem simplesmente ser. Esse é o momento mais legal que podemos viver da virada de chave”, crê.

A área de Recursos Humanos é fundamental nesse processo, afirma Nogueira. É nela que os colaboradores podem entender mais como se relacionam com a vida, buscando autoconhecimento através de organização de exercícios de respiração, de coordenação ou mesmo de rodas de conversa. Segundo o fundador da ONG, um exercício de respiração pode parecer muito simples, mas tem capacidade de ajudar um gestor ou colaborador a tomar decisões com mais calma.

Para Nogueira, o conceito de sustentabilidade está ligando com a consciência que temos de nós mesmos. Cultivar uma relação sustentável pessoal, interpessoal e com o mundo é um processo essencial, afirma. "A verdadeira sustentabilidade acontece como resultado da qualidade da sua relação com a vida, porque eu faço para o mundo o que eu faço pra mim. Se eu me cuido e me trato, cuido melhor do outro”, comenta.

 

 

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