Transferência de dados será a palavra do ano para o setor de telecomunicações

publicado 22/01/2014 09h56, última modificação 22/01/2014 09h56
São Paulo – Com a demanda da Copa do Mundo, serviço será destaque entre as tendências
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O serviço de transmissão de dados já se tornou um dos principais componentes do faturamento das empresas de telecomunicações. Com o esperado alto tráfego de imagens e textos da Copa do Mundo, em junho, deve ser o item mais comentado no setor de telecomunicações, em 2014. A análise é de especialistas como Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco (confira apresentação completa), e Antonio Gil, presidente da BRASSCOM (Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação) - confira apresentação completa. Eles participaram do comitê aberto de TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação) da Amcham – São Paulo, terça-feira (21/01).

O setor ainda deve ser marcado, ao longo do ano, segundo eles, por fusões e aquisições (como a da Oi e a Portugal Telecom); pela chegada do 4G ao mesmo tempo em que avançará a migração do GSM para o 3G; pela contínua expansão da TV digital e da por assinatura; e pelo lançamento de novos sistemas de pagamento pelo celular.

Lucrativo

A internet nos celulares tem sido bom negócio pela venda tanto do serviço em si quanto do aparelho com capacidade de navegação, os chamados smartphones. A receita líquida da transferência de dados cresceu 24,3% em 2012, considerando a média das operadoras Vivo, Claro, Oi e TIM, segundo a Teleco.

Só cresceu menos que a venda de aparelhos, que aumentou 41,3% graças à troca de aparelhos GSM por smartphones. No entanto, a venda de serviços, em que se inserem os dados, respondeu por 89,2% da receita das teles (R$ 47,2 bilhões em 2012, segundo a Teleco).

A receita dessas empresas cresceu 6,8%, mais que os acessos ao mercado de telefonia celular (3,6%). Outro fator que influenciou esse resultado, diz Tude, foi a mudança do pré para o pós-pago. “O consumidor já se deu conta de que o celular faz parte da vida dele e, para isso, opta em destinar uma determinada quantia por mês”, comenta.

A aposta, portanto, é nos dados. “As operadoras têm investido para essa cobertura e os investimentos vão continuar. O consumo de internet no celular é cada vez mais básico, crucial, e a fronteira da demanda está lá muito na frente”, declara.

O crescimento da venda de dados vai provocar a expansão dos serviços em 3G, apesar da entrada no 4G no mercado. “O Brasil não vai direto para o 4G porque os aparelhos ainda são caros. Então, vai ter de passar pelo 3G”, explica. A previsão para que o 3G supere o GSM, no Brasil, é 2015 – mesmo ano em que o 4G deve superar o 3G, mas lá na Coréia do Sul, compara o consultor.

3ª plataforma

O setor de TIC brasileiro faturou US$ 123 bilhões em 2012, enquanto o mundial registrou US$ 2 trilhões, de acordo com a BRASSCOM e a consultoria IDC. O crescimento, sobre 2011, foi de 10,8%, atrás somente do alcançado pela China, e bem acima da média mundial, de 5,9%. Os resultados colocam o país como o sétimo mercado de TIC do mundo.

“E a expectativa é de que continuemos a crescer e, em 2022, sejamos o quinto maior mercado”, comemora Antonio Gil, presidente da BRASSCOM.

Cita ainda estudo da consultoria McKinsey & Company que coloca o TIC no horizonte de crescimento do Brasil. O trabalho, comenta, mostra que o setor pode contribuir singularmente, com impacto econômico, social e de transparência e eficiência na gestão pública.

“Para chegar a esse impacto, devemos representar 8% do PIB [Produto Interno Bruto], 3 pontos percentuais a mais do que os 5% atuais”, assegura.

De acordo com Gil, essa expansão no PIB se refletiria no aumento da demanda por TIC em saúde, educação, bancos, segurança, transportes e competitividade – cenário provocado pela nova configuração da demografia mundial, com o Brasil entre as principais economias do mundo, ao lado de Estados Unidos, China, Índia e México.

“Saímos das plataformas de terminais e da distribuição da internet do servidor para o cliente. Hoje, estamos na terceira plataforma, com big data, clouding, mobility e social business. É com isso que vamos impactar outros setores, agora”, diz.

Alerta

Mesmo com as projeções positivas, o próprio Gil faz ressalvas. Diz que, com tamanho faturamento, é necessário que o mercado tenha empresas capazes de ditar rumos mundiais, não somente olhando para o consumo interno do país.

O presidente da associação diz que, até em 2022, o Brasil vai demandar mais 900 mil profissionais. No entanto, ao contrário de outros representantes do setor, afirma que não há escassez de mão-de-obra.  “Se faltasse, não faríamos o faturamento que fizemos. O que precisa é distribuir melhor os postos e os salários”, destaca.

Confira a íntegra das apresentações dos especialistas no Comitê Aberto de TIC:

 

 

 

 

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