Uma oportunidade dada a uma trainee da Whirlpool fez a empresa entrar no mercado de bebidas

publicado 10/06/2016 10h52, última modificação 10/06/2016 10h52
São Paulo – Outros exemplos de inovação foram compartilhados também pelos dirigentes da Monsanto e do Google
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A oportunidade confiada a uma trainee da Whirlpool, fabricante de eletrodomésticos, para desenvolver um projeto no segmento de purificadores de água resultou na entrada da empresa no mercado de bebidas. “Nossos trainees têm trabalhos reais, e o papel da liderança é preparar a mudança de modo a não perder a perspectiva de crescimento”, argumenta João Carlos Brega, CEO da Whirlpool, no Fórum Liderança para Transformação dos Negócios da Amcham – São Paulo na quarta-feira (8/6). Também participaram do painel Rodrigo Santos, CEO da Monsanto, e Julio Zaguini, diretor de relacionamento com agências do Google. Os três se disseram 100% confiantes que o Brasil sairá da crise.

Há alguns anos, Brega deu a uma de suas trainees a missão de contribuir para o crescimento futuro da unidade de negócios de purificador de água. Procurando por novidades em uma feira de bebidas na Alemanha, a colaboradora foi atraída por uma invenção. “Um cientista maluco ou nerd, seja como for, tinha uma máquina do tamanho de um bonde onde você botava uma cápsula dentro e saía bebida gaseificada”, descreve Brega.

A Whirlpool se interessou e resolveu investir no projeto. Em parceria com a AmBev, foi desenvolvida uma máquina portátil que prepara bebidas de acordo com cápsulas específicas de sabor. Foi assim que a Whirlpool entrou no segmento de bebidas em cápsulas.

“Somos a única empresa no mundo a desenvolver uma máquina capaz de ter água filtrada ou gaseificada que pode fazer refrigerante, suco, água ou chá. Você escolhe uma cápsula com o tipo de bebida que quiser, põe na máquina e ela fica pronta logo depois”, detalha o executivo. As inovações são parte importante da Whirlpool, revela Brega. “35% da receita vêm de produtos ou serviços lançados nos últimos três anos.”

O caminho da inovação aparece nos mais diferentes lugares e nem sempre vai ser de acertos, destaca o executivo. “Não adianta dar todo o incentivo para arriscar, se a meritocracia é baseada em falha. Quando se começa a inovar a taxa de falha é alta, então é importante que a organização reconheça isso.”

 Monsanto

No setor agrícola, Santos disse que o desafio é dobrar, de forma sustentável, a produção de alimentos sem aumentar a área de plantio. De acordo com Santos, o Brasil usa 9% do território para agricultura. Citando dados da FAO (sigla em inglês para Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), Santos disse que a população mundial chegará a 9,5 bilhões nas próximas décadas. “Nos próximos 50 anos, teremos que produzir o equivalente de alimentos dos últimos dois mil anos.”

“Quando um agricultor vai plantar soja no Mato Grosso ou Paraná, toma cerca de 50 decisões por ano. A oportunidade que enxergamos é usar tecnologias de informação, como big data e analytics, para integrar cada uma delas e assim maximizar a produtividade ao mesmo tempo em que se preserva mais”, destaca Santos.

Google

Para Zaguini, lidar com mudanças já faz parte do dia a dia e estratégia das empresas. O que elas não estão fazendo é enxergar a velocidade das transformações. “Há dois anos, a maior parte das consultas em nosso site era carro novo, por exemplo. Hoje a maioria é sobre como manter o poder de compra. Será que as empresas estão olhando para isso e adaptando os negócios a essa realidade? Porque já existem tecnologias de monitorar insights em tempo real”, observa.

O executivo defende a adoção de modelos de liderança que levem em conta a velocidade da transformação. “Aproximadamente 25% das consultas que se faz no Google todos os dias são de coisas que ninguém perguntou antes. Assuntos absolutamente novos”, revela.

Mesmo o Google tem dificuldades para acompanhar a rapidez das mudanças, admite Zaguini. Para ele, a busca de novas formas de fazer negócios é uma das saídas. “O professor David Ulrich (guru de liderança e RH) está certo em estimular a questão da mudança cultural. É sobre o que podemos fazer dentro das companhias para combinar os elementos que estimulam a criatividade.”

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