Varejo prevê expansão de 7% para o próximo ano

por daniela publicado 05/10/2011 15h58, última modificação 05/10/2011 15h58
Daniela Rocha
São Paulo - Previsão de desempenho positivo do setor é fundamentada em ascensão da classe C e geração de empregos e renda, afirma Jorge Gonçalves, conselheiro do IDV.
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O setor varejista projeta um crescimento médio de 7% para 2012. A expectativa de desempenho positivo é fundamentada na ascensão da classe C, geração de empregos e renda, conforme Jorge Gonçalves, conselheiro do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), que representa as 40 maiores empresas varejistas do País, responsáveis por um faturamento anual de R$ 100 bilhões.

Gonçalves participou nesta terça-feira (04/09) da “Business Round Up – Perspectivas 2012” na Amcham-São Paulo.

Segundo ele, a possibilidade de ‘contaminação’ do setor pela crise internacional no setor é pequena, exceto se houver um quadro de desemprego severo no País, o que até o momento não consta nas previsões, inclusive nas do ex-ministro Mailson da Nobrega, que participou do evento na entidade.

O conselheiro do IDV concedeu uma entrevista ao site da Amcham. Acompanhe:


Amcham: Quais as expectativas do setor para 2011 e 2012?
Jorge Gonçalves:
O crescimento do varejo, em geral, deverá ser em torno de 7% neste ano e, em 2012, deverá atingir mais ou menos nesse nível. Porém, alguns setores vêm apresentando ritmo mais forte. Entre eles, estão informática e comunicações, que crescem 20% ao ano, móveis, com expansão de 15%, e materiais de construção, em um ritmo entre 10% e 12%. O setor varejista como um todo avalia que 2012 será um ano um pouco mais difícil, com pressão para a inflação não subir. Os preços tendem a ser achatados; então, para as operações será mais complicado. Contudo, será um ano bom. Este ano está sendo positivo, mas 2010 foi mais pujante, quando o crescimento foi acima de 10%. O ano de 2011 começou forte, contudo o crescimento real do segundo semestre apresentou certo arrefecimento. Mesmo assim, algumas áreas ainda poderão contar bons resultados no Natal.

Amcham: O desenvolvimento dos negócios está muito focado no mercado doméstico...
Jorge Gonçalves:
Certamente, a nova classe média está ávida por consumir. Ainda não houve restrição no crédito, inclusive muitos comerciantes têm funding próprio para ofertar credito para as vendas. Existe uma massa grande de pessoas ascendendo para o consumo e levará muito tempo para esse movimento se desacelerar. Somente um revés muito forte na economia poderia frustrar nossas expectativas e isso não acontecerá.

Amcham: O setor varejista deverá ampliar os investimentos em 2012?
Jorge Gonçalves:
Todas empresas do IDV têm planos de aumento do número de lojas para o próximo ano. Há uma tendência de ampliação de redes e também de consolidação porque o varejo ainda é muito pulverizado. Temos visto um movimento de formalização, o que é importante para a competição e para que as empresas adotem gestões mais profissionalizadas.

Amcham: O varejo tem apostados em inovações?
Jorge Gonçalves
: O varejo brasileiro evoluiu muito, mas ainda tem muito para inovar. O varejo da área de alimentação no Brasil é muito competitivo. O da construção civil está evoluindo a passos largos, um pouco mais atrasado em relação a outros tipos de varejo porque é novo no País, a consolidação não chega a 10. No caso do vestuário, o Brasil conta com lojas com sistemas de distribuição e logística sofisticados e comparados aos melhores do mundo.

Amcham: Quais os principais desafios enfrentados pelo setor?
Jorge Gonçalves:
É necessário melhorar o sistema tributário, que é muito complexo e dá muito trabalho às empresas. O governo tem demonstrado esforços nesse sentido, ao ampliar o faturamento para enquadramento no Simples (regime simplificado de tributação para empresas aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte). Porém, é preciso avançar mais para ajudar que mais empresas consigam se formalizar. E, no varejo, a flexibilização do contrato de trabalho é importante porque trabalhamos o ano todo. Precisamos de uma CLT mais flexível e que dê condições para que o varejo possa admitir mais.

Amcham: Há dificuldades para contratação de profissionais nessa área?
Jorge Gonçalves:
A rotatividade no varejo é muito elevada, varia de 30% a 50 %. Quando a economia aquece, a mão de obra do varejo se reduz um pouco porque o setor não é visto com ‘glamour’, mas, por outro lado, oferece muitas oportunidades para o primeiro emprego. Porém, conforme sobe o nível de especialização, temos mais dificuldades para reter os profissionais.

Amcham: O varejo brasileiro poderá ser afetado pela crise internacional?
Jorge Gonçalves:
A crise pode contaminar sim, mas apenas se tivermos muitas demissões no Brasil. No entanto, com o nível atual de geração de empregos que o País tem e com as estimativas positivas, até mesmo como mostrou o ex-ministro Mailson da Nóbrega aqui na Amcham, acreditamos que não teremos dificuldades. O varejo depende de emprego e renda, e esses fatores permanecerão abundantes e contribuirão para o consumo em 2012. Mesmo em períodos de crises, o varejo costuma sentir um pouco menos. Ele não tem paradas bruscas e, sim, algumas desacelerações. Então, para 2012, parece que não teremos problemas. A presidente Dilma Rousseff também está atuando para manter a atividade econômica no País. 

 

 

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