Violência contra a mulher: por que essa deve ser uma preocupação da sua empresa?

publicado 26/06/2020 15h25, última modificação 26/06/2020 15h41
Brasil - Embora pareça distante do mundo corporativo, a violência doméstica impacta negativamente a economia e a carreira das mulheres
Violência contra mulher o que sua empresa pode fazer

“A empresa pode fazer uma intervenção precoce percebendo uma queda de produtividade e outros inúmeros sinais que vão muito além de um olho roxo”, explica a consultora da ONU Mulheres

A cada 2 minutos, uma mulher foi agredida só no ano de 2018 – no total, foram 263.067 e 1.206 feminicídios, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). A situação é ainda pior para as mulheres negras. Com o isolamento social, o quadro só se agravou. Apenas no estado de São Paulo, os atendimentos da Polícia Militar a vítimas de violência aumentaram 44,9%. “A violência contra as mulheres é uma grave violação aos Direitos Humanos, mas nós também sabemos que a subnotificação existe”, diz Fernanda Fernandes, advogada e consultora da ONU Mulheres.

Embora a questão pareça distante do mundo corporativo, esses números impactam negativamente a economia e a carreira das mulheres envolvidas, que acabam perdendo produtividade e permanecendo menos tempo em seus cargos. Segundo um levantamento da Universidade Federal do Ceará e do Instituto Maria da Penha, as vítimas de violência doméstica faltam, em média, 18 dias de trabalho por ano em decorrência das agressões físicas, o que gera uma perda anual de aproximadamente R$ 1 bilhão ao país.

Apesar de 68% das empresas consultadas pela pesquisa Violência e Assédio contra a Mulher no Mundo Corporativo considerarem necessário dedicar um tempo ao assunto, apenas 19% delas desenvolvem políticas e ações efetivas. Deste total, 11% declaram abordar o tema por meio de campanhas de conscientização e 9% têm um canal para apoio às vítimas – e a Atento é uma das companhias que fazem parte desta lista.

 

O DEVER DO SETOR PRIVADO

Além de projetos de conscientização, a multinacional de contact center criou o Atento Social – um canal de apoio para vítimas, com psicólogos e assistentes sociais – e montou grupos de aliados focado no público masculino. “Trazemos os homens para que eles possam se auto avaliar e entender um pouco como tudo acontece. As mulheres têm seu lugar de fala, mas se os homens não se movimentarem a favor da causa, não vamos conseguir resolver”, afirma Dimitrius Oliveira, CEO da Atento.

Desenvolvido pela Prefeitura de São Paulo, o programa ‘Tem saída’ é outra aposta da companhia para combater a violência contra a mulher. De acordo com Dimitrius Oliveira, a ação busca promover a reinserção dessas mulheres no mercado de trabalho e contribuir para a independência financeira da mulher e o fim do ciclo de violência. “A casa é o lugar mais perigoso para a mulher. Se a gente não abrir canais, como iniciativa privada, não vamos conseguir ajudar. Não vamos conseguir porque 52% das vítimas não denunciam seus algozes devido a dependência financeira do parceiro”, comenta o executivo.

Para Fernanda Fernandes, o olhar atento dos gestores é, em conjunto com ações de prevenção, um dos pontos mais relevantes para construir práticas protetivas. “A empresa pode fazer uma intervenção precoce percebendo uma queda de produtividade e outros inúmeros sinais que vão muito além de um olho roxo”, explica a consultora da ONU Mulheres, fazendo referência aos outros quatro tipos de violência contra a mulher – psicológica, sexual, patrimonial e moral.

 

PENAS MAIS GRAVES NÃO RESOLVEM O PROBLEMA

A impunidade não é uma opção para Fernandes Fernandes, tampouco penas mais graves para os autores dos crimes. “Se penas mais graves resolvessem, não teríamos mais esse problema no Brasil. A punição não é uma resposta completa – muitas dessas situações, inclusive, são evitáveis quando incluímos esse debate nas escolas, nos meios de comunicação e nos espaços comunitários”, defende a advogada.

O caminho é longo e exige uma mudança de mentalidade de todos nós – as mulheres precisam estar informadas sobre seus direitos e os homens deverão passar por um longo processo de educação. “A base para consertar determinados vieses é a educação e busca da informação. Para causar alguma mudança na sociedade precisamos de um grupo mínimo com uma pessoa. Você. Comece isso e contamine de maneira positiva as pessoas”, aconselha Dimitrius Oliveira.

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