Web 3.0 se transforma em ferramenta de gestão da cadeia da saúde

por daniela publicado 30/03/2011 15h38, última modificação 30/03/2011 15h38
São Paulo - Agrupamento e análises de informações disponíveis na rede permitem melhor aplicação de recursos e desenvolvimento de novas soluções em produtos e serviços, dizem especialistas.

A terceira onda da internet, a chamada web 3.0, está se transformando em uma ferramenta importante de gestão da cadeia da saúde. O agrupamento e as análises de informações disponíveis na rede permitem o direcionamento mais apropriado de recursos, assim como contribuem para o desenvolvimento de novas soluções. Esta foi a visão compartilhada por especialistas que participaram nesta quarta-feira (30/03) do comitê de Saúde da Amcham-São Paulo.

“A web 3.0 é aplicação de inteligência no tratamento de informações compartilhadas no site das empresas, em alguns arquivos internos, em diversos outros portais, fóruns de discussões e mídias sociais, entre outros. Isso tem auxiliado cada vez mais na gestão das companhias, trazendo ganhos”, disse Claudio Laudeauzer, diretor corporativo de Tecnologia da Informação do Grupo Fleury.

“A internet 3.0 contribui para a gestão porque é possível detectar padrões e verificar algumas tendências na área assistencial. Essa é atualmente uma área estratégica”, acrescentou Henrique Neves, diretor geral do Hospital Albert Einstein.

“Saimos do mero relacionamento e entramos na esfera do conhecimento, da inteligência aplicada”, ressaltou Oscar Porto, diretor geral da Medtronic, empresa de equipamentos médicos. De acordo com ele, hoje 70 milhões de brasileiros têm acesso à internet, gastando em média 44 horas na rede por mês. Desse total, 86% participam de uma ou mais mídias sociais e 39% usam a internet para saber mais sobre saúde.

Em ação

A web 3.0 tem levado o grupo Fleury a incrementar sua oferta de soluções com retornos significativos e também porporcionado a otimização de suas operações. “A partir das informações que recebemos, podemos gerenciar recursos. Quanto à reclamação de pacientes sobre falta de um exame específico em determinada região, podemos, por exemplo, checar no sistema de agendamentos e transferir um equipamento que não está sendo usado em uma unidade para outra, onde há demanda”, destacou Laudeauzer.

O Hospital Albert Einsten alterou a plataforma de seu portal entre 2008 e 2009 e, no ano passado, inaugurou novo conteúdo, com maior interação com todas as partes interessadas, como profissionais de saúde, pacientes e fornecedores, incluindo diversas páginas destinadas a comentários. Além disso, as redes sociais são monitoradas diariamente. “O diálogo é multifacetado e as respostas devem ser sempre ágeis”, comentou Neves.

Entre sistemas inovadores, em fase de implementação, estão o prontuário e a prescrição eletrônicos para gestão de pacientes crônicos e atendimento customizado de pacientes hemato-oncológicos e o programa mobile, no qual os médicos podem acessar, por celular, as informações dos pacientes, como resultados de exames, passagens anteriores por hospitalizações etc. O hospital também está desenvolvendo um atlas de saúde para mapear a distribuição espacial da ocorrência de doenças e fatores de risco.

Já a Medtronic equipou o núcleo de vendas com Ipads contendo aplicativos que facilitam comunicação, transmissão de dados e  demonstração dos equipamentos aos médicos e diretores de hospitais. A companhia também oferece uma série de treinamentos online, de acordo com as demandas do mercado.

No País, o trabalho de inteligência da cadeia de saúde avança mais no setor privado do que no público, aproveitou para avaliar o presidente do comitê da entidade, Rodrigo Correia da Silva. “Os sistemas de serviços de saúde dos governos ainda não contêm informações suficientes e são pouco integrados. Esperamos que, com o 'cartão nacional de saúde',  instrumento em elaboração no Ministério da Saúde que possibilitará a vinculação dos procedimentos executados no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) aos usuários, esse cenário mude". De acordo com Silva, a coleta e o tratamento adequado das informações permitirá elaboração de políticas mais consistentes e melhoria do atendimento prestado aos cidadãos.

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