“As empresas que têm medo de falhar são exatamente as que falham”, afirma diretor de startup

publicado 31/10/2016 08h35, última modificação 31/10/2016 08h35
São Paulo – Para Tony Celestino, falhar é parte do processo de inovação
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Para Tony Celestino, diretor da Techstars no Brasil, é impossível inovar sem falhar. "As empresas que tem medo de falhar são exatamente as que falham. O segredo é saber falhar para corrigir e fazer melhor", opinou, durante reunião do comitê de Inovação da Amcham - São Paulo, no dia 28/10.

Há uma diferença entre falhas "louváveis" e "condenáveis", segundo Celestino. Para o especialista, as louváveis são aquelas em que a equipe ou a empresa está buscando um produto ou serviço que seja de fato impactante e que traga grandes benefícios para o negócio, com uma estratégia que use recursos enxutos e um processo rápido. "A falha louvável pode ser inclusive incentivada, porque é através dela que você aprende e eventualmente acerta. Agora, há o oposto: quando a empresa tem uma hipótese de negócio e produto que não vai gerar grande impacto, mas que mesmo assim investe muitos recursos, tanto de tempo quanto financeiros. Isso deveria ser evitado", coloca.

Uma das estratégias para evitar erros é a aplicação do Mínimo Produto Viável (Minimum Viable Product ou MVP) - aquele produto ou serviço que é uma versão simplificada, lançada rapidamente e que serve como um teste. A partir desse lançamento é que as empresas ou startups conseguem avaliar se aquilo é viável e quais são as melhorias necessárias para depois chegar a um produto final. "Essa é a melhor forma, mais econômica e ágil. É uma estratégia de extrema importância para mitigar riscos e, caso ocorra uma falha, para que ela aconteça de forma rápida", garante.

Para Celestino, uma ideia no mundo dos negócios é importante e deve servir como ponto de partida, mas o foco deve ser na execução e na validação que aquela ideia terá no mercado. "A ideia não vale nada, mas a execução é o que importa e deve ser feita em cima de uma validação de mercado. Se no meio da validação a empresa descobrir que aquela ideia não está de fato entregando a proposta que o mercado precisa, é melhor se desprender da ideia ou muda-la, até encontrar uma ideia e solução que atenda aquela demanda", aconselha.

"Geralmente as pessoas não gostam de se expor ao erro. Se vocês tiveram a chance de trabalhar com a inovação dentro da empresa, contem sobre o que vocês aprenderam com esse processo e não foquem tanto nos resultados que tiveram. Grande parte da lição aprendida é mais rica de ser compartilhada do que os resultados em si", afirma Lívia Cunha, CEO da Dr. Cuco. 

A startup desenvolveu um aplicativo gratuito de saúde, com lembretes para que os pacientes lembrem de tomar seus remédios de forma correta. O sistema conecta médicos, pacientes e demais players da área de saúde - como farmácias, por exemplo.

Para Cunha, a falha faz parte do processo - mas o mais importante é o que fazer depois dos erros. Durante o processo de consolidar o negócio, Cunha compartilha alguns aprendizados que tirou em mais de um ano de empresa: não ter medo de admitir uma falha, se expor a dificuldades e riscos, se cercar de pessoas que são boas naquele assunto e não subestimar o aprendizado de quem já errou.

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