Airbnb, Google, Alelo e Netshoes discutem papel do RH na transformação digital

publicado 26/06/2018 15h01, última modificação 29/06/2018 14h53
São Paulo – Rapidez em processos, adoção de tecnologia e colaboração foram pontos em comum no debate

No processo de transformação digital de uma empresa, a área de Recursos Humanos tem a função de apoiar essa transição, mantendo como foco as pessoas dentro da companhia. Ao mesmo tempo, pode aproveitar as inovações para otimizar seus próprios processos e trazer novos insights para uma boa gestão de pessoas.

Esse foi o tom da conversa de lideranças da área no CxO Fórum da Amcham - São Paulo, realizado no dia 20/06. Demetrio Teodorov, diretor de Gente & Inovação da Alelo; Milena Brentan, Talent Head para América Latina da Airbnb; Monica Duarte Santos, Head of Human Resources da Google para América Latina; Eduardo Berti, Gerente Sênior de TI da Netshoes participaram de um painel para trazer conhecimentos a plateia. A mediação ficou por conta de Flávio Pesiguelo, CHRO da Natura.

Os debatedores trouxeram pontos de atenção para profissionais de gestão de pessoas e que buscam transformar seus processos:

 

Agilidade

A rapidez em identificar e trazer novas soluções é essencial para um RH que seja digital. Milena Brentan lembra que cada empresa tem um timing diferente nesse processo, e que a gestão de pessoas precisa ser dinâmica para acompanhar. "O Airbnb é um bom exemplo de empresa exponencial, e tudo muda muito rápido. E qual o papel do RH em uma empresa assim? Mudar muito rápido também. Isso tira qualquer pessoa da zona de conforto. Se o negócio muda a cada seis meses, o Rh deve mudar também", pontua.

 

Tecnologia como ferramenta

No caso da Alelo, Demetrio Teodorov explica que a inovação faz parte, há um ano e meio, do núcleo de RH. Isso ajudou a transformar a cultura da empresa, sempre com o objetivo de entender os colaboradores e toda a sua jornada de trabalho. Através dessa abordagem, a empresa identificou que a comunicação interna estava muito lenta. Para resolver a questão, a área montou um chatbot para acelerar esse processo.

Através dele, os colaboradores fazem login com a matrícula e o sistema, através de Inteligência Artificial, já faz a leitura de quem é aquela pessoa. A inovação não só ajudou a esclarecer dúvidas pontuais de maneira automática e mais rápida, mas também permitiu uma aproximação com o colaborador. "A pessoa coloca matrícula, a Inteligência Artificial já começou mapeia: se o colaborador tem muitas dúvidas em algo específico, será que não precisa de treinamento nisso? São dados que mantém a área viva", conta.

 

Interação e colaboração entre times

Faz parte do papel do RH criar um ambiente colaborativo, como lembra Monica Santos. Além da busca por pessoas e novos talentos, é preciso dar liberdade para que pessoas tragam suas ideias e que o erro seja visto como oportunidade de aprendizado. “Tem que dar liberdade para as pessoas para que elas tomem iniciativa. Elas têm que ter essa liberdade ou todo mundo volta pra zona de conforto. Se não existe um ambiente em que me sinta segura de errar, aprender e consertar, não vamos para lugar nenhum”, ressaltou. Ela lembra que colaboração não significa times trabalhando em conjunto, mas tem relação com algo mais profundo: criar uma cultura em que todos possam acessar recursos e pessoas. A troca entre as pessoas é a forma de crescer junto que a Google acredita.

Algo que parece pequeno, mas que ajudou na Netshoes, foi dar mobilidade física às mesas das equipes de TI: isso ajudou na interação entre esses times e as outras áreas, trazendo uma proximidade física. Eduardo Berti define que a tecnologia é o pulmão do negócio: por isso, é preciso que os colaboradores enxerguem a inovação como um alavanca de negócios e compreenda seu propósito: “Quando começa a transformação digital, o colaborador começa a olhar o business. Ele tem que entender porque a jornada dele acontece, que aquela nova informação que ele colocou em cloud fez melhorar a experiência do cliente final”, pontua.