As lições de João Appolinário, fundador da Polishop

publicado 25/06/2020 17h47, última modificação 25/06/2020 17h47
Brasil - Na Semana Amcham de Empreendedorismo, o Presidente e fundador da Polishop compartilhou tudo o que aprendeu ao longo de sua jornada como empreendedor
Presidente e fundador da Polishop dicas de empreendedorismo

"Se você não souber captar o consumidor e criar todas as condições para mantê-lo por perto, seu negócio não tem futuro”, diz o Presidente e fundador da Polishop

Hoje sua marca possui um faturamento anual de R$ 1 bilhão e João Appolinário é conhecido como um dos investidores mais influentes do programa Shark Tank Brasil, mas nem sempre as pessoas compraram suas ideias. Ao invés de seguir o caminho mais fácil e herdar os negócios da família, ele decidiu fazer diferente e abrir um rinque de patinação no litoral de São Paulo aos 18 anos.

O resultado, como seu próprio pai previu, não foi dos melhores. Apesar de perder todo o dinheiro que havia investido no negócio, Appolinário não desanimou. Depois de apostar em alguns pequenos negócios, o empresário decidiu pensar fora da caixa – mais especificamente em Miami, nos Estados Unidos – e trazer o Seven Day Diet ao Brasil.

A ideia não foi bem aceita por profissionais de marketing contratados pelo empresário para avaliar o produto. O preço era alto, a caixa era grande e a logística era difícil. Apesar do risco, Appolinário acreditava no produto e no modo de vendas – televisão e telefone – e decidiu lançar o Seven Day Diet no mercado brasileiro. Ao contrário do que se previa, a empreitada fez um grande sucesso e deu origem a Polishop.

Foi nesse momento que João aprendeu uma lição que aplica até hoje em seus negócios: produto tem preço, mas benefício tem valor. Em nossa Semana de Empreendedorismo, o empresário compartilhou esse e outros ensinamentos que aprendeu ao longo de sua jornada como empreendedor.

 

VENDER BENEFÍCIOS TEM VALOR

Desde o início, a Polishop decidiu apostar em uma estratégia focada em vender os benefícios por trás de cada um de seus produtos. “As pessoas querem que você atenda alguma necessidade específica, seja ela consciente ou inconsciente. Quando você tem exclusividade, benefício e inovação, o preço acaba se tornando irrelevante”, afirma João Appolinário.

Porém, só vender inovação não basta – é preciso demonstrá-la. Mas, para fazer isso, a empresa precisava de um tempo maior de tela para que o vendedor explicasse as funcionalidades e vantagens do que estava sendo vendido. Ao invés de criar anúncios tradicionais, que se resumiam a 30 segundos, a Polishop resolveu comprar grandes espaços de propaganda em canais pequenos de televisão, cujas grades ainda não estavam preenchidas, e criar um programa com 15 minutos de duração.

Não demorou muito para que isso também não fosse o suficiente. Pouco tempo depois da sua criação, a empresa inaugurou seu próprio canal de TV, onde exibia seus comerciais 24 horas por dia.

 

O CLIENTE É O FOCO

O varejo do futuro é se fazer presente onde o cliente estiver – e João Appolinário já sabia isso nos anos 2000. “Quando fundei a Polishop, apesar de não existir o conceito omnichannel, criamos uma estrutura verdadeiramente multicanal que atendia o cliente onde ele estivesse”, conta o empresário. Loja virtual, call center, revista catálogo, programa de televisão e lojas físicas: todos os canais vendem o mesmo produto, pelo mesmo preço e com condições idênticas.

“O cliente é quem manda, ele é o grande centro de tudo. Se a pessoa quer validar o que ela viu no digital na loja física você precisar dar isso a ela. Afinal, se você não souber captar o consumidor e criar todas as condições para mantê-lo por perto, seu negócio não tem futuro”, avalia o Presidente e fundador da Polishop. Essa estratégia de complementariedade tem dado certo, e os números refletem isso. Hoje, 80% das pessoas que compram na loja já tiveram contato com aquele produto no digital. 

 

EMPREENDER NÃO É NÃO TER UM PATRÃO – É TER VÁRIOS

Empreender significa ter desafios a cada hora e questionar tudo aquilo que já existe. É preciso questionar o que se faz, o que os colaboradores e os concorrentes fazem, e o que você mesmo deveria estar fazendo. Para João Appolinário, errar e assumir o risco, aprender rápido, não errar de novo e corrigir o que precisa ser corrigido são aspectos que compõe o dia a dia de quem cria seu próprio negócio. 

Mas se engana quem acha que empreender é não ter um patrão. “Quando você trabalha para alguém, você tem um patrão. Mas quando você cria um negócio, todos os clientes, fornecedores, investidores e instituições financeiras são patrões”, diz.  

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