Desafio de inovar é maior nas médias e pequenas empresas

publicado 26/08/2013 16h21, última modificação 26/08/2013 16h21
São Paulo – Enquanto as médias estão formalizando áreas de pesquisa, as startups têm que criar o negócio
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Sem o engajamento do dono, não há como as médias empresas criarem novos produtos e serviços capazes de enfrentar concorrentes mais fortes. “O dono tem que encontrar tempo para gerir a empresa e competir com as grandes organizações, o que passa muito por inovar”, disse o consultor Maximiliano Carlomagno, sócio da consultoria Innoscience.

O consultor foi o moderador do Seminário de Inovação no Brasil da Amcham-São Paulo, que ocorreu na quinta-feira (22/8). No painel dedicado às médias empresas, as três convidadas – Higra Industrial, Farmaformula e BCM – revelaram que, apesar das dificuldades, conseguem espaço para atuar com produtos inovadores.

Outro painel, formado pela startup Bússola do Investidor,  as instituições de apoio Inova Unicamp e Cietec, e o governo do Chile, discutiu o apoio ao crescimento dessas empresas. A financiadora de projetos Totvs Ventures também participou do debate.

As médias empresas

O empresário e executivo Silvino Geremia, diretor de mercado e desenvolvimento da Higra Industrial, perdeu uma oportunidade em função do ambiente restritivo de negócios no Brasil. Antes de fundar a Higra, o empresário criou um motor de alto rendimento usado na indústria petrolífera. Mas a demora em patentear o produto no Brasil fez com que ele fosse copiado no exterior. Geremia não teve alternativa senão passar o negócio para frente.

Na Higra, seu atual negócio de bombas anfíbias e aeradores usados pelas empresas de saneamento, mineradoras e demais indústrias, Geremia incorporou a inovação. Criou um laboratório de testes para criar bombas de alto rendimento e pouco poluentes. “Essa foi a forma que achamos de enfrentar o mercado, e está dando certo. Crescemos, em média, 20% ao ano, mas no ano passado essa relação foi de 30%”, comemora o inventor.

No segmento de cosméticos, a saída encontrada pelo laboratório de manipulação Farmafórmula foi trabalhar com parcerias. “Trabalhamos com o Senai (Serviço Nacional de Aprendizado Industrial) para formação de pessoal e gestão de algumas de nossas linhas de pesquisa, e também temos fomento na Fapern (Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Norte)”, comenta Júlio Fernandes Maia Neto, diretor presidente da Farmafórmula.

Maia Neto também desenvolve parcerias com outras indústrias farmacêuticas, “sempre tomando cuidado para garantir a exclusividade de nossos produtos”. Uma delas é o desenvolvimento de uma linha de produtos baseados na caatinga, bioma do nordeste brasileiro.

No entanto, a burocracia na hora de registrar produtos ainda é um grande obstáculo. “O comitê genético da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) demora quase um ano para liberar um linha de pesquisa. Isso é muito tempo”, lamenta Maia Neto.

Já na BCM Automação, que desenvolve equipamentos auxiliares para o setor de energia, a inovação é vista como um meio necessário para melhorar processos e oferecer produtos.

“Nosso objetivo é resolver problemas de eletrônica de nossos produtos, atender clientes, melhorar processos e fazer produtos diferentes”, comenta José Luiz Bozetto, diretor geral da BCM Automação. Entre os principais desafios à frente de sua empresa, ele cita estão a formação e retenção de pessoal e desenvolvimento de novos produtos.

As startups

Para desenvolver inovação e atrair jovens empreendedores do mundo todo, o Chile criou em 2010 um programa de apoio a startups, com resultados já visíveis. “Queremos que os empreendedores utilizem nosso país como plataforma global”, afirma Hernan Bascuñan, cônsul geral do Chile em São Paulo. No primeiro ano, 22 startups de 14 países começaram a funcionar no Chile. Em 2012, esse número subiu para 323 e, no primeiro semestre de 2013, 188 empresas já estavam funcionando. Bascuñan diz que ainda falta apurar os números do segundo semestre, mas adianta que a meta para 2014 é atrair 1.000 startups.

Tom Bergstein, sócio da Bússola do Investidor, portal de notícias e serviços financeiros, disse que os empreendedores só conseguirão crescer com apoio financeiro e técnico. “Só assim poderemos gerar renda, emprego e trabalho”, afirma ele.

Milton Mori, diretor executivo da agência de inovação Inova Unicamp, comentou que os futuros empresários precisam se preparar não apenas para inventar produtos, mas também aprender a gerenciar um negócio. Cláudio Rodrigues, diretor-presidente, Cietec (Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia), ressaltou que a inovação é essencial para agregar valor ao trabalho das empresas.

Já Fernando Taliberti, diretor da financiadora de projetos Totvs Ventures, disse que as startups têm mais capacidade de promover inovação disruptiva (novos produtos e serviços) baseada em novas tecnologias do que as grandes empresas.

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