Desenvolvimento tecnológico é primordial para o futuro das empresas

por andre_inohara — publicado 20/05/2011 13h08, última modificação 20/05/2011 13h08
André Inohara
São Paulo – Concorrência acirrada obriga companhias a melhorarem produtos e processos em tempo cada vez menor.
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O acirramento da concorrência e as mudanças cada vez mais rápidas de cenários econômicos estão obrigando as empresas a reinventarem processos e produtos, assim como entrar em áreas de atuação inéditas.

É o o caso de Vale, Suzano Papel e Celulose, Fiat e Microsoft, que mostraram seus cases no 3o Seminário Rumos da Inovação no Contexto Empresarial Brasileiro, promovido na quinta-feira (18/05) pela Amcham em parceria com a Fundação Dom Cabral na Amcham-São Paulo.

Essas companhias têm adotado estratégias que passam pela diversificação dos negócios ou pela criação de produtos mais adaptados às aspirações dos clientes e com alto teor tecnológico.

“As regras mudarão inexoravelmente, e temos de estar preparados. A forma como a mineração era feita há cinquenta anos é inaceitável hoje, assim como o que fazemos agora será impraticável em cinquenta anos”, disse o diretor do Departamento do Instituto Tecnológico da Vale, Luiz Mello.

A mineradora possui vários centros de pesquisa tecnológica no Brasil e na América do Norte, que desenvolveram processos de extração de minérios de forma mais econômica e menos agressiva ao ambiente.

A Vale também mantém parcerias tecnológicas com as principais instituições de pesquisa em mineração no mundo. “O principal desafio da mineração é fazer negócios de forma mais verde”, comentou Mello.

Também como parte de sua preparação para o futuro, a maior mineradora de ferro do mundo passou a atuar em segmentos inexplorados, como o de metais não-ferrosos, fertilizantes e energia.

Impactos das novas tecnologias

O surgimento de tecnologias novas, como as mídias eletrônicas, teve desdobramentos importantes em setores como papel e celulose.

Para o gerente executivo de Estratégia e Marketing da Unidade de Papel da Suzano Papel e Celulose, Adriano Canela, as novas mídias, diferente do que muitos pensam, podem ser oportunidades de negócio. “Hoje as pessoas acessam muito mais informações do que antes, o que pode levar a um consumo maior de papel”, afirmou.

Canela contou que a Suzano foi pioneira em seu setor na inovação de produtos: a primeira empresa a produzir celulose a partir das fibras de eucalipto e papel reciclado em escala industrial (desde 2001); e a pioneira no lançamento de produtos com base na Pegada de Carbono (medição do impacto da produção individual de gás carbono no meio ambiente).

A inovação faz parte do processo de crescimento da Suzano, segundo Canela. “O foco da companhia é consolidar sua presença na América Latina por meio de negócios rentáveis a partir da base florestal renovável”, comentou.

Para isso, a empresa investiu na diversificação de atividades como fornecimento de energia a partir de fontes renováveis - caso de ripas de madeira - e desenvolvimento de pesquisas em biotecnologia e gestão florestal.

No cenário atual, a concorrência de um produto não vem apenas das companhias do mesmo segmento. Paulo Matos, supervisor de inovação estratégica da Fiat, disse as montadoras estão enfrentando a concorrência de outros setores da economia. “Uma nova geração de consumidores não está interessada em carros, mas em dispositivos como o iPad e o iPhone”, observou.

Os casos mais recentes de inovação de produtos da Fiat foram o automóvel Uno, cuja linha foi remodelada neste ano, em parceria entre o Centro Estilo Fiat para a América Latina e a matriz italiana. Outro produto inovador é o carro-conceito Fiat Mio, criado a partir de sugestões de internautas no mundo todo e apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo em 2010.

Na Microsoft, investimento de US$ 8 bilhões ao ano

Na Microsoft, os investimentos em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos são da ordem de US$ 8 bilhões por ano, segundo Franklin Luzes, gerente de inovação da Microsoft Brasil.

“Imaginamos como será o mundo dentro de 15 anos em termos de interação homem-máquina e necessidades de dispositivos de segurança. Testamos a aplicabilidade das soluções em nossos laboratórios e trabalhamos para criar produtos que serão usados em três ou quatro anos”, disse Luzes. 

A empresa possui diversos programas de incentivo à criatividade. Um deles, chamado de ThinkWeek, é uma iniciativa surgida há quase 30 anos que consiste na coleta de ideias com potencial “para dar continuidade à vantagem competitiva da Microsoft”.

Entre essas sugestões surgiu o videogame interativo Xbox 360 Kinect, criado por um brasileiro, conta Luzes, e que se tornou um exemplo de sucesso na Microsoft Corporation.

Outra solução criada na Microsoft a partir da sugestão de brasileiros foi o Windows Starter Edition, um sistema operacional com menos recursos que o Windows e voltado para consumidores de menor poder aquisitivo.

No Brasil, uma das sugestões que se transformaram em um caso de sucesso foi a carreta Fórum de Soluções, uma estrutura móvel de apresentação de produtos e soluções.

“Durante a crise de 2008, tivemos de cortar investimentos e, com isso, teríamos que deixar de atender a eventos que tratassem de inovação”, contou Luzes.

Um dos colaboradores sugeriu montar um caminhão equipado com as últimas novidades tecnológicas e que fosse capaz de se mover não só para as capitais, mas também a cidades importantes. “Reduzimos em 10% o custo anual com eventos”, assinalou o executivo.

Corrida contra o tempo

Para diminuir a distância competitiva em relação a outros países, o Brasil precisa dar saltos de inovação, concordaram os participantes do seminário realizado na Amcham-São Paulo.

“É preciso pensar em superar rapidamente os concorrentes, e há muitas opções para isso no Brasil”, disse Soumitra Dutta, cofundador e diretor acadêmico do eLab, centro de excelência em geração de valor da Insead.

Dutta sugere a criação de produtos relacionados especificamente à realidade dos mercados emergentes, como carros baratos e confiáveis.

“A Tata Motors, que lançou o Nano (veículo popular que custa US$ 2 mil), desenvolveu 90 patentes diferentes para o carro”, comentou o professor.

Além disso, as organizações também devem ser responsáveis por estimular a criatividade nas pessoas.

“É preciso permitir que os jovens tenham voz. É papel dos CEOs dar espaço a eles e permitir que eles vejam além das fronteiras.”

 

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