Em setores tradicionais da indústria, inovar significa estimular e dar continuidade à criação de produtos de valor agregado

por andre_inohara — publicado 23/05/2012 17h06, última modificação 23/05/2012 17h06
São Paulo – White Martins, do setor químico, e Fleury, de medicina diagnóstica, contam suas experiências no desenvolvimento de ambientes propícios à inovação.
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O sucesso das empresas pertencentes a setores tradicionais da economia se deve, em boa parte, a produtos lançados no passado e que figuraram entre os mais inovadores à época. Em tempos em que a concorrência vem até mesmo de setores diferentes, produzir inovação industrial se tornou ainda mais relevante. Além de diferencial competitivo, inovação é agora prioridade absoluta.

Por isso, o desafio das organizações de setores tradicionais da economia é dar continuidade à criação de bens e serviços de alto valor agregado por meio de qualificação e envolvimento dos colaboradores no tema.

No comitê de Inovação da Amcham-São Paulo realizado nesta quarta-feira (23/05), a White Martins, produtora de gases industriais e medicinais, e o Grupo Fleury, de medicina diagnóstica, contaram o que estão fazendo para se manter inovadores.

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White Martins

Fundada em 1912, a White Martins chega neste ano ao seu primeiro centenário como a líder no fornecimento de gases industriais e medicinais da América do Sul, tendo como metas a manutenção de mercados cativos, reduzir custos e desenvolver novos produtos e aplicações.

Por isso, é preciso pensar constantemente em oferecer as melhores soluções aos clientes, disse Anna Paula Rezende, diretora executiva de Talentos e Sustentabilidade da White Martins. “O desafio das indústrias já estabelecidas é continuar sendo inovadoras e conseguir trazer diferencial para os clientes”, afirma a executiva.

O desenvolvimento de novos produtos é um processo que envolve todos os colaboradores, segundo Anna. “O operador, por exemplo, sabe melhor que o seu chefe algo que pode ser feito de diferente para mudar a cadeia de valor. O chefe, por sua vez, vai ponderar a sua viabilidade. Todos fazem parte da nova forma de pensar que queremos criar”, acrescenta.

Na White Martins, a participação é incentivada por meio da comunicação interna, e as ideias são coletadas por meio da intranet. Os projetos ficam à disposição para consulta interna, e um comitê multidisciplinar avalia a viabilidade da aplicação.

Nesse processo, é importante separar o joio do trigo. É comum haver pedidos para melhorias internas que, se analisadas, têm mais a ver com diagnóstico de clima organizacional. “Para a área de RH, é interessante capturar demandas que poderiam estar reprimidas, mas é preciso separar o que diz respeito ao clima interno e a projetos que trarão retorno ao cliente e à empresa”, destaca.

Nos últimos quatro meses, mais de cem ideias foram enviadas, comenta Anna. Desse montante, vinte e quatro viraram projetos que já foram implementados, cinquenta e dois estão em desenvolvimento, e doze estão descartados.

Como exemplo da efetividade do programa, Anna citou o exemplo de uma embalagem desenvolvida para preservar a qualidade original de frutas, carnes e vegetais por meio de uma mistura gasosa específica para cada tipo de alimento. A mistura contém dióxido de carbono, oxigênio e nitrogênio, que agem como película protetora, aumentando a vida útil dos alimentos frescos em até 100%.

Grupo Fleury

Nos laboratórios do Grupo Fleury, o contato com os clientes é constante nas diversas etapas (agendamento de consultas, recepção, exames e coleta de resultados), e isso traz oportunidades de diálogo que podem servir de base para novos serviços.

“Nosso maior desafio é fazer com que o colaborador tenha foco em inovação”, disse José Marcelo Oliveira, diretor executivo de Pessoas do Grupo Fleury. Embora a tecnologia possibilita ferramentas que melhoram o desempenho, são as pessoas que criam ofertas de valor, argumenta o executivo.

Para coletar projetos inovadores, o grupo criou um ambiente na intranet chamado de Central de Ideias. De acordo com Oliveira, a plataforma foi criada com o objetivo de permitir a maior interatividade possível. Os responsáveis pela avaliação das ideias são orientados a fazê-lo da forma mais rápida possível, e os colaboradores têm a liberdade de eleger as sugestões mais qualificadas.

De setembro de 2007, data inicial, a abril deste ano, o programa coletou 13.502 ideias, sendo que 2.555 foram aprovadas (19%). Dessas, 701 (5% do total de sugestões) foram implantadas, comentou Oliveira. “Procuramos incentivar ao máximo o fluxo de ideias para que elas cheguem ao nível de implantação e gerem valor para a organização”, destaca o executivo.

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