Empreendedores do San Pedro Valley explicam como o ecossistema colaborativo favorece a inovação

publicado 24/10/2013 10h50, última modificação 24/10/2013 10h50
Belo Horizonte – Líderes de startups de sucesso afirmam que a união gera oportunidades para todos
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É no centro-sul de Belo Horizonte que está um dos modelos mais inovadores do recente empreendedorismo brasileiro, o San Pedro Valley – região da cidade repleta de startups de tecnologia que virou a versão brasileira do Vale do Silício, na Califórnia, EUA. As empresas têm crescido a passos largos, ganho clientes e atraído investidores nacionais e estrangeiros. O segredo do sucesso, dizem seus representantes, é o ecossistema colaborativo.

“Aqui o próprio ecossistema te faz crescer. Uma empresa ajuda a outra, rolam negócios em conjunto, todas se ajudam”, resume Gustavo Caetano, 30 anos, fundador da Samba Tech, empresa que cria plataformas para vídeo na internet (leia mais aqui).

Ele e mais quatro empreendedores contaram suas experiências no comitê de Inovação da Amcham – Belo Horizonte, quarta-feira (16/10). Participaram Tomás Duarte, CEO da Tracksale; Matt Montenegro, fundador da Beved; Diego Gomes, fundador da Rock Content; e Leandro Lacerda Campos, do Seed, programa de aceleração do governo mineiro.

Outro convidado de destaque foi Ivan Moura Campos, professor da UFMG e criador de startups de sucesso, vendidas para empresas como Google e UOL. O professor, que está prestes a inaugurar sua terceira startup, explicou seu processo de inovação: estudar toda a cadeia em que está inserido.

Dois exemplos

O samba de Caetano evoluiu e hoje é uma holding com mais duas empresas em fase de startup: a Samba Ads (publicidade em vídeos) e a Adstream Samba (publicidade digital).

As três empresas já receberam aportes de investidores como a norte-americana DFJ Venture Capital e o brasileiro Florian Otto, ex-CEO do Groupon Brasil, entre outros.

Criada em 2012 para vender marketing de conteúdo, a Rock Content é outra startup que nasceu no bairro e recebeu investimentos de quatro fontes. “Começamos com capital próprio, depois recebemos US$ 75 mil de um fundo [o primeiro aporte]. Nos últimos seis meses, saímos de zero para 100 clientes”, comenta Diego Gomes, 28 anos, um dos fundadores.

Os dois negócios são um exemplo do que ocorre no ambiente colaborativo do bairro de São Pedro. “A gente já levantou milhares de dólares com investidores e a gente ajuda também, apresentando [os investidores] a outros empreendedores, como a Rock Content”, exemplifica Caetano.

Os gestores se reúnem ao menos de 15 em 15 dias para compartilhar conhecimento sobre tudo o que pode envolver os negócios, o que impacta também na profissionalização do negócio.

Networking

Mesmo a Samba, que está à frente, no desenvolvimento – foi criada em 2007-, também aprende. “Tem muita empresa que já nasce com conceitos revolucionários e ensina aos demais. Nós estamos mudando nossa área de vendas baseados no modelo da Rock Content”, revela o CEO do Samba Group.

O sistema, no San Pedro Valley, é horizontal. “Não tem um gerente, um líder. Pequenos núcleos vão se formando e tomando decisões”, comenta Gomes. “É um ecossistema aberto e qualquer empresa de tecnologia ou que a use pode chegar”, diz.

Caetano, que é presidente da Abstartup (Associação Brasileira de Startups), com 17 escritórios regionais e 2600 afiliados, diz que os empreendimentos do San Pedro Valley se desenvolvem com velocidade maior do que às instaladas em outros estados. “Na minha percepção, pelo menos metade já levantaram dinheiro e crescem bem rápido”, cita.

E não é o mercado consumidor de Minas gerais, cujas âncoras são mineradoras e siderúrgicas, que impulsionam a evolução do ecossistema. “Não tem consumidores dos nossos produtos aqui. Mas é nos lugares onde tem menos oportunidades que o pessoal se une mais. A gente está buscando aparecer para o resto do Brasil”, declara.

Multiplicação

O modelo deu tão certo que o governo de Minas Gerais quer ampliá-lo, por meio do Seed (Startups and Entrepreneurship Ecosystem Development), programa de aceleração, com ajuda a fundo perdido de R$ 68 mil a R$ 80 mil.

A previsão é lançar o segundo edital entre o final de novembro e o começo de dezembro. Podem se inscrever projetos de qualquer cidade brasileira ou de outros países. “Não precisa nem ter CNPJ nem ser ligada a TI. O que importa é ser projeto de negócio escalável e repetitivo”, explica Leandro Lacerda Campos, gerente do Seed.

A intenção é instalar os projetos numa incubadora, no San Pedro Valley, para que se insira na cadeia que se estabeleceu na região. “A gente quer que o empreendedor veja as vantagens de estar em Minas, como a comunidade em que ele poderá interagir, o que economiza muitos anos de desenvolvimento porque aprende com os outros”, comenta. “Com novos projetos, espera-se atrair mais investimentos, mais empresas e mais aceleradoras”, completa.

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