Empresas no Brasil devem priorizar inovação aberta, defende presidente da DuPont para América Latina

por daniela publicado 23/05/2011 11h36, última modificação 23/05/2011 11h36
Daniela Rocha
São Paulo - Estratégia é fundamental para potencializar negócios e competitividade do País, em um momento positivo de oportunidades, defende Eduardo Wanick, que também é presidente do Conselho da Amcham.
empresas_corpo.jpg

A inovação aberta (open innovation) deveria ser largamente aplicada por companhias no Brasil como chave para potencializar os negócios e a competitividade do País no cenário global. É o que defende Eduardo Wanick, presidente e CEO da DuPont para América Latina e presidente do Conselho de Administração da Amcham.

A estratégia, segundo o executivo, consiste na criação de redes colaborativas formadas por funcionários, clientes e fornecedores, assim como outras organizações e meio acadêmico, dentro e fora do País, para atuar na busca de novas soluções.

O Brasil é o mercado no qual a DuPont tem a maior penetração de seus produtos no mundo, resultado de um projeto amplo da companhia, que a partir de 2002 passou a adotar uma política de inovação focada especificamente nas necessidades dos países em desenvolvimento. Atualmente, os resultados da DuPont na América Latina têm crescido três vezes mais do que o Produto Interno Bruto (PIB) da região.


Eduardo Wanick participou na quinta-feira (19/05) da terceira edição do Seminário Rumos da Inovação no Contexto Empresarial Brasileiro, promovido pela Amcham em parceria com a Fundação Dom Cabral, em São Paulo. Após o evento, ele concedeu a seguinte entrevista ao site da Amcham. Acompanhe:

Amcham: Durante o seminário, diversos especialistas afirmaram que o meio empresarial deve assumir a liderança no processo de inovação no País. O sr. avalia que a iniciativa privada deve ter, de fato, essa responsabilidade?
Eduardo Wanick:
O Brasil responde por 3% da economia global, mas gera apenas 0,1% das patentes no mundo. Isso mostra que é muito importante sabermos conectar a produção científica com as necessidades específicas do mercado e essa conexão se faz tanto nas empresas quanto nas universidades. Mas, claramente, é maior a responsabilidade das companhias de acessarem a produção científica do que vice-versa porque são as empresas que sabem de quê o mercado precisa.

Amcham: Há um senso de urgência de inovação tomando conta do País? Por quê?
Eduardo Wanick:
O mundo está cada vez mais acelerado. Antigamente, uma empresa criava algum produto ou serviço e passavam-se até dez anos sem que alguém inventasse algo melhor. Hoje, a inovação tem de ser constante, com ações todos os dias dentro das companhias. Os processos longos e burocráticos não se prestam mais à realidade dos negócios. É preciso estar conectado, ser ágil e manter uma rede colaborativa com outras empresas e com entidades acadêmicas para conseguir essa velocidade toda.

Amcham: O País reúne muitas possibilidades diante da boa fase da economia, ascensão de classes sociais, descobertas do pré-sal e eventos esportivos da Copa do Mundo e das Olimpíadas. O sr. vê disposição do governo para aperfeiçoar as políticas públicas em relação à inovação para que o País aproveite mais as oportunidades?
Eduardo Wanick:
Existe a disposição do governo de fazer isso, sim. O Ministério da Ciência e Tecnologia e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior estão engajados nisso. Com certeza, muitas coisas precisam ser feitas rapidamente. Mas já é possível notar algumas evoluções nessa área. Um exemplo bom é o esforço da Petrobras de criar um centro de open innovation para resolver os problemas e os desafios tecnológicos do pré-sal.

Amcham: Desde 2002, a DuPont passou a adotar ações específicas de inovação para o desenvolvimento de produtos e serviços destinados aos países emergentes porque, até então, os objetivos eram muito centrados nas nações desenvolvidas. Atualmente, qual é a importância do Brasil para a multinacional?
Eduardo Wanick:
A DuPont vê o Brasil muito estrategicamente, é o País onde a penetração da companhia é a mais alta do mundo. Definirmos a penetração como a receita da DuPont em determinado país dividida pelo PIB (Produto Interno Bruto). A posição do Brasil é decorrente dessa mudança na filosofia da inovação.

Amcham: Qual é a importância da inovação aberta?
Eduardo Wanick:
Um ponto-chave em termos de inovação é a colaboração entre empresas. Hoje, é muito difícil pensar que uma companhia encontrará sozinha respostas para grandes problemas.  Portanto, as empresas devem se sentir mais livres e abertas para colaborar umas com as outras. É necessário ter disposição para fazer alianças com outras organizações, colaborar com a área acadêmica, buscando alianças dentro e fora do País, para desenvolver soluções. É preciso fazer isso; caso contrário, ficaremos para trás.

registrado em: