Equipe, experiências pessoais e a continuidade dos negócios podem levar à inovação

publicado 03/11/2014 09h07, última modificação 03/11/2014 09h07
São Paulo – Inovação em três cases: agência Mandalah, Hospital Albert Einstein e chef Alessandro Segato
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“Todos querem inovação e tudo o que ela pode trazer, mas poucos têm um sistema para desenvolvê-la”, cutuca John Kao, consultor americano que abriu o Seminário de Inovação da Amcham – São Paulo, quinta-feira (30/10) (leia mais aqui). Para responder a essa provocação, outros três convidados do evento contam quais os seus segredos para conseguir inovar: Tom Moore, CEO da agência Mandalah no Brasil; Claudio Schvartsman, vice-presidente do Hospital Albert Einstein; e Alessandro Segato, chef e empresário.

Moore aborda o conceito de cocriação e como a equipe da Mandalah foi formada para essa finalidade. Schvartsman mostra como inovar em uma instituição que atua em medicina, “um meio conservador”, como ele próprio define. E Alessandro Segato conta que experiências pessoais o levaram a fazer a diferença no meio gastronômico.

Cabeças diferentes

A Mandalah atua em São Paulo, onde nasceu, em 2006, e em mais quatro cidades: Nova Iorque, Cidade do México, Tóquio e Berlim. Essa geografia influencia diretamente a produção da agência especializada em inovação. “Trabalhamos em cocriação. Um projeto é realizado por pessoas de mais de uma dessas cidades”, diz Moore, que é irlandês.

Para chegar ao esperado, as equipes dos cinco escritórios são multidisciplinares – em São Paulo, pelo menos, há também o golden retriever Shiva integrando o staff, garantindo um distinto focinho entre as diferentes cabeças. “Nenhuma ideia vem do nada, as ideias estão sempre em construção, vindo de outras. A inovação acontece quando perspectivas diferentes estão olhando para o mesmo objeto”, destaca.

Hospital sem fronteiras

Vice-presidente do Hospital Albert Einstein, Claudio Schvartsman explica que a profissão médica é conservadora, por natureza, uma vez que a maioria dos procedimentos só pode ser colocada em prática após muito tempo de testes. Apesar disso, a instituição tem um histórico de inovações, ao longo de cinco décadas de existência. “Nos anos 70, por exemplo, já fazíamos a triagem auditiva neonatal, que virou lei há pouco tempo”, exemplifica. A lei federal para o exame foi sancionada em 2010.

O posicionamento do hospital fez com que fosse o primeiro, fora dos EUA e Europa, a ser acreditado pela Joint Commission International, com a finalidade de criar a cultura de segurança e qualidade em todos os processos de uma organização de saúde. Os critérios abrangem infraestrutura, direitos e deveres dos pacientes, tratamento e prontuário dos pacientes e controle de infecção hospitalar, entre outros. “Quando procuramos a Joint Commission, nos achávamos os maiorais, mas na primeira avaliação, nos sentimos os minorais”, recorda.

O processo para a acreditação levou a avanços em todo o hospital, afirma. Um deles é o programa de segurança do paciente, que aproximou de zero o índice de infecção hospitalar. Outro, de relacionamento com o corpo clínico, permite que os médicos da instituição continuem pesquisando.

O hospital também apostou em telemedicina e, com esse recurso, atua em parceria com equipes de hospitais públicos espalhados pelo país. O resultado é a redução da mortalidade em casos de AVC, infarto e sepse. Outro programa também envolvendo a tecnologia, o robô cirúrgico, permitiu melhores resultados em cirurgias de próstata.

“O modo como se desenvolve o programa é como tirar brevê para pilotar avião: o médico tem de acompanhar um tanto mínimo de procedimentos com o instrutor e fazer outro tanto de cirurgias monitorado pelo instrutor. Só depois desses passos ele faz a cirurgia sem acompanhamento”, explica.

O hospital também desenvolveu uma solução para reduzir o número de cirurgias de prótese em coluna, baseada em evidências científicas e diretrizes específicas. “Só faz a cirurgia quem realmente tem indicação”, diz.

O último programa citado por Schvartsman é o Planetree, filosofia que propõe melhorar o atendimento a partir da perspectiva do cliente. Isso assegura a determinados pacientes a possibilidade de levar seus cães nos períodos de internação, além de ações de aromaterapia para eliminar o tradicional cheiro de hospital. “Às vezes a gente tem uma pipoqueira, um bolo assando ou uma torra de café num andar”, conta.

“Há um vídeo que se tornou viral e foi gravado no hospital. Nele, duas enfermeiras dançam com uma garotinha careca, que passou por transplante de medula. É emocionante ver a alegria dela e essa dança só existe por causa desse programa”, comenta.

Inovação nas panelas

Com mais de 20 anos na gastronomia, o italiano Alessandro Segato acumula não só experiências diante do fogão, na Europa e no Brasil. Assinou cardápios para companhias aéreas, fez gestão de restaurantes, lançou cursos e confrarias de alto padrão, criou sua marca própria de produtos alimentícios, um talk show televisivo e, recentemente, o aplicativo Você Chef (disponível para iOS), que reúne receitas, vídeos, dicas de onde comprar ingredientes e outros recursos de compartilhamento.

Segato diz que um dos fatores para se encontrar novas oportunidades é estar sempre aberto ao novo. “Já recebi convite de uma joalheria para participar de um concurso internacional de design e fui, mesmo sem ser da área. Preconceito é a razão dos imbecis e afasta o que pode ser solução”, declara.

Para ele, experiências pessoais se somam às profissionais e influenciam nos processos. Ele diz que, por ter saído de casa ainda adolescente, para estudar, logo aprendeu a lidar com problemas. “E vi que, melhor que ser resolvedor de problemas, é ser arquiteto de soluções. Pensar numa engenharia ou arquitetura permite resolver algo de forma sustentável”, defende.

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