Executivos da Coca-Cola, Itaú e Toyota revelam detalhes de processos de inovação

publicado 01/06/2015 11h44, última modificação 01/06/2015 11h44
São Paulo – O novo ambiente global e a inovação em produtos e serviços foi tema de fórum na Amcham
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O mundo tem mais gente, que é mais conectada, transita mais entre os países, vive por mais tempo e se preocupa com saúde e meio ambiente. A nova configuração social global está diretamente ligada aos processos de inovação nos serviços e nos produtos de grandes companhias como Coca-Cola, Itaú e Toyota.

“O mercado e o cenário mundial mudaram”, diz Ana Cristina Maia, diretora de Inovação da Coca-Cola no Brasil. “Todas as indústrias, do mundo todo, sofreram mudanças e no mercado financeiro não foi diferente”, acrescenta Ellen Kiss Meyerfreund, superintendente da área de Inovação do Itaú.

As executivas participaram do Fórum de Inovação e Tecnologia da Amcham – São Paulo, sexta-feira (29/05), ao lado de Roberto Braun, head de Assuntos Governamentais da Toyota. Os três expuseram detalhes de seus processos de inovação em serviços e produtos, num painel mediado por Ricardo Neves, sócio-líder da área de Tecnologia da PwC.

Itaú

No Itaú, essa “jornada” começou há cinco anos, quando o banco decidiu que inovação seria um de seus pilares. A instituição investiu em interação com os clientes e em tecnologia, chegando, hoje, a empregar 7 mil profissionais de TI. “Nessa época, o mercado já tinha novos players entrando na cadeia e as pessoas já nos comparavam com o Google, nos cobrando interação”, conta Ellen.

Internamente, houve treinamento intensivo para criar a cultura de inovação entre todas as áreas do banco. Entre os destaques dos novos canais de atendimento, estão a agência digital Personnalité, que oferece atendimento remoto com o gerente, e o Tokpag, aplicativo que permite fazer pagamentos via celular mesmo para quem não é correntista do Itaú.

“Agora acabamos de inaugurar a plataforma Cubo, um coworking na Vila Olímpia que vai abrigar cerca de 50 startups de tecnologia”, relata a superintendente.

Coca-Cola

A área de inovação da Coca-Cola nasceu na mesma época que a do Itaú, em um período em que a companhia entrava no mercado de outras categorias, como suco e água. “A área foi estruturada para fazer os projetos andar, para os lançamentos acontecerem e terem recursos”, lembra Ana Cristina. “A gente quer ser catalizador para a empresa inteira”, expõe.

Para tanto, houve capacitação de pessoas e processos, com inserção de conceitos como o de lean startup e de MVP.

O processo teve sucesso, comenta a diretora, porque teve suas estratégias bem definidas. Isso permitiu direcionar os recursos para inovar em pontos relevantes para o negócio. “O papel da inovação tem de ter clareza e meta para ser apresentada”, defende.

Toyota

A inovação em produtos e serviços, tanto evolutiva quanto disruptiva, também leva a Toyota a obter melhores resultados, de acordo com Roberto Braun. O executivo destaca o Toyota Way e o Kaizen, conceitos de respeito às pessoas e de melhoria contínua da companhia, que direcionam todas as ações.

Um dos reflexos foi a criação de um processo de venda e pós-venda executado em 197 concessionárias auditadas anualmente. “Se alguma for reprovada por três anos seguidos, é passível de descredenciamento”, afirma Braun.

Por outro lado, as melhores são premiadas e podem ser consideradas para novos pontos de venda. “Essas também são as que atingem as taxas mais altas de rentabilidade. A eficiência nos processos gera mais lucro”, conclui.

Ele ressalta, ainda, o conceito QDR (qualidade, durabilidade e confiança), que, segundo Brau, influencia a decisão de compra dos usuários de Toyota.

A exigência também está nos produtos, cujos conceitos são desenvolvidos no Japão. Modelos de veículos sustentáveis, como o híbrido Prius e o movido a hidrogênio Mirai. “A Toyota é focada no desenvolvimento para o futuro. Isso agrega valor à marca e influencia a compra”, avalia. “Num momento de crise do setor automobilístico, nós registramos resultados de crescimento”, declara.

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