Grandes empresas sofrem com burocracia interna na hora de inovar

publicado 23/08/2013 15h59, última modificação 23/08/2013 15h59
São Paulo – Políticas internas e cultura corporativa são os principais fatores
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À medida que o desenvolvimento de produtos e serviços adquire escala industrial nas empresas, aumenta as exigências de adequação às políticas internas, o que acaba aumentando a burocracia para o lançamento de inovações.

As empresas que participaram do Seminário de Inovação no Brasil da Amcham-São Paulo, realizado na quinta-feira (22/8), disseram que produzir novas tecnologias não é um processo tão ágil.

“Nas grandes empresas, a inovação tem que se submeter aos processos internos, cultura e políticas estruturadas que fazem com que o gene da inventividade se torne recessivo ao longo do tempo”, resume Maximiliano Carlomagno, sócio da consultoria Innoscience e moderador do debate. O painel de discussões foi formado por HP, Telefonica Vivo, Boeing, DuPont e IBM.

Telefonica Vivo

No ramo de telefonia, onde os serviços oferecidos são praticamente padronizados (telefonia e dados), as empresas têm lutado para buscar diferenciação com eficiência operacional e atuação em outros segmentos. Nas empresas européias, o processo de mudança cultural rumo à inovação sofre resistências, de acordo com Pablo Larrieux, diretor de inovação do Centro de Inovação Telefônica/Vivo.

“Inovar é uma tarefa complicada dentro de empresas europeias, porque elas são máquinas de operar. Muita eficiência é obtida com a padronização das operações, mas inovar é fazer diferente, sejam em produtos ou processos...”, comenta Larrieux.

Em algumas empresas, há processos burocráticos que arrefecem a criatividade. “Às vezes, para aprovar um projeto é preciso convencer o departamento financeiro. Ou ainda se avalia os profissionais com base nos acertos. Haverá erros no processo, o que suscita a questão de políticas para tolerância e aprendizado nas empresas”, ressalta o executivo.

Boeing

Na Boeing, que produz aviões que costumam revolucionar o mercado de aviação, criar processos mais eficientes de produção também gera muito retorno para a companhia.

“As grandes inovações também entram no processo, e muitas vezes são mais importantes que o produto”, disse Antonini Puppin Macedo, diretor de operações e coordenador de pesquisas da Boeing Brasil.

Macedo cita o exemplo dos aviões da série 737, de menor porte, onde são produzidos cerca de 44 aeronaves por mês na matriz de Seattle (EUA), “mais de uma aeronave por dia”, comemora ele. No Brasil, a Boeing está construindo um centro de pesquisa e desenvolvimento aeronáutico em São José dos Campos, e será o sexto que a fábrica terá no mundo.

A Boeing já firmou parcerias com o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), USP (Universidade de São Paulo) e UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) para desenvolvimento de novas tecnologias ligadas à aviação.

IBM

Líder na produção mundial de patentes há pelo menos 20 anos, a IBM está sempre se reinventando, de acordo com José Francisco, CTO da IBM Brasil. “Já traçamos internamente quais os desafios de inovação para os próximos cinco anos”, disse ele.

A política da IBM é estimular e reconhecer o desenvolvimento de novas patentes. “Todos os funcionários são incentivados a participar.” Aqueles que atingem um determinado número de patentes, ganham o título de Master Inventor, uma distinção valorizada no mercado, assegura Francisco.

HP

Para a HP, que montou um departamento de pesquisa e desenvolvimento (P&D) em 1998 no Brasil, o fato de ter uma estrutura específica de inovação não é garantia de produtos revolucionários.

“A proposta é fazer desde pesquisa básica a desenvolvimento de produto, para transferência de tecnologia. Nosso desafio é mostrar que somos uma operação efetiva que dá resultados, seguindo as oportunidades de quebrar processos e paradigmas, disse Cirano Silveira, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da HP do Brasil.

Ou seja, é preciso “conquistar o direito de inovar, mostrando efetividade e resultados”. Além do centro de pesquisa, a HP realiza cooperação técnica com universidades e institutos de pesquisa.

DuPont

A DuPont é uma das empresas que trabalham com colaboração criativa. Além de funcionários e clientes, a empresa tem parcerias com universidades para o desenvolvimento de novos projetos. Para John Julio Jansen, vice-presidente de marketing e vendas para a América Latina da DuPont, não basta produzir conhecimento, é preciso gerenciá-lo.

“Temos procedimentos para gerir projetos e um centro de inovação para geração coletiva de ideias com clientes e outros públicos”, comenta ele. Mesmo o conhecimento produzido e não aproveitado é preservado. “Se o projeto não vai dar certo, temos que descobrir o mais rápido possível. O que não significa que alguma circunstância externa mude e viabilize a tecnologia”, argumenta ele.

 

 

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