Inovação se transforma em processo sem fronteiras e demanda adoção de novas metodologias nas empresas

por daniela publicado 29/04/2011 15h40, última modificação 29/04/2011 15h40
Daniela Rocha
São Paulo - É preciso conjugar competências internas e externas, destaca diretor da Macroplan, José Paulo Silveira.
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A inovação se transformou em um processo sem fronteiras, exigindo que as companhias apostem em novos métodos de trabalho e na articulação de competências internas e externas. É o que avalia José Paulo Silveira, diretor associado da consultoria Macroplan - Prospectiva, Estratégia & Gestão.

Segundo ele, os avanços tecnológicos, a movimentação de classes sociais e as tendências de consumo no mercado globalizado demandam alterações nos procedimentos envolvidos para transformar ideias em fins produtivos.

“As empresas, no que diz respeito à gestão da inovação e à condução de pesquisa e desenvolvimento (P&D), devem ter atualmente a capacidade efetiva de combinar inteligência interna e externa, mediante a prospecção de oportunidades não somente entre os colaboradores, mas em outras empresas, outros setores e países, através do diálogo com clientes e parceiros. Até então, a visão era de dentro das companhias”, disse Silveira, que participou nesta sexta-feira (29/04) do comitê de Inovação da Amcham-São Paulo.

Liderança ampliada

Diante desse cenário, o papel desempenhado pelos líderes de inovação nas organizações torna-se mais complexo, destacou o especialista, que foi secretário de Planejamento e Investimentos estratégicos do Ministério do Planejamento e superintendente do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Petrobras.

“Eles passam a atuar mais como empresários do que como chefes de laboratórios porque precisam ter uma visão gerencial ampliada”, comentou. Esses gestores devem reunir habilidades de comunicação para promover parcerias, captar fontes de recursos externas e, principalmente, desenvolver talentos.

Para Silveira, o caráter estrategista das áreas de inovação corporativa tende a ser cada vez mais valorizado. Os centros de P&D e inovação devem ser vistos como unidades de resultados e não de custos. Dessa forma, os líderes têm de saber apresentar adequadamente os business cases, isto é, as possibilidades de ganhos e os riscos embutidos nos projetos aos tomadores de decisão. 

“A inovação representa risco, isso é indiscutível, mas há maneiras de mitigar, controlar e dosar”, disse, referindo-se a possibilidade de criação de carteiras de inovação, a exemplo do que se pratica no mercado financeiro com as carteiras de investimentos, onde se faz o balanceamento dos riscos dos ativos.

Exemplo da Shell


A Shell, empresa que se destaca no mercado de petróleo, conforme o consultor, representa um exemplo mundial nas atividades corportrativas de inovação. Ela possui um grupo específico para capturar ideias composto por 25 profissionais e recebe investimentos da ordem de US$ 40 milhões por ano.  Cerca de 10% das ideias captadas são conduzidas em negócios, índice considerado elevado diante do percentual médio de 2 % de aproveitamento.

Na Shell, parte das ideias que foram aprovadas e não chegaram a ser incorporadas pela própria empresa foram destinadas ao Shell Technology Venture, que gere fundos de investimentos. “Outras empresas passaram a desenvolver os projetos, sendo parte delas fornecedoras, ou seja, houve apropriação indireta de valor.”

Foco nas pessoas


O gerente de Inovação da Itautec, Marcio Domene, e o consultor de Tecnologia do departamento de Inovação Tecnológica da Siemens, Jefferson Marcos Alencourt Pellissari, defendem que a inovação deve estar clara na cultura empresarial, proporcionando ambiente favorável para a troca de experiências e criações.

“As pessoas precisam saber que inovação não é somente aplicada a produtos, mas também a processos internos que podem nem estar aparentes ao público, mas que ampliam os resultados da companhia. Os gestores precisam disseminar esse assunto, discutir sobre patentes”, afirmou Domene.

Para Pellissari, cabe às empresas fazer a avaliação contínua dos talentos e ter uma política de reconhecimento de boas ideias, com oferta de prêmios como remuneração e também a valorização moral, como a divulgação dos nomes e respectivos projetos a toda organização.

 

 

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