John Kao: o que uma banda de jazz pode ensinar sobre inovação

publicado 31/10/2014 13h50, última modificação 31/10/2014 13h50
São Paulo – É possível improvisar e inovar, a partir de uma partitura já definida, afirma guru americano
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Com o piano e a partitura, John Kao, consultor internacional, criador dos MBA’s de inovação e empreendedorismo na Harvard Business School, mostrou os paralelos entre inovar na música e numa empresa. Para o autor do best-seller Jamming: The Art and Discipline of Business Creativity, “a partitura básica é só uma plataforma para se chegar a novas melodias”, afirmou no Seminário de Inovação da Amcham – São Paulo, quinta-feira (30/10).

Teclando os acordes básicos da música Wave, de Tom Jobim, Kao deixou claro como sem a criatividade e inovação, um sucesso internacional pode se tornar algo monótono e sem alma.  Além do americano, participaram do seminário Tom Moore, CEO da agência Mandalah no Brasil; Claudio Schvartsman, vice-presidente do Hospital Albert Einstein; e Alessandro Segatto, chef e empresário.

No palco, Kao mostrou arranjos jazzísticos da peça de Tom Jobim, fazendo uma analogia dos elementos fundamentais de inovação: “No jazz, chega-se a essas outras melodias por meio do improviso”, complementa, mas não sem antes treinar muito.

Ele adverte que, para uma jam session, os músicos improvisam quando já tem conhecimento profundo sobre um tema. “Um músico perguntou a Thelonious Monk considerado um dos papas do piano do jazz, o que fazer para tocar melhor. O pianista disse para ele tocar cem vezes, todos os dias, a música que mais gostasse”, recorda.

“A repetição leva à inovação. A prática é um aprendizado em camadas mais profundas, é como descascar as camadas da cebola”, destaca. “Os músicos de jazz aprendem fazendo”, cita.

Kao chama a atenção para as capacidades que serão praticadas. Deve-se perguntar, então, se elas vão levar a um benefício estratégico. “Foi assim quando Charlie Parker inventou o bepop, uma nova linguagem dentro do jazz”, lembra.

A prática permite o erro, essencial nesse processo. “O ex-jogador de basquete Michael Jordan já disse que fracassou muitas vezes, por isso teve sucesso”, acrescenta.

Testar, errar e acertar leva a outro ponto, diz Kao. No jazz como num projeto de inovação, também é fundamental haver liberdade para que as ações fluam. “Jazzistas sabem como lidar com soluções criativas. Quando se toca com liberdade total, acontecem várias coisas”, comenta. “O jazz fica entre as duas coisas: a partitura e a liberdade total, é a resolução da tensão criativa do momento”, define.

Mas para desenvolver um projeto de inovação no âmbito corporativo ou governamental (Kao também é consultor de países e escreveu o livro Nation: How America Is Losing Its Innovation Edge), antes de tudo, deve-se responder a um questionamento, alerta Kao: “qual o futuro que desejo?”.

“Os objetivos são a longo prazo, talvez mais tempo que a permanência do próprio CEO da empresa ou do presidente do país, uma vez que o tempo médio dos projetos de inovação é de mais de três anos”, justifica.

E, em qualquer projeto, há outros aspectos para se atingir êxito: “tem que haver apoio dos altos níveis da hierarquia e contribuição com ideias de todo mundo, de baixo para cima”, declara.

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