Lado desorganizado das startups causa ruídos na parceria com empresas

publicado 04/08/2017 11h24, última modificação 10/08/2017 16h26
São Paulo – Demora nas decisões e desalinhamento de prazos são algumas das dificuldades
Comitê Inovação

Da esq. para a dir.: Arthur Garutti (ACE Aceleratech), Miriam Cechin da Silva (Banricoop), Maximiliano Carlomagno (Innoscience), Heitor Carrera (BCG), e Ricardo Moraes (Memed): parceria entre empresas e startups gera aprendizado muito rico

Muito conhecidas pela agilidade e capacidade de inovação, as startups também têm o seu lado disperso, que precisa ser administrado quando se trabalha com empresas de maior porte. Esse foi um dos aprendizados que a cooperativa gaúcha Banricoop vivenciou ao trabalhar com startups, segundo Miriam Cechin da Silva, gerente executiva da Banricoop.

“Somos uma instituição média e nosso processo decisório é ágil. Mas nem sempre encontramos isso em startups”, comenta, no comitê de Inovação da Amcham – São Paulo, em 20/7. “Fala-se muito que elas são rápidas por causa do tamanho e o seu empreendedor decide logo, mas não foi o que encontramos em alguns casos”, acrescenta. Também participaram do comitê Heitor Carrera, sócio do BCG, Arthur Garutti, COO da ACE Aceleratech, e Ricardo Moraes, CEO da startup Memed.

Entre as diferenças de expectativa, Silva cita o desalinhamento de valores e prazos. “Às vezes, a startup quer um negócio de milhões de reais e a empresa tem um projeto que está na casa dos milhares de reais. Também pode acontecer de o prazo da empresa ser de dois meses e o da startup, doze meses.”

Mesmo com desentendimentos, a opção pelas startups vem sendo aproveitada. Para desenvolver produtos financeiros e melhorar processos, a Banricoop criou em 2016 um programa de parcerias com startups, a Coonect. O objetivo não é adquirir startups, mas criar projetos piloto em conjunto para aperfeiçoar serviços e encontrar fornecedores especializados em potencial.

A primeira fase recebeu 99 inscrições de startups e selecionou cinco delas para aperfeiçoar as áreas de cobrança, seguros, benefícios, ferramentas comerciais, canais de comunicação e operações. Nesse período, já foram desenvolvidas plataformas mais amigáveis de cobrança e sistemas abrangentes de gestão das equipes de vendas. “Buscamos uma estratégia para nos conectar com as startups e resolver problemas de serviços e produtos”, detalha.

Os resultados incentivaram o Banricoop a realizar uma segunda rodada de parceiras com fintechs. Silva explica que o formato é um desafio digital onde as startups candidatas precisam identificar formas de operacionalizar serviços de crédito, financiamento e aplicações nas plataformas de internet e mobile banking da Banricoop. As dificuldades de entendimento são superadas com diálogo, segundo a executiva. “O que importa é a conexão de esforços para gerar valor ao negócio.”

Garutti, da aceleradora de startups ACE Aceleratech, destaca que, para a parceria funcionar, é preciso haver espaço. “Um empreendedor só funciona quando tem autonomia. Do contrário, ele se torna um funcionário da empresa.”

Para Carrera, da BCG, o uso de inovação é cada vez mais decisivo nos negócios. Ele cita um estudo da consultoria que revela que um terço (32%) das companhias abertas americanas vão deixar de existir nos próximos cinco anos em função da obsolescência. “A velocidade de inovação é grande. Se o cara perde o bonde, vai ser adquirido lá na frente”, afirma Carrera.

 

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