Microsoft reconhece avanços no combate à pirataria de software no Brasil

publicado 02/09/2011 14h57, última modificação 02/09/2011 14h57
Daniela Rocha
São Paulo-David Finn, diretor jurídico mundial para Combate ao Mercado Ilegal da companhia, informou que 86% dos consumidores brasileiros estão preocupados com esse comércio ilegal.
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A Microsoft reconhece progressos no combate à pirataria de software no Brasil. De acordo com David Finn, diretor jurídico global da companhia para Combate ao Mercado Ilegal, apesar de ainda elevada, a taxa de pirataria relacionada aos programas de computador no País caiu de 64% para 54% entre 2005 e 2010. Mundialmente, o Brasil registra a terceira queda mais acentuada nesse índice no período, atrás da Rússia e do Catar.

“A pirataria de software está caindo drasticamente no Brasil como resultado de atividades na área educativa, da maior conscientização dos consumidores sobre os riscos e outros crimes relacionados. As parcerias entre empresas e governos têm estimulado o cumprimento das leis e o aperfeiçoamento das ações repressivas”, disse Finn, que participou nesta sexta-feira (2/09) de um café na manhã com executivos, promovido pela Amcham-São Paulo com apoio do ETCO (Instituto de Ética Concorrencial).

Recentemente, a Microsoft fez uma pesquisa em todos os países onde produz e comercializa seus produtos. No caso do Brasil, 86% dos consumidores estão preocupados com a pirataria de software, sendo que no mundo, 80% estão apreensivos com essa questão. O levantamento também mostra que 60% dos entrevistados acreditam que os programas falsos não são seguros por conterem códigos maliciosos que corrompem ou roubam dados confidenciais ou, até mesmo, danificam as máquinas.

Além disso, 44% dos entrevistados estão apreensivos com a conexão da pirataria com outras atividades criminosas. “Isso mostra que a população brasileira está mais informada, tem uma percepção maior sobre os malefícios da pirataria”, explicou Finn. Ele enfatizou ainda que todos os esforços para combater a pirataria ganham relevância no momento em que a economia brasileira está crescendo.

“Com a incorporação de dezenas de milhões de pessoas ao mercado de consumo de melhor nível no País, a questão se torna ainda mais aguda. É preciso levar educação às pessoas, sem prejuízo ao lançamento de iniciativas para reprimir o comércio ilegal já estabelecido”, completou Roberto Abdenur, presidente executivo do ETCO, referindo-se ao movimento de ascensão da classe C no País.

Conexão com variados crimes

David Finn alertou na Amcham que a pirataria está fortemente relacionada a diversos outros crimes como tráfico de drogas e de armas e até atos de violência. Ele apresentou como exemplo a atuação do maior cartel de drogas do México -‘La Familia’-, liderado por integrantes da família Michoacana. A quadrilha também é procurada por autoridades policiais por sequestros, lavagem de dinheiro e assassinatos de policiais federais e jornalistas que realizaram, respectivamente, investigações e reportagens  com denúncias.

Esse mesmo grupo comercializa diversos tipos de software falsificados em diversas partes do mundo. Pelas investigações, a organização criminosa tem a ousadia de timbrar as suas iniciais FMM nos produtos piratas. As estimativas são de 180 mil pontos de venda e faturamento diário de US$ 2,24 milhões. “Esse é o lado brutal da pirataria de software que as pessoas ainda não conhecem profundamente”, ressaltou o executivo da Microsoft.

Amcham na vertente educativa

O Projeto Escola Legal - Combater a Pirataria se Aprende na Escola é uma iniciativa da Amcham-Brasil conduzida em conjunto com empresas e associações parceiras que têm como objetivo preparar instituições de ensino para que funcionem como multiplicadoras de conceitos de propriedade intelectual e cidadania, assim como dos malefícios causados pela pirataria no Brasil e no mundo.

O programa foi instituído em 2007 e tem como público-alvo estudantes do Ensino Fundamental, de sete a 14 anos, compreendidos como os futuros consumidores.

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