Olhe para todos os lados: é assim que as organizações exponenciais fazem, diz escritor Yuri Van Geest

publicado 22/06/2018 18h26, última modificação 25/06/2018 14h04
São Paulo – Com esse foco, China tomou liderança do Vale do Silício como centro de inovação

Para não perder os referenciais de negócio, é preciso ter o olhar aberto em todas as direções, recomenda o escritor e empreendedor holandês Yuri Van Geest. “Se você acredita que o Vale do Silício é o numero 1 em inovação, está errado. Olhe para os lados: é a China”, disse em sua palestra sobre tendências tecnológicas do CXO Fórum da Amcham-São Paulo na quarta-feira (20/6).

“A China é um exemplo de aprendizado holístico, orientado à ação e prática. Eles aprendem fazendo e experimentando. A gente fala e pensa demais. E faz de menos. Você não aprende assim. Na China é diferente, e isso é uma das razões por que estão vencendo”, compara Van Geest.

De acordo com executivos que participaram dos painéis de discussão e trabalham com parceiros chineses, o país tem enorme capacidade de criar negócios inovadores graças ao foco no trabalho e senso de coletividade.

Van Geest é autor do livro “Organizações Exponenciais”, que fala sobre as empresas que apostaram em tecnologias disruptivas e cresceram mais de dez vezes em até cinco anos. Uma das características encontradas é a capacidade de extrapolar o pensamento linear de negócios – onde as principais decisões se baseiam na hierarquia de cima para baixo.

“Olhar apenas para cima é exatamente o que a maioria dos CEOs de empresas ou líderes políticos fazem hoje. Isso significa que essas pessoas perdem tecnologias exponenciais ou parte delas”, argumenta.

Empresas que insistirem em modelos tradicionais e lineares de negócios vão perder espaço, garante o autor. “A questão é: se você continuar a olhar assim, terá problemas. Incluindo eu mesmo. Meu livro (escrito em 2014), por exemplo, já está 40% desatualizado.”

Menos propriedade, mais acessos

Para Van Geest, as organizações com mais chance de crescer serão as que tiverem cultura organizacional que valorize mais o talento das pessoas do que os ativos. “Nos últimos anos, a base instalada dessas empresas foi de 1% de todas as organizações para 7% hoje no mundo tudo”, comenta. Isso também vai ser essencial para atrair jovens profissionais. “Os millenials sabem e esperam isso dos gestores”, acrescenta.

No futuro, as empresas terão que abrir mais espaço para as pessoas, garante o autor. “Essa base dobra a cada dois anos. Se continuarmos nesse passo, nos próximos dez anos se você não for uma organização exponencial, estará totalmente desatualizado. Vai ser somente uma commodity”.

O resto da vida é no futuro

Para o futurista Luis Rasquilha, CEO da Inova Consulting, as empresas querem crescer repetindo padrões do passado e perdem de vista o impacto das transformações tecnológicas sobre o futuro. “Vamos viver o resto da vida no futuro”, assinala.

Comparando o foco atual das empresas a um carro, Rasquilha afirma que as organizações perdem muito tempo olhando para trás. Dirigir um carro, segundo Rasquilha, é passar 90% do tempo olhando para frente e 10% para o retrovisor e laterais. “Se não for assim, não faremos a primeira curva. Ainda que seja um carro automático”, disse.

O que acontece nas empresas é o contrário. “Elas ficam muito focadas em olhar o histórico. O que fizeram e o que sempre foi assim. Olham o espelho lateral, que é o benchmark e o que o concorrente está fazendo, mas muito pouco focadas em olhar o futuro”, compara.

As empresas têm que sair do foco na Segunda Revolução Industrial, com ênfase na linha de produção, e entrar na Quarta Revolução Industrial – focada no poder da tecnologia e conectividade, recomenda. “Empresas que não usarem tecnologia para se reinventar e testar coisas novas vão ficar para trás.”

Assista à íntegra da palestra

 

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