Parceria com os EUA em ciência e tecnologia é oportunidade para desenvolvimento da inovação

por andre_inohara — publicado 22/03/2012 21h06, última modificação 22/03/2012 21h06
São Paulo – Em entrevista, representantes das entidades empresariais Amcham, US Chamber e CNI comentaram o assunto.
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O programa Ciência Sem Fronteiras (CSF), em que mais de 100 mil bolsistas farão intercâmbio no exterior para adquirir conhecimento tecnológico de ponta, não é apenas uma oportunidade de aprender teoria, mas também desenvolver a prática. “Unir a aprendizagem técnica com a prática dentro das empresas americanas leva à inovação”, disse Gabriel Rico, CEO da Amcham.

Esse intercâmbio é um dos assuntos que a presidente Dilma Rousseff deve abordar durante sua visita ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, entre 9 e 13/04. O tema foi debatido em entrevista coletiva após a cerimônia de Posse do Conselho de Administração 2012 da Amcham, nesta quinta-feira (22/03), em São Paulo.

Rico, da Amcham, falou sobre o tema durante entrevista coletiva na sede da organização em São Paulo, ao lado de Myron Brilliant, vice-presidente de Assuntos Internacionais da US Chamber (a maior entidade empresarial dos Estados Unidos) e José Augusto Fernandes, diretor de estratégia da CNI (Confederação Nacional da Indústria).

Veja a entrevista que os representantes da Amcham, US Chamber e CNI sobre o tema:

Gabriel Rico: O CSF é muito importante. Estamos falando de bolsas de estudo para que jovens brasileiros possam estudar em universidades no exterior. Esse assunto deve evoluir durante a visita da Dilma aos Estados Unidos, mas a grande vantagem é que a extensão desse programa passa pelo treinamento, com possibilidade de se fazer estágio em grandes empresas americanas. É fundamental unir a aprendizagem técnica com a prática dentro das empresas. Isso leva à inovação que, por sua vez, gera desenvolvimento de patentes. Trata-se de uma inovação que produz retorno financeiro.

Isso é fundamental para o Brasil, que produz 3% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial e 0,1% das patentes. Os EUA têm pouco mais de 20% da economia mundial e 40% de patentes do mundo. A oportunidade de brasileiros com formação acadêmica sólida vivenciar um ambiente onde a inovação está voltada para o desenvolvimento de patentes talvez seja a maior vantagem, que deve dar muitos frutos no futuro.

José Augusto Fernandes: O Ciência Sem Fronteiras é um programa que o setor privado brasileiro abraçou. A CNI, junto com as suas instituições, deve prover pelo menos seis mil vagas em todo esse projeto. Estamos valorizando muito o foco em ciências duras como engenharia, física e biologia. Entendemos que os Estados Unidos são um parceiro natural nesse programa, por conta da qualidade de suas instituições.

Percebo que as instituições brasileiras com interesse em inovação estão se movendo muito em direção aos EUA. Na última visita que fiz a Washington, fui apresentado a uma organização não governamental (ONG) americana que depois fechou uma parceria com o SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial). Foi um programa lançado de ensino de inglês para as nossas instituições de formação profissional na semana passada. A ONG trará os seus estudantes para cá e eles passarão temporadas no Brasil dando cursos em nossas escolas no SENAI e SESI (Serviço Social da Indústria).

Myron Brilliant: Acho que o envolvimento de estudantes e enfatizar a educação e inovação são uma grande ideia. Temos dado muita atenção a essa questão na US Chamber of Commerce, e nosso ex-secretário da Educação, que atualmente trabalha conosco, está dialogando com o atual secretário sobre o papel dos estudantes na promoção de uma economia diversificada.

Porque, afinal de contas, são os estudantes de hoje que farão parte da próxima geração de empreendedores. Eles criarão os próximos Facebook e Google, e queremos muito que os estudantes brasileiros façam mais intercâmbios em nossas universidades, e também em nossa comunidade de negócios. Acho que essa é outra forma de os presidentes promoverem não apenas desenvolvimento econômico, mas também social.

Felizmente, temos algumas das melhores universidades do mundo. Cada país deveria olhar para um sistema de educação baseado em ciências. Mas é preciso que isso mude junto com as necessidades tecnológicas de cada nação.

Por outro lado, o Ciência Sem Fronteiras é uma oportunidade de grande colaboração entre os dois países. Creio que a presidente Dilma está certa em enfatizar esse tópico. Frequentemente pensamos que tecnologia se tornou sinônimo de Microsoft, Google e outros exemplos de empresas da economia brasileira. Mas toda companhia tem que inovar, pensando em novos processos de manufatura e inovação industrial.

Precisamos de mais engenheiros e cientistas em nossa sociedade, e acredito em investir nas pessoas para melhorar suas habilidades.

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