Por que empresas como Natura, Bradesco, Tecnisa, Senior e Braskem estão investindo em startups

publicado 26/10/2015 11h11, última modificação 26/10/2015 11h11
São Paulo – Corporações são muito grandes para arriscar, mas precisam investir na continuidade dos negócios
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“Hoje todas as empresas estão desesperadas atrás de startups”. “Inovação é um tema muito sexy, é cool.” As duas frases do diretor de Marketing e Ambientes Digitais da Tecnisa, Romeo Busarello, pinçadas em sua apresentação no 3º Seminário Startups e Novos Negócios da Amcham – São Paulo, dão uma dimensão de como as companhias estão olhando para as startups: com apetite.

O seminário reuniu representantes de programas de fomento do governo federal (leia aqui sobre o InovAtiva Brasil e o Startup Brasil), investidores e empresas que possuem programas para startups.

Não há mistério na motivação dessas companhias. Essas empresas são grandes demais para manobras desconhecidas e veem nos nascentes a oportunidade de garantir a continuidade dos negócios, em uma época em que os mercados mudam constantemente.

“A gente não quer abrir mão da segurança. Quando se é pequeno, pode arriscar, mas quando é grande, há muito risco para a marca”, explica Marcelo Frontini, diretor de Pesquisa e Inovação do Bradesco. “A startup consegue colocar novos serviços em operação em três meses,” ressalta.

Elas representam os pequenos organismos que conseguem se movimentar livremente, sem as amarras das grandes estruturas e hierarquias que sustentam essas companhias. “Investir nas startups é uma busca por inovação rápida e com coisas que estão fora do nosso radar. O contato com elas amplia o olhar”, resume Luciana Hashiba, gerente de Gestão e Redes de Inovação da Natura.

Desse contato com os iniciantes, as grandes podem se tornar clientes e até sócias dos novos empreendimentos. “Nosso desafio é encontrar a Senior killer, a que vai nos matar no futuro. Temos que desenvolvê-la e fazer parte dela”, declara Alencar Berwanger, diretor de Marketing e Produto da catarinense do setor de TI.

Os programas das empresas

 


A Braskem já tem inovação como parte de sua estratégia, menciona Patrick Teyssonneyre. São 300 funcionários na área, distribuídos em três centros de pesquisa. Ele conta que a empresa já tinha investido em químicos renováveis de duas empresas que contavam com grandes aportes, quando decidiu expandir o modelo de parceria, partindo para startups menores. “Estamos aprendendo a ser mais ágeis interagindo com as startups,” afirma.

A empresa criou, então, o BraskemLabs, programa de aceleração e mentoria para startups que apresentem projetos de melhoria na vida das pessoas a partir do plástico. De 159 inscritos, 19 foram selecionadas.

A Tecnisa realiza o Tecnisa Fast Dating, um dia em que gestores da companhia recebem propostas para todas as áreas do negócio (engenharia, RH, marketing, P&D, vendas, tecnologia, ambientes digitais e novos negócios), em encontros de até dez minutos. Se uma proposta desperta o interesse, a empresa convida para reunião. Nos últimos cinco anos, foram 700 empresas atendidas e 36 negócios fechados.

A Senior desenvolve o Inove Senior, com aceleração, mentoria  e acesso ao mercado em que as selecionadas podem receber aporte de até R$ 200 mil.

O InovaBra, do Bradesco, tem inscrições abertas até 22 de dezembro para selecionar projetos para seu segundo ciclo. No primeiro, mais de 500 se inscreveram e dez foram selecionadas para participar.

A Natura mantém abertas até 16 de novembro as chamadas para o hackathon em Belém-PA, de onde devem surgir propostas para dispositivos eletrônicos, novos aplicativos e serviços e criação de experiências diferenciadas.

 

 

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