Programas federais auxiliam startups que já operam ou nem saíram do papel

publicado 26/10/2015 10h54, última modificação 26/10/2015 10h54
São Paulo – Capacitação e acesso ao mercado são principais benefícios do InovAtiva Brasil e do Startup Brasil
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A Bright Photomedicine é uma empresa que desenvolve soluções de saúde a partir da luz. Tem onze meses e já lançou um curativo que bloqueia a dor por meio de reações fotoquímicas nas células deficientes. Com pouco mais de dois anos de atividade, a Convenia oferece tecnologias para o RH gerenciar os funcionários e programas de benefícios. Ambas têm em comum a passagem por programas federais de fomento à inovação, como o InovAtiva Brasil e o Startup Brasil.

“Esse tipo de programa é fundamental para passar do vale da morte e se desenvolver”, afirma Naira Bonifácio, sócia e diretora de Negócios da Bright, que passou pela InovAtiva. “Você está subindo uma montanha sozinho, com bolas de aço nos pés, e eles vêm e te colocam no jogo, te ajudam a escalar”, declara Marcelo Furtado, sócio da Convenia.

Eles participaram do 3º Seminário Startups e Novos Negócios da Amcham – São Paulo, quinta-feira (22/10), ao lado dos gestores dos programas federais, investidores e aceleradores. Saiba por que empresas como Natura, Tecnisa, Bradesco, Senior e Braskem estão investindo em startups.

O Startup Brasil é ligado ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), enquanto o InovAtiva Brasil é do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Ambos ajudam a impulsionar os negócios. Em dois anos, auxiliaram quase 500 startups: o InovAtiva selecionou 307 startups e acelerou 188, enquanto o Startup Brasil apoiou 183.

Enquanto o InovAtiva é voltado a empresas de diversos setores que já estão abertas ou ainda não saíram do papel, o Startup enfatiza apenas as de tecnologia e que já funcionam.

Startup Brasil

“O Startup Brasil se volta à empresa com protótipo sendo testado, um produto com receita, alguma coisa funcionando. Tem que ser empresa de software, hardware ou serviço de TI, ou que use essa tecnologia como parte da solução”, comenta Vitor Andrade, gestor do programa. “O foco é aceleração do crescimento, por isso já precisa estar funcionando”, complementa.

O Startup Brasil seleciona por edital. O programa, de 12 meses, funciona em parceria com aceleradoras privadas também selecionadas por meio de chamadas. “As aceleradoras ajudam a eliminar os gargalos do negócio, que muitas vezes são padrões. Nós ajudamos a empresa a vencer o vale da morte”, brinca Sean Lindy, da Aceleratech.

Dá até R$ 200 mil de bolsa para contratação de profissionais. Promove networking e acesso ao mercado, contato com hubs em São Francisco, Nova Iorque e Singapura e apresentação a investidores nacionais e estrangeiros.

O governo federal já investiu R$ 17,5 milhões nas duas turmas que já concluíram o programa, por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDTC). Outras duas turmas estão em andamento e a previsão é de que a chamada para a quinta saia ainda em 2015. “Os investimentos externos, privados ou não, são de R$ 45,5 milhões, ou 2,6 vezes o valor inicial”, ressalta o gestor.

O faturamento de 94 empresas das duas primeiras turmas pulou de R$ 10,4 milhões (de janeiro a julho de 2014) para R$ 22,4 milhões (de janeiro a julho de 2015), um crescimento de 174%, segundo Andrade.

InovAtiva

Sem destinação de bolsas, o InovAtiva tem um perfil de capacitação e mentoria das startups já em atividade (com até 5 anos, faturamento anual máximo de R$ 3,6 milhões e que não tenham recebido investimentos de mais de R$ 500 mil) ou em fase pré-operacional, sem ao menos um CNPJ, mas que possua um projeto com negócio “minimamente validado”.

O InovAtiva é baseado em capacitação, mentoria e conexão com o mercado. Há cursos com especialistas, empresários, investidores e outros players disponíveis para os selecionados. Em outra fase, as startups recebem orientação de um mentor específico (eles podem ser empreendedores de sucesso, altos executivos, investidores anjos e de fundos e consultores). E, já preparadas, são apresentadas a investidores e grandes empresas interessadas em inovação aberta.

“Não damos recursos financeiros diretamente, mas é um primeiro passo para essas empresas se conectarem com os investidores privados e os editais de governo”, diz Maycon Stahelin, coordenador do InovAtiva Brasil. Também há programas de internacionalização, com mentoria e treinamento internacional e missão de prospecção. 

Um dos grandes méritos dos programas é colocar em contato todos os integrantes da cadeia, chamado de “ecossistema de startups”, avalia Cássio Spina, presidente da Anjos do Brasil. “Só há efetividade no processo todo se as ações com esses públicos (empreendedores, mentores, investidores, aceleradores, empresas) forem coordenadas”, explica. 

 

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