Redes corporativas devem incluir funcionalidades de redes sociais, afirma professora da ESPM

publicado 23/09/2016 14h24, última modificação 23/09/2016 14h24
São Paulo – Plataforma de comunicação menos rígida cria cultura de troca de conhecimentos entre colaboradores
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As redes corporativas não devem mais ser vistas como um depósito de informações, mas devem incluir funcionalidades das redes sociais. A avaliação é de Isabela Pimentel, professora da ESPM e especialista em comunicação interna. "As empresas geram grande volume de dados e usam suas plataformas digitais como depósito de informação. Isso não funciona mais porque somos hiperconectados", explicou, durante o Social Business, evento promovido pela Amcham - São Paulo e IBM na quinta-feira, dia 22/09.

Promover um ambiente digital que tenha algumas características das redes sociais – como espaço para chats e fóruns - impacta positivamente nos negócios, segundo Pimentel. A especialista citou um aumento na velocidade de execução de processos, maior engajamento e gestão mais participativa nas companhias. Além disso, o espaço pode estimular a comunicação entre os setores da empresa, criando uma cultura de compartilhamento de informações. "Os colaboradores são altamente ativos em outras redes sociais, então as empresas tem que aprender com o colaborador e dar um espaço em que ele possa compartilhar conhecimentos com colegas e lideranças da empresa”, afirma.

Para Pimentel, as empresas devem ficar atentas para trazer o colaborador não apenas como um sujeito ativo na construção de conteúdos das redes internas, mas também incentivar que eles tenham uma visão estratégica dos negócios. "Se empresa quer gerar valor, tem que se conectar com parceiros, públicos estratégicos e fornecedores. As redes devem ser vistas enquanto plataformas que conectam empresas e pessoas", afirmou. Outro ponto que a especialista ressaltou foi a importância de se criar uma rede simples e clara, em que o colaborador tenha facilidade em navegar sem precisar de ajuda.

 Marcelo Veloso, diretor de Infraestrutura e Suporte em TI da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais, conta que um dos grandes dificuldades do órgão em comunicação era a pulverização das ferramentas que utilizavam. "Nossas ferramentas não estavam integradas e a disponibilidade de recursos não atingia plenamente os objetivos da equipe de comunicação", conta. A partir da adoção de uma rede integrada, o especialista garante que a comunicação interna entre as áreas melhorou.

Veloso acredita que um dos problemas é em como orientar os colaboradores a usarem a plataforma. "O ideal é criar uma resolução para definir algumas regras de bom uso pra essa rede corporativa – temos que deixar claro que não é uma rede social pessoal como o Facebook. Por outro lado, não podemos ser rígidos a ponto de afastar os usuários da nossa rede", afirma.

No caso do Wallmart, a diretora de Talentos da empresa, Adriana Nunes, afirmou que a rede permitiu uma troca de conhecimentos intensa entre os colaboradores, inclusive entre os funcionários de diferentes países. "Temos em nossa rede de comunicação interna funcionários de 28 países e podemos aproveitar o que aconteceu naqueles países, perguntar que estratégias deram certo ou errado na empresa. Diariamente, compartilhamos e solicitamos informações", conta. Além disso, a especialista considera essencial que a liderança esteja envolvida no processo de fortalecimento da comunicação interna e seja exemplo para outros colaboradores.

Para Gil Giardelli, professor de MBA e pós-graduação da ESPM, o social business está ligado a um conceito mais amplo e impactante de inovação. "Estamos falando de um conceito totalmente diferente, impactante e que está ganhando força: é a holocracia, que é a substituição do poder de uma estrutura hierárquica por um sistema de distribuição da autoridade. É uma fronteira nova, mas que grandes empresas como a Pixar, que estão dando saltos em lucratividade, estão adotando", explicou.



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