Respeito à propriedade intelectual é chave para desenvolver empregos de alto valor agregado e empreendedorismo

por andre_inohara — publicado 05/06/2012 16h02, última modificação 05/06/2012 16h02
São Paulo – Cônsul de Propriedade Intelectual dos EUA esteve na Amcham e elogiou ações contra a pirataria, como o concurso Vídeo Legal.
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Em países onde a propriedade intelectual é respeitada e protegida, há mais empregos especializados e empreendedores. Por isso, iniciativas de se criar uma cultura de respeito aos direitos autorais devem ser apoiadas sempre, disse Albert Keyack, cônsul para a América Latina de Direitos de Propriedade Intelectual do Consulado Geral dos Estados Unidos.

O cônsul esteve na Amcham-São Paulo na última sexta-feira (01/06) para participar da cerimônia de premiação do concurso Vídeo Legal, que homenageou os melhores filmes sobre os males causados pela pirataria produzidos por estudantes da rede pública de ensino fundamental de São Paulo. A competição foi promovida pela Amcham e pelo Consulado dos EUA.

Veja aqui: Com filmes para o Concurso Vídeo Legal, alunos aprenderam na prática a importância de se respeitar a propriedade intelectual

Leia abaixo a entrevista de Keyack ao site da Amcham:

Amcham: O concurso Vídeo Legal, promovido pela Amcham e pelo Consulado dos EUA, trabalhou o tema da pirataria junto a crianças por meio de uma atividade prática – produção de vídeos – e também conceitual - a percepção de que uma obra como essa é propriedade intelectual. Como essa iniciativa pode melhorar a conscientização das crianças a respeito dos direitos de propriedade intelectual?

Albert Keyack: Eventos como o Vídeo Legal são importantes, e estou muito feliz em apoiar esse trabalho. Vamos continuar dando suporte à Amcham em programas similares e trabalhar juntos para encontrar uma forma de levar o Vídeo Legal para mais escolas em São Paulo e, quem sabe, outras cidades. O concurso mostrou às crianças que criatividade significa inventar algo e que simplesmente copiar alguma coisa de alguém é errado. É uma mensagem contra a pirataria. Também acho que poderia haver oportunidades de se trabalhar com estudantes mais velhos, no ensino médio, incentivando as feiras de ciências.

Veja aqui: Participantes do concurso Vídeo Legal ganham maior conscientização sobre malefícios da pirataria

Amcham: Como o sr. avalia o ambiente de respeito à propriedade intelectual no Brasil?

Albert Keyack: Acredito ser muito importante o Brasil e outros países da América do Sul desenvolverem uma cultura que priorize, respeite a propriedade intelectual, e que entendam que bens falsificados e pirateados quase sempre estão ligados a atividades criminosas. Não podem ser vistos simplesmente como produtos mais baratos ou fáceis de comprar. A conscientização e a inovação podem andar juntas. Quando se entende e respeita o conceito de propriedade intelectual, pode-se incentivar setores da economia a gerar empregos com valor agregado de tecnologia e incentivar o empreendedorismo. No que se refere ao Brasil em particular, fiquei muito satisfeito em ver que a General Electric (GE) construiu recentemente no Rio de Janeiro um novo centro de engenharia e inovação. O Brasil tem uma quantidade tremenda de gente criativa, altamente educada em ciências, engenharia e tecnologia. Esse foi um dos motivos de a GE construir um de seus grandes centros de pesquisa na cidade, em detrimento de outras tantas outras no mundo que poderia ter escolhido.

Amcham: Como estão evoluindo as negociações entre o USPTO (sigla em inglês para Escritório de Marcas e Patentes dos EUA) e INPI (Instituto Nacional da Propriedade Intelectual), para o tratado de PPH (programa do USPTO para agilizar o exame dos pedidos de registro por escritórios de patentes de outros países associados)?

Albert Keyack: O USPTO trabalha com o INPI e com muitos escritórios de patentes industriais do mundo, como Colômbia, México, Europa e Japão. Estamos negociando o PPH com o INPI, mas o principal desafio do INPI é resolver o problema de backlog (estoque de pedidos de patentes ainda não concedidos). No Brasil, leva-se muito tempo para registrar uma patente, embora o governo tenha anunciado a abertura de concurso público para contratar mais examinadores. Mas creio que o INPI vai se beneficiar muito com o acordo com o USPTO. Podemos contribuir com assistência técnica e ajudar o escritório brasileiro a crescer ainda mais.

Amcham: Recentemente, os EUA anunciaram que mantiveram o Brasil de fora da lista de maiores violadores de propriedade industrial. Que sinais os EUA estão enviando ao Brasil nessa questão?

Albert Keyack: Nos últimos cinco anos, o Brasil teve um tremendo crescimento em ações antipirataria e controle de fronteiras, e avançou no combate a mercados ilegais. O Brasil tem sido bem sucedido no controle de fronteiras e ações antipirataria como as que têm havido em São Paulo. A comercialização de bens piratas diminuiu, está havendo apreensões de mercadorias em armazéns e os infratores têm sido presos e processados. O Brasil permanece em nossa lista de observação, mas as informações que temos é de que o País está fazendo grandes avanços na questão da propriedade intelectual.

Veja aqui: Estados Unidos deixam Brasil fora de lista de maiores violadores da propriedade intelectual

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