Santo de casa: aprenda a explorar o talento inovador de seus colaboradores

publicado 19/02/2020 16h22, última modificação 20/02/2020 14h01
São Paulo – Veja as dicas para traçar uma estratégia de intraempreendedorismo em sua empresa
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Da esquerda para a direita: Luis Gustavo (ACE Startups), Sandro Valeri (Embraer), Maximiliano Carlomagno (Innoscience) e Italo Flammia (IT Flammia).

No intraempreendedorismo, quem faz milagre (leia-se inova) é o santo de casa. O modelo disruptivo conta com funcionários para o desenvolvimento de potenciais inovações dentro das empresas. “Eles assumem o risco e não saem das companhias para criar novos produtos, serviços ou modelos de negócios, como um empreendedor faz ao criar uma nova startup”, explica Maximiliano Carlomagno, presidente do nosso Comitê de Inovação e sócio fundador da Innoscience.

Para isso, a companhia deve investir no projeto – caso seja aplicável para o negócio – por meio de programas de apoio, aceleração ou incubação. “Às vezes, a companhia investe e esse projeto é do funcionário. Outras empresas podem investir também e ficam com uma participação; em outros casos, não se cria nenhum novo business a partir dali, mas se gera uma nova oportunidade para a empresa”, detalha Italo Flammia, strategic advisor da IT Flammia.

Ele explica que existem cinco passos para estruturação do intraempreendedorismo:

1) Deve haver patrocínio da liderança, porque senão corre o risco de ser um programa ‘voo de galinha’ – que começa e logo morre, porque os gestores não o estimularam;

2) Devem existir chamadas para projetos alinhados ao objetivo estratégico da empresa para que as ideias não estejam desalinhadas com as metas da empresa e não deixem de ser executadas isso;

3) É necessário ter algum nível de estímulo da empresa para os colaboradores (programas de incentivo, laboratórios especializado, budget, etc.);

4) É preciso estruturar o processo após a ideia. Algumas perguntas podem ajudar a construir esse caminho: Quanto tempo que o funcionário vai poder sair da sua área de origem para poder se dedicar a essa nova solução ou empreendimento? Qual vai ser o processo? Por quais barreiras de aprovação ele vai passar? Qual é o nível de autonomia do colaborador?

5) A empresa deve saber qual autonomia dar ao empreendedor e quais recursos estarão disponíveis para ele. É importante dar um auxílio não somente de processo e de dinheiro, mas no que chamamos de ‘smart money’ – como uma equipe disponível para ajuda-lo, por exemplo.

Ambos os executivos estiveram presentes durante o nosso Comitê Aberto de Inovação, no dia 13/02. Eles dividiram o palco com o Sandro Valeri, diretor de Inovação da Embraer, e Luis Gustavo, sócio da ACE Startups.

Ainda que os cinco passos citados por Italo sejam extremamente importantes para estruturar o modelo nas organizações, Maximiliano lembra que existem alguns pilares básicos para qualquer modelo de inovação. São eles: alinhamento com a estratégia do negócio, desenvolvimento de uma estratégia de inovação que defina em que a empresa quer inovar, desenho do melhor modelo para endereçar essa estratégia. Por fim, é preciso criar um contexto organizacional relacionado à liderança, pessoas, recursos financeiros, processos e governança necessários especificamente para o modelo escolhido.

“Cultura e autonomia também são extremamente importantes para o intraempreendedor”, completa Sandro. Na visão dele, esses dois fatores permitirão que o projeto se desenvolva. “A cultura é o que atrai as pessoas, o que as faz caminharem em direção a um propósito único, o que as mobiliza e, no final das contas, ela é muito mais importante do que a própria estratégia da empresa”, acrescenta Italo.

MEIOS E FINS PARA TODOS

Além da cultura, objetivo, autonomia e auxílio, é preciso entender que todas as áreas são áreas de inovação. Segundo Luis, ideias novas, soluções e produtos podem vir de qualquer área e devem ser bem-vindas. “Qualquer um pode mergulhar no problema para desenvolver uma solução. O papel da área de inovação é auxiliar nessas estratégias”, afirma.

Ele lembra também que a inovação vem das pessoas: “30% da transformação digital está relacionado às novas tecnologias, algoritmos e computação, enquanto 70% está relacionado à cultura, à gestão, aos processos de atração, à seleção e ao desenvolvimento, às avaliações e aos incentivos”. Italo concorda, para ambos, a tecnologia é meio e não fim. “A tecnologia sempre tem que vir junto com um objetivo e viabiliza-lo para trazer um resultado concreto e não apenas ser aplicada por aplicar”, finaliza o executivo da IT Flammia.

 

O QUE SÃO OS COMITÊS ABERTOS?

São encontros e periódicos entre executivos de diversos segmentos voltados para atualização, benchmark e networking. Os Comitês Abertos também são exclusivos para os nossos sócios. 

PARA QUEM SÃO?

São para todos(as) os(as) associados sem limites de participantes, sendo encontros gratuitos.

COMO FUNCIONAM?

Temos cerca de 110 comitês em atividade, produzindo conteúdos presenciais de diversos temas divididos em várias frentes de atuação, com palestras, painéis de discussão e dinâmicas com speakers especializados no tema.

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