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Amcham Angels é lançada com uma aula sobre como investir e receber investimento em startups

publicado 02/12/2021 13h00, última modificação 15/12/2021 15h44
Evento de lançamento contou com uma masterclass do economista e Professor Aswath Damodaran, considerado o Guru da Valuation.
Amcham Angels é lançada com uma aula sobre como investir e receber investimento em startups

Ao longo dos últimos anos, centenas de novas empresas ganharam vida em mercados sequer antes imagináveis e mudaram a forma de consumir serviços tradicionais como transporte, serviços financeiros, hospedagem, entre outros. Mas como saber identificar quais desses novos negócios realmente são viáveis? Como saber quais novas oportunidades de investimentos estão surgindo?

Para responder questionamentos como esses e fomentar o relacionamento, educação de mercado e trazer dados consistentes sobre o mundo das startups, a Amcham digitalizou sua credibilidade centenária em uma plataforma para fomentar conexões entre investidores que visam bons retornos sobre investimentos e empresas que estão buscando crescimento, nascendo a Amcham Angels.

Na abertura do evento que oficializou o lançamento da plataforma Amcham Angels, Deborah Vieitas, CEO da Amcham Brasil, pontuou que dentre as propostas da plataforma está facilitar aos líderes das empresas associadas a se conectarem, de modo mais assertivo, ao mundo de oportunidades de investimento e inovação. Os membros da comunidade receberão informações sobre investimentos em startups, desenvolverão relacionamentos com outros potenciais parceiros de negócios e receberão, a partir de outras plataformas selecionadas pela Amcham, dados para avaliar startups que buscam investimentos.

A contemporaneidade do tema e credibilidade da comunidade podem ser notados com o sucesso do pré-lançamento do Amcham Angels, onde centenas de líderes empresariais aderiram à comunidade, que é gratuita aos associados, em busca de promover através da iniciativa privada as mudanças que o país precisa, conforme ressaltou Deborah.

 

Mas como identificar essas oportunidades de investimentos?

Baseado no compromisso de fornecer informações sobre como entender as variáveis que compõem a viabilidade de uma startup, o evento de lançamento do Amcham Angels contou com uma masterclass do economista, professor e escritor, Aswath Damodaran, conhecido como The Guru Valuation (ou o Papa do Valuation), que trouxe um passo a passo de como analisar o valor de cada empresa e a potencialidade de investimentos.

Prof. Damodaran, que atua na Stern School of Business, na Universidade de Nova York (NYU), onde leciona sobre finanças corporativas e avaliação de empresas, conta que pouco se sabia sobre valuation até 1997, mas que a Amazon, hoje uma das empresas mais valiosas do mundo, foi quem lhe deu o conhecimento que tem hoje sobre avaliação de empresas e investimentos.

Antes de falar sobre um passo a passo de análise de valuation, o Guru da NYU propõe a reflexão de que o valor de uma empresa pode ser medido não apenas nos fluxos de caixa, relatórios financeiros ou faturamento, mas que outros aspectos podem e devem ser considerados na análise, e cita o exemplo da Netflix. Quanto vale um usuário da Netflix? A resposta dessa pergunta pode ser confundida com a mensalidade que esse usuário paga por mês, quando na verdade o valor de um usuário da plataforma de streaming é o quanto ele gera de receita enquanto permanece na base. Essa informação multiplicada pelo número de usuários da plataforma permite valorizar a Netflix com mais assertividade.

 

Cuidado para não entrar no “Triângulo das Bermudas”

Para ajudar a entender os riscos na avaliação de empresas e investimentos, o Prof. Damodaran traz um conceito chamado por ele de “Triângulo das Bermudas do Valuation”, que são 3 vertentes que ele considera inimigas do valuation: Viés e Preconceito; Complexidade e Detalhes; Incertezas e Desconhecimento.

No ponto de viés e preconceito, ele cita o exemplo de levar uma startup para ser analisada por um banco e por uma empresa de análise de investimentos. O banco tentará prever os riscos monetários, enquanto um analista de investimentos tende a analisar todos os aspectos acerca da startup. Isso não significa que o banco esteja errado, mas apenas olhando para o ponto que lhe compete (viés) e não para o todo. Outro ponto que pode influenciar na análise de valuation são as incertezas, principalmente aquelas acerca de novos mercados, como o futuro dos carros elétricos, por exemplo, ou situações macro como o aquecimento global e a própria pandemia. Por último, é a complexidade de informações que são analisadas no momento da valuation. Esses fatores podem afetar o processo de análise e tomada de decisão para investimentos em uma empresa.

A análise de valuation de uma empresa precisa respeitar o momento em que ela se encontra. Segundo o Profº Damodaran, não se pode aplicar os mesmos critérios de avaliação de uma empresa madura a uma empresa jovem. Em suas análises, ele leva em consideração três fatores para medir o valor de uma empresa: potencial de crescimento, lucratividade do modelo de negócio e eficiência e estratégia de reinvestimento. Isso significa que é preciso analisar o tamanho do mercado dessa empresa, o quanto sua margem operacional é sustentável, se ela vai crescer de modo mais lento, porém rentável, e o quanto a empresa se organiza para reaplicar os ganhos na expansão do negócio.

 

O que é necessário para valorizar uma empresa?

Uma boa valuation não deve apenas envolver números. É necessária uma conexão entre os números e a história das empresas. Para isso, Damodaram descreve 5 passos para analisar uma empresa:

1. Ter uma empresa para valorizar;

2. Ter por onde começar;

3. Converter narrativa em números;

4. Converter os números em valuation;

5. Estar aberto a feedbacks;

 

Tenha uma empresa para valorizar

Para contextualizar esses passos, Profº Damodaran fala de dois cases de empresas famosas que ele mesmo fez valuation: Uber em 2014 e Ferrari em 2015.

Em 2014, o Uber era uma empresa em crescimento e durante o seu primeiro uso do aplicativo, o professor Damodaran conta que passou todo o tempo do trajeto realizado entrevistando o motorista para entender como a empresa funcionava. Durante a conversa ele pode entender que a empresa conectava pessoas que já possuíam um veículo próprio a usuários com necessidade de locomoção e cobrava 20% do valor da corrida para realizar essa integração.

Neste ano, o professor descreveu o Uber como uma empresa de serviço urbano de carros nas cidades, atraindo usuários em várias partes do mundo, que gerava 20% de receita com viagens em veículos que não eram seus, proporcionando então um crescimento contínuo sem a necessidade de investimento.

No ano de 2015 a Ferrari vendeu apenas 7.255 carros, se comparado à Tesla, que vende 5.000 carros por semana. Isso pode parecer um resultado ruim. No entanto, mesmo com um número reduzido de vendas, a Ferrari gerou uma margem de lucro de 18,2% nesse período, resultado gerado por não haver investimento em novas plantas. Ou seja, por venderem a um grupo restrito de pessoas, a Ferrari consegue manter uma média de vendas sem precisar investir em ampliação de produção.

A história da montadora, na visão de Damodaran, era um clube exclusivo de compradores de carros, com baixo crescimento de receita, mas com uma margem de lucro alta.

 

Ter por onde começar e o que analisar

É necessário analisar se acontecimentos fora do padrão de mercado (impossíveis) são reais e ter uma justificativa convincente da sustentabilidade disso. Por exemplo, se uma empresa está crescendo a 15% quando o mercado está numa taxa de 3%, como justificar esse crescimento fora da curva e por quanto tempo isso irá se sustentar de maneira saudável?

Analisar pontos improváveis como um crescimento alto, com baixo investimento e risco, é uma situação pouco comum. Por exemplo, a Tesla, em 2013, projetava um crescimento de vendas de 1 milhão de carros para os próximos 15 anos, sem nenhum reinvestimento em plantas (novas fábricas). A única planta, com capacidade de produção anual limitada, não atenderia a essa projeção. Assim, de onde viriam os outros carros?

Na hora de investir é necessário fazer perguntas que validem a narrativa e a transformem em algo sólido. Um exemplo negativo de como uma boa narrativa sem perguntas pode transformar um investimento promissor em fracasso é o caso da Theranos, startup que em 2014 levantou mais de 9 bilhões de dólares para resolver um trauma de muitas pessoas: realizar a testagem de várias doenças com apenas algumas gotas de sangue. Diversos nomes respeitados no ramo de investimentos apostaram na ideia que, em 2015, começou a desmoronar sob a acusação de que os testes não funcionavam e declarou falência em 2018. Algo que os investidores não questionaram antes de realizarem seus aportes foi: os órgãos regulatórios validaram a eficácia dos testes?

 

Converter a narrativa em números

A narrativa sobre a empresa precisa ser amarrada com números que sustentem a viabilidade do negócio, como o tamanho do mercado onde irá atuar, se é uma operação global, qual é a fatia de mercado ocupada pela empresa, se há vantagens competitivas, se há cuidados com causas sustentáveis e se tudo isso pode ser metrificado.

 

Converter números em valuation

Todos os números de uma valuation têm uma história. No caso do Uber, por exemplo, há uma margem de lucro alta porque a empresa não contrata os motoristas nem compra os carros, dentre outros números amarrados a fatos que justificavam a empresa ter um valor de mercado de 17 bilhões de dólares em 2014.

 

Estar aberto a feedbacks

Geralmente as pessoas não gostam de receber feedbacks, porém se mostram mais abertas a receberem observações sobre como fazer a história da empresa ficar melhor aos ouvidos dos investidores. No caso da Uber, ao publicar a valuation em 2014, Damodoran conta que recebeu um e-mail de um investidor que dizia que ele estava errado quanto ao seu conceito de que a Uber era uma empresa de transportes de carros, mas sim uma empresa de serviço de logística e, assim, poderia ser uma empresa de serviços de mudança e transporte, o que mudaria a sua atuação de mercado. Com as informações recebidas ao compor a nova valuation, o marketshare do Uber passou de 10% para 40%, resultando numa valuation quase 10 vezes maior.

Estar aberto a feedbacks externos permite acrescentar novos tópicos na história, o que consequentemente influencia nos números a serem considerados na composição da valuation, que por sua vez modifica o valor de mercado de uma empresa.

Histórias podem mudar por motivos diferentes. Podem mudar por fatores pertinentes a gestão da empresa, competitividade de mercado, fatores financeiros e conforme as mudanças do mundo. Tudo isso impacta na valuation das empresas.

 

Como o Amcham Angels pode contribuir para o ecossistema de startups

A comunidade do Amcham Angels permitirá o fomento de ideias inovadoras através do aporte de potenciais investidores. O ambiente irá proporcionar o networking entre investimentos, fundadores de startups, além de rodadas e fóruns com especialistas nacionais e internacionais.

A adesão à comunidade é gratuita para os associados Amcham e todo o processo é feito de forma digital. Os interessados podem se cadastrar na página da comunidade e poderão conhecer oportunidades em startups por meio de relatórios de valuation de plataformas especializadas e consolidadas no mercado. Além disso, poderão participar de encontros para avaliar e conhecer novas startups.

As oportunidades de investimentos pretendem ser contempladas por diversos perfis de investidores, com cotas que vão de R$1000 por investidor até os limites de interesse do próprio investidor ou da startup.

A visibilidade das startups permitirá a elas um potencial de celeridade de crescimento, uma vez que estarão numa comunidade qualificada. Já para os investidores, será um ambiente de tomada de decisões, baseadas em ideias validadas por ferramentas consagradas pelo mercado.

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