“A corrupção está entranhada no nosso sistema econômico e politico”, afirma o procurador Carlos Lima, da Lava Jato

publicado 30/03/2016 11h50, última modificação 30/03/2016 11h50
São Paulo – Integrante da operação do MPF, Carlos Lima participou hoje (30/3) do comitê de Compliance da Amcham. Confira os destaques
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"O que me preocupa é a verificação de que a corrupção está entranhada no nosso sistema econômico e político. Não vou dizer cultural, porque não sou daqueles que vai chamar brasileiro de Macunaíma e corrupção é algo que existe em todo o mundo", afirmou o procurador Carlos Lima, membro da força-tarefa da operação Lava Jato, ao abrir hoje (30/3) a reunião do Comitê de Compliance da Amcham São Paulo.

O procurador Carlos Lima debateu com cerca de 200 executivos mudanças sistêmicas no processo de combate à corrupção no Brasil e apresentou as propostas do Ministério Público Federal para a detecção e prevenção de atos ilícitos, apresentados ao Congresso como as “10 medidas de combate à corrupção”.

Sistema político brasileiro é ‘criminógeno’, diz procurador da Operação Lava Jato

 

 

Principais destaques:

 "O primeiro diagnóstico que me causa muita tristeza é que a democracia brasileira nunca foi efetiva, seja pelo coronelismo da República Velha, seja pelo abuso do poder econômico na democracia atual. Temos um sistema político partidário extremamente caro, eleições que demandam muito dinheiro”

 “Nosso sistema de coalizão política exige essa distribuição de cargos, que é conscientemente dirigida à corrupção"

“Nós temos um sistema partidário extremamente caro, que demanda muito dinheiro e negociações. Um incentivo à corrupção"

"Na Lava Jato, verificamos que há empresas que têm políticos cativos. Isso é muito injusto com as empresas que não são campeãs nacionais"

 "O mercado é muito influenciado pelas práticas corruptas, pois o grande consumidor brasileiro ainda é o Estado. Junta-se aqui a fome dos políticos com a vontade de comer das empresas"

"Nós temos uma democracia imperfeita, um república imperfeita, um mercado imperfeito. Precisamos de um País mais sólido e que demanda novas ideias"

"Nós temos mais de 22 mil pessoas, eu inclusive, com foro privilegiado. Temos uma república em que nem todos são exatamente iguais perante a lei"

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