Advogados de companhias passam a ser executivos de Direito

por giovanna publicado 17/11/2011 18h57, última modificação 17/11/2011 18h57
São Paulo – Além do domínio técnico, profissionais devem saber administração de empresas, destaca Ana Cássia Elias Mercante, diretora geral do Departamento Jurídico da GM Brasil.

Os advogados de empresas transformaram-se em executivos de Direito. Ao contrário do trabalho desenvolvido em escritórios de advocacia, que demandam conhecimentos específicos nas áreas de atuação, as companhias requerem profissionais generalistas que detenham também expertise em administração de empresas. É o que avalia Ana Cássia Elias Mercante, diretora geral do Departamento Jurídico da General Motors do Brasil (GM), que participou nesta quarta-feira (23/11) do comitê de Legislação da Amcham-São Paulo.

“As empresas buscam advogados mais generalistas, que saibam lidar com as diversas áreas do Direito. Mas, além dessa base técnica mais genérica, os profissionais devem ter conhecimento de administração de empresas para compreender melhor as necessidades do cliente interno”, explicou.

Conforme a diretora, dentro das organizações, o grande foco está na prevenção, isto é, os advogados devem trabalhar na implementação de políticas, diretrizes e procedimentos para que a empresa mantenha-se em conformidade com as leis e regulamentações inerentes às atividades (compliance).

“Ao atender a área de Vendas e Marketing, normalmente arrojada no desenvolvimento de propagandas, o advogado tem de compreender as necessidades da área, os objetivos das campanhas, mas alinhando-os ao Código de Defesa do Consumidor e às disposições do Conar (Conselho de Autorregulação Publicitária)”, exemplificou. Sendo assim, os profissionais devem saber transitar em diversos departamentos, gerenciando riscos. 

Outro trabalho relevante é a elaboração de contratos com organizações parceiras e prestadoras de serviços, de modo a garantir o andamento dos negócios com segurança. A ideia é evitar possíveis conflitos com as partes com as quais a empresa se relaciona.

Mesmo no setor de contenciosos, os conhecimentos mais generalistas dos advogados são requeridos. Porém, em casos mais complexos, as organizações costumam contratar escritórios especializados.

A GM do Brasil conta com uma equipe de 20 advogados, sendo que 15 atuam na vertente preventiva e de elaboração de contratos e outros cinco no contencioso, com apoio de profissionais externos em diversos escritórios espalhados pelo País.

Profissional requerido

A diretora geral do Departamento Jurídico da GM do Brasil afirma que, nos processos seletivos da montadora, ressaltam-se advogados que tenham concluído curso superior de administração de empresas, MBAs,  mestrado e até doutorado na área.

“É preciso ter interesse. Também costumamos avaliar bem as pessoas que participaram de cursos de pequena duração voltados a negócios.”, disse. Ana Cássia. Segundo ela, experiência profissional é requerida, isto é, é dada preferência às pessoas que tenham começado cedo a carreira, feito estágio e se desenvolvido. Por sua vez, o domínio do inglês e do espanhol é importante, principalmente porque as organizações estão ampliando as relações além das fronteiras.

Em termos comportamentais, a habilidade de comunicação e de negociação é analisada com uso de ferramentas específicas e suporte do departamento de Recursos Humanos.

A GM do Brasil costuma realizar treinamentos e proporcionar job rotation (rotação de funções) para que os profissionais transitem e aprendam sobre os diversos setores da companhia, garantindo também oportunidades de crescimento na carreira.

 

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