Com apoio de indicadores de desempenho orientados ao negócio, planejamento jurídico das empresas ganha agilidade e eficiência

por andre_inohara — publicado 24/08/2012 16h25, última modificação 24/08/2012 16h25
São Paulo – Por meio do mapeamento da incidência de contingências trabalhistas, tributárias e cíveis, é possível formular estratégias para sua minimização.
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Os departamentos jurídicos das empresas não estão imunes à crescente pressão por resultados e eficiência. A adoção de métricas de desempenho tem dado uma importante contribuição nesse contexto, reforçando a eficiência do planejamento jurídico, de acordo com os participantes do comitê de Legislação da Amcham-São Paulo, realizado nesta sexta-feira (24/08).

Por meio de indicadores a DuPont, por exemplo, conseguiu monitorar a sua estratégia de atuação, o que permitiu recuperar créditos em disputa que totalizam R$ 110 milhões, contou Fabiana Leschziner, diretora jurídica.

Flávio Franco, diretor jurídico da Netshoes, defende que somente o que é medido pode ser melhorado, enquanto Mário Nogueira, sócio e membro do conselho do escritório Demarest e Almeida Advogados, sustenta que a criação de métricas de desempenho tem que atender ao objetivo de indicar claramente onde a empresa está em relação a onde quer chegar, tanto em resultados como em tempo.

Case da DuPont

Com o método Seis Sigma – redução contínua de erros ocorridos nos processos produtivos – adaptado para a área jurídica, a DuPont conseguiu recuperar, desde 2007, cerca de R$ 110 milhões em créditos na área de defensivos agrícolas.

No Brasil, esse segmento responde pela principal área de atuação da multinacional americana, mas também a que apresenta o maior índice de inadimplência. “Tínhamos um total de R$ 180 milhões de dívida ruim e recuperamos o máximo que era possível”, afirma Fabiana Leschziner, diretora dos departamentos Jurídico e de Assuntos Governamentais da DuPont do Brasil.

As métricas relacionadas à estratégia agressiva da DuPont de recuperação de crédito abordavam custo, gerenciamento de risco e foco na solução de problemas. “O último passo do Seis Sigma prevê a manutenção dos resultados. Sempre é preciso rever e controlar o projeto realizado”, conta Fabiana.

Desde 2004, a DuPont possui, dentro do seu programa de melhoria contínua de serviços jurídicos, uma iniciativa global de recuperações de crédito, o Recoveries. Essa ferramenta inclui, além de medidas para recuperação de crédito devido, ações para educar e informar os diferentes representantes de negócios da empresa sobre recuperações potenciais.

O sucesso do programa se traduziu em lucro, de acordo com Fabiana. Até setembro de 2008, a iniciativa havia permitido ultrapassar US$ 1 bilhão em recuperações totais para a companhia. “Apesar de não ser o foco principal, provamos que é possível transformar a área jurídica em centro de lucros.”

Medir para melhorar

As métricas de desempenho são uma ferramenta importante, desde que produzam informações úteis. “Se um indicador de performance não for convertido em lucro, não valerá nada aos olhos do CEO e do diretor financeiro”, disse Flávio Franco, diretor jurídico da Netshoes.

Contingências trabalhistas, cíveis e tributárias podem ser mapeadas e prevenidas com bons indicadores. Como exemplo, cita a incidência de rotatividade de pessoal, reclamações de clientes e correto atendimento de demandas fiscais. “Só se consegue melhorar aquilo que se consegue medir”, observa.

Critérios objetivos e mensuráveis

Como todo planejamento jurídico é feito com base na estratégia da empresa, as métricas têm que levar em conta essa lógica, disse Mário Nogueira, sócio e membro do conselho do escritório Demarest e Almeida Advogados.

“Todos os critérios têm que ser objetivos e mensuráveis. Temos que conseguir transformar em números objetivos um assunto como a satisfação do cliente”, argumenta.

Outro exemplo dado por Nogueira são os cuidados que se deve ter ao adotá-los. Se um advogado vai ganhar bonificação seguindo critérios de faturamento, ele pode fechar um contrato externo de R$ 1 milhão, mas a um honorário de R$ 1 para o escritório. “Tem que colocar, junto com o critério de faturamento, o de rentabilidade", conta Nogueira. 

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