Combate à corrupção no Brasil cai 8% em 2021

publicado 22/07/2021 18h13, última modificação 28/07/2021 11h56
Entenda quais fatores derrubaram no Índice CCC
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O maior declínio do Brasil foi na categoria democracia e instituições políticas, com uma queda de 11% em 2021

O Brasil ocupa hoje o 6º lugar no ranking de combate à corrupção na América Latina. Com uma queda geral de 8% em relação a 2020, o país teve o maior declínio entre os 15 países analisados pelo Índice de Capacidade de Combate à Corrupção. O estudo, conduzido pela  Americas Society/Council of the Americas e pela Control Risks desde 2019, mostra que em 2021 o Brasil ficou atrás de países como Uruguai, Chile, Costa Rica, Peru e Argentina. 

O Índice CCC avalia e classifica cada país latino-americano de acordo com sua capacidade de detectar, punir e prevenir a corrupção. De acordo com o estudo, aqueles países com maior pontuação possuem maior tendência para processar e punir agentes envolvidos em práticas corruptas.

Assim, o Índice de Capacidade de Combate à Corrupção é uma ferramenta estratégica para orientar e direcionar governos, sociedade civil e o setor privado a identificar os pontos positivos e os que necessitam de melhorias. 

Com base em dados e pesquisas exclusivas, os países são analisados em 14 variáveis que correspondem às seguintes categorias: Capacidade Legal; Democracia e Instituições Políticas e Sociedade Civil e Mídia. O ranking inclui 15 países que juntos representam 95% do PIB da América Latina. Confira abaixo o ranking oficial de 2021 - ou acesse o relatório completo aqui:

 

RANKING 2021 DE COMBATE À CORRUPÇÃO

  1. Uruguai (7,80)

  2. Chile (6,51)

  3. Costa Rica (6,45)

  4. Peru (5,66)

  5. Argentina (5,16)

  6. Brasil (5,07)

  7. Colômbia (4,81)

  8. Equador (4,77)

  9. Panamá (4,55)

  10. República Dominicana (4,38)

  11. México (4,25)

  12. Paraguai (4,08)

  13. Guatemala (3,84)

  14. Bolívia (2,43)

  15. Venezuela (1,40)

 

ÍNDICES DE COMBATE À CORRUPÇÃO NO BRASIL

Em 2019, o Brasil ocupava o 2º lugar no ranking, com a pontuação de 6,14. Já em 2020, o país caiu para 4º lugar, classificado com a nota 5,52. Em 2021, o Brasil caiu ainda mais e agora ocupa a 6ª posição com a pontuação em 5,07, representando a maior queda entre todos os países da América Latina.

O maior declínio do Brasil foi na categoria democracia e instituições políticas, com uma queda de 11%, onde a relação entre os poderes executivo e legislativo se tornou determinante. “O capital político de Bolsonaro diminuiu durante a pandemia, levando seus aliados a recorrerem à política de troca de favores, negociação de cargos e uso de fundos públicos para conseguir apoio no Congresso”, aponta o relatório.

A capacidade legal brasileira caiu quase 9%, com o enfraquecimento da independência das agências anticorrupção e do Ministério Público e o fim da Operação Lava Jato em fevereiro deste ano. No entanto, devido às iniciativas de separação de poderes, houve melhora na independência judicial no Brasil.

Apesar de a polarização política ter influenciado uma rápida queda na categoria sociedade civil e mídia, a variável qualidade da imprensa e jornalismo investigativo aumentou 3%. “Um ecossistema de mídia vibrante no Brasil continua a exercer uma vigilância significativa sobre problemas de corrupção”, indica o relatório 2021.

 

COMO COMBATER A CORRUPÇÃO NO BRASIL

Os níveis de investimento estrangeiro e doméstico na América Latina estão baixos há alguns anos. Isso ocorreu tanto em razão de questões políticas e jurídicas que desfavorecem a confiança de empreendedores como também, de maneira mais recente, em consequência da pandemia, que, ao se tornar assunto de alta prioridade para os países, permitiu que o combate à corrupção perdesse o fôlego. 

Diante desse desafio, é um dever de todos assumir o controle do combate à corrupção e buscar estratégias para promover organizações mais éticas e transparentes, progredir no combate ao retrocesso e tornar o Brasil uma nação mais íntegra.

No entanto, como as organizações públicas e privadas podem se mobilizar e avançar no cumprimento desta agenda?

Para responder essa e outras questões, realizaremos no próximo dia 5 de agosto, o nosso Fórum de Compliance 2021. Confira os especialistas e autoridades engajadas no combate à corrupção com presença confirmada:

  • Geert Aalbers, Sócio, Control Risks 

  • Luciano Hoffmann, Country Head of Ethics, Risk and Compliance, Novartis 

  • Ricardo Bocutti, CCO, Ericsson 

  • Patrícia Godoy Oliveira, Director of Ethics and Compliance, Uber

Participe do nosso Fórum de Compliance 2021 - inscreva-se aqui