Depois do uso, para onde vão os eletro-eletrônicos?

publicado 12/09/2013 11h28, última modificação 12/09/2013 11h28
São Paulo – Desafios da Política Nacional de Resíduos Sólidos são discutidos por comitê da Amcham
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A cada dia, um novo equipamento elétrico e eletrônico (EEE) vai para as prateleiras das lojas. Consequentemente, a troca desses aparelhos é bastante acelerada. Para descartar os produtos antigos ou que ficaram obsoletos, ainda há muitas dúvidas entre a população brasileira.

Segundo pesquisa da Global Intelligence Alliance, 35% dos produtos sem uso ficam mesmo guardados; 29% são doados, 19% são vendidos e 7% vão para o lixo. O destino dos EEE foi tema da última reunião do Comitê Estratégico de diretores e vice-presidentes Jurídicos, organizada pela Amcham-São Paulo na última terça-feira (11/09).

Atualmente, as regras para descarte dos EEE são determinadas pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída pela Lei nº 12.305, em agosto de 2010, e regulamentada pelo Decreto nº 7.404, de dezembro do mesmo ano.

Ela orienta sobre a implantação de sistemas de logística reversa, que viabilizam a coleta e a devolução de determinados resíduos sólidos ao setor produtivo responsável. A PNRS determina que o consumidor devolva os produtos em fim de vida ao distribuidor ou comerciante, e esse, por sua vez, leve-os aos fabricantes ou importadores, que são responsáveis pela destinação ambientalmente adequada deles.

Contudo, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), ainda são poucas as recicladoras capacitadas a processar eletroeletrônicos e que estão presentes nas várias regiões do Brasil, o que encarece a logística reversa. Além disso, o setor sofre com a falta de fiscalização, e é marcado pela presença de dezenas de empresas que atuam alheias a qualquer legislação ambiental.

Comportamento dos consumidores

Para André Luis Saraiva, diretor de Responsabilidade Socioambiental da Abinee, outro desafio da logística reversa são os hábitos de consumo da população. “Precisamos nos relacionar mais com as marcas. É responsabilidade de cada consumidor procurar, por meio do site ou da ouvidoria, um ponto de recebimento para descarte desses produtos. Com exceção dos “piratas”, acredito que todos os fabricantes tenham uma solução de destinação”, diz. “Geralmente, na hora da aquisição de algum produto, leva-se em consideração o desejo e o preço dele, mas a destinação deveria ser um critério.”

A lacuna na educação ambiental e na conscientização dos consumidores e o baixo número de pontos de recebimento do País, que pautam o cenário do descarte dos EEE, resultam em pouca reciclagem.

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