Dez mil escritórios de advocacia no Brasil precisam modernizar gestão

por giovanna publicado 17/01/2011 18h44, última modificação 17/01/2011 18h44
São Paulo – Segundo consultor, profissionalização é indispensável para sobreviver à concorrência acirrada.
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Há pelo menos dez mil escritórios de advocacia de pequeno e médio porte no Brasil que carecem de profissionalizar a gestão administrativa, ação indispensável para sobreviver à cada vez mais acirrada concorrência. Especialistas discutiram a questão durante reunião do comitê de Legislação da Amcham-São Paulo nesta segunda-feira (17/01).

Além da profissionalização dos quadros e sistemas administrativos, também os participantes do debate apontaram para a necessidade de maior controle de custos, fortalecimento de marca institucional e foco em diferenciais competitivos.

“Há cerca de dez mil firmas de advocacia dentro da segunda ou terceira camada da pirâmide de escritórios que ainda se viram com planilhas de Excel (para registrar os fluxos de pagamentos e recebimentos)”, diz Cláudio Wilberg, diretor comercial da consultoria LegalManager.

Segundo Wilberg, trata-se de escritórios que cresceram de modo desorganizado na última década e agora têm de se preparar para reduzir custos e fazer mais com menos. Elas precisam conhecer informações como o retorno do projeto e do cliente, algo possível com a implementação de sistemas integrados. “Assim, qualquer sócio ou gestor pode entrar em determinada tela e ver a posição da empresa”, comenta.

Gestão de pessoas e custos

Para administrar escritórios de advocacia, foram criados cursos específicos no País há cerca de dez anos, pois a natureza dos negócios jurídicos justificava a especialização. “Antigamente, os sócios dos escritórios delegavam a administração às suas secretárias, mas muitas delas não tinham formação para gerenciar um escritório”, afirma Cláudio Wilberg.

Mário Nogueira, sócio gestor do Demarest & Almeida Advogados, avalia que a profissionalização dos escritórios é uma questão de sobrevivência. Na análise dele, as negociações com os clientes estão cada vez mais complexas, como comprova o caso de uma montadora que recentemente perguntou a ele quanto os serviços prestados custariam neste ano e qual seria o desconto progressivo terá até o fim do contrato, em 2015.

Com expectativa de receitas menores, controlar custos será um desafio cada vez mais recorrente. Tornam o cenário mais complexo o crescimento da demanda por serviços jurídicos e também a disputa por advogados entre escritórios, com consequente pressão por salários maiores. “Nosso maior custo é a folha de pagamentos”, comenta Nogueira.

Atenção ao diferencial

A diferenciação no atendimento também é um ponto chave na composição desse cenário, pois a semelhança na prestação de serviços considerados commodities – como requisição de certidões – acaba levando a disputa entre escritórios para o terreno dos preços baixos, prática que diminui as margens de lucro.

“É fácil cotar um serviço de requisição de CND (Certidão Negativa de Débito), mas, quando um cliente questionar o preço, podemos negociar a rapidez no prazo de execução e apresentar o histórico de CNDs que obtivemos em determinado caso”, exemplifica a consultora Simone Paris Akamine, da Êxito Consultoria em Administração Legal.

O advogado Carlos Fernando Siqueira Castro, do escritório Siqueira Castro, lembra ainda que é preciso ter foco permanente no negócio – definindo uma estratégia de atuação – e também no cliente. “É preciso ter flexibilidade para cobrar honorários e trabalhar de acordo com os objetivos do contratante”.

 

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