Diretor da ANS sugere inovação para melhorar o atendimento privado de saúde

publicado 11/05/2015 10h10, última modificação 11/05/2015 10h10
São Paulo – Competição não deve ser baseada só na redução de custo, segundo ele
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A transformação do modelo de negócios do atendimento privado de saúde é essencial para reduzir custos e aumentar a qualidade dos serviços, de acordo com Leandro Reis, diretor de Normas e Habilitação de Operadoras da ANS. “O setor precisa recuperar sua capacidade de diferenciação e não pode competir exclusivamente em custo”, disse ao comitê de Legislação da Amcham-São Paulo, em 08/05.

Segundo Théra De Marchi, sócia do Pinheiro Neto Advogados e também palestrante no comitê, em 2013 os gastos privados com o setor de saúde representaram 54,3%, somando um total de R$ 92 bilhões.

Para diminuir custos, Reis defende a inserção de ferramentas de tecnologia para auxiliar em práticas clínicas e gestão. “A tecnologia poderia ajudar na predição e prevenção de problemas, além do acompanhamento de doenças crônicas”, explica. “Infelizmente a inovação é incorporada de forma muito lenta no setor.”

Além disso, ele destaca a importância da análise e da identificação de fatores determinantes de doenças. Uma pesquisa do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, apresentada por Reis ao comitê, mostra que 51% dos óbitos são relacionados ao estilo de vida das pessoas; 20% à genética; 9% à falta de estrutura adequada, erros médicos e falhas; e 20% a questões ambientais.

“Se podemos trabalhar 71% dos casos de óbito com prevenção e 20% com predição, a análise desses dados permitiria uma mudança no cenário, reduzindo custos”, diz.

Outra medida sugerida por Reis é reforma no modelo de pagamento, hoje calculado a partir da produtividade dos profissionais. Para ele, nível de cuidado e resultados devem ser avaliados na hora de determinar o valor dos serviços. “Fazer dez cirurgias em um dia não é sinônimo de qualidade. Os clientes querem resultado, compromisso com o desfecho”, ressalta. 

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