Gebran Neto: decreto de calamidade pública foi necessário e abre janela de oportunidade para o bem

publicado 17/08/2020 10h41, última modificação 17/08/2020 10h41
Brasil – Desembargador do TRF 4 falou sobre o combate à corrupção durante a pandemia em nosso Fórum de Compliance
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Compliance é fundamental na hora de realizar doações e ações contra os efeitos da pandemia do coronavírus

Embora existam denúncias de desvio de recursos humanitários para a pandemia, Gebran Neto, desembargador do TRF 4, afirma que o decreto de calamidade pública foi necessário. “Toda crise tem aspectos de uma janela de oportunidade que pode ser aproveitada para o bem e para o mal e o Brasil está, em vários aspectos, aproveitando-a para o bem”, comenta.  

Ainda assim, ele não nega a existência de corrupção no repasse de verbas públicas: “Isso é absolutamente lamentável, mas o importante é como vamos responder para essas condutas desviantes”. A afirmação foi feita durante conversa com Ana Paula Carracedo, CCO da Votorantim, no painel “Desafios do combate à corrupção no Brasil” do nosso Fórum de Compliance, realizado no dia 07/08.  

Além dos recursos públicos, a pandemia tem exigido ajuda de empresas privadas, muitas as quais vêm realizando ações em conjunto com o governo e fazendo doações. Por isso, Ana lembra que, na medida em que se deseja fazer uma ajuda humanitária nesse momento, também é preciso tomar alguns cuidados e é nesse sentido que entra o papel importante do compliance.  

Gebran concorda com a executiva: “O compliance é uma excelente ferramenta para verificar quem são seus parceiros, como sua empresa está agindo, como está agindo a alta administração”. Ele também lembra que o canal de denúncias de órgãos públicos existe graças à lei anticorrupção, é eficaz e pode ser utilizado no anonimato.  

 

O OUTRO LADO 

Na visão de Marina Nassif Lofrano, Global Head de Compliance da Embraer, as doações de empresas privadas para ajuda humanitária durante a pandemia são apenas uma parte das novas preocupações dos profissionais de compliance nesse momento. “A forma como atuamos não apenas mudou bastante, mas também se intensificou”, pontua.  

O estudo “Covid-19: Compliance Survey”, da KPMG, aponta que, dentre os principais impactos reportados pelos CCOs, os riscos emergentes representam 40%. Fatores como doações, necessidade de contratação de novos terceiros, novas regulamentações e procedimentos se destacam como novos elementos de risco de fraude, corrupção e desvios de conduta.  

No caso da Ambev, a rapidez em atuar mais digitalmente no formato B2C aumentou a atenção com a privacidade de dados e acelerou os processos de compliance nesse tema. "Começamos a lançar plataformas digitais novas e intensificamos a que já tínhamos (Zé Delivery), que cresceu muito nessa pandemia”, comenta Isabela Mello da Mata, Diretora de Ética e Compliance na Ambev.  

O levantamento da KPMG mostrou também que o impacto da pandemia nas atividades de compliance das organizações tem sido muito relevante para a maioria dos executivos (43%). Isso porque, segundo Christian de Lamboy, gerente executivo de GRC da Região SAM da Volkswagen, as novas demandas exigem o dobro de agilidade.  

Como exemplo, ele cita o projeto da montadora em parceria com o Senai para reparação de respiradores. “A cada dia que você demora para fazer a due diligence para isso, é uma pessoa a mais que morre”, explica o executivo, que participou do painel ‘Os impactos da pandemia nas empresas e na área de compliance’, no Fórum, juntamente com Marina, Isabela e Emerson Melo, sócio-Líder da Prática de Compliance da KPMG no Brasil. O bate-papo também teve mediação de Giovanni Paolo Falcetta, sócio da TozziniFreire Advogados. 

 

O QUE SÃO OS FÓRUNS? 

São grandes encontros com conteúdo corporativo, focados na
evolução e transformação das lideranças. Por ano,
são quase de dois mil eventos realizados com 90 mil
executivos participantes.Diante da atual situação com a COVID-19 no Brasil, transformamos os encontros presenciais em atividades digitais. 

PARA QUEM SÃO E COMO FUNCIONAM? 

Lideranças empresariais, autoridades, especialistas e
imprensa. Todos interessados em acessar uma curadoria de
tendências, perspectivas e analises mercadológicas. Para participar, confira o calendário da Amcham e se inscreva nas atividades.