Jovens querem empreender mais, mas formação básica carente restringe novos projetos, diz especialista

publicado 11/12/2014 12h14, última modificação 11/12/2014 12h14
São Paulo – Rodrigo Menezes, sócio do Derraik & Menezes, diz que inovação é essencial às empresas
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Os jovens têm demonstrado bastante criatividade e iniciativa na hora de idealizar projetos, mas sofrem na hora de demonstrar a viabilidade financeira e administrativa do negócio. Essas são algumas das afirmações que o advogado Rodrigo Menezes, sócio do escritório Derraik & Menezes, escuta frequentemente dos investidores com quem tem contato.

“Cada vez mais pesquisas apontam que os jovens brasileiros não querem mais ser trainees, e sim donos de startups. Mas montar um negócio sem formação educacional robusta é mais complicado”, afirma, no comitê estratégico de Vice-presidentes e Diretores Jurídicos da Amcham – São Paulo, na quarta-feira (10/12).

Como os candidatos a empresários não conseguem explicar direito aos investidores como se ganha dinheiro, eles não aparecem. Apesar disso, os fundos de investimento continuam dispostos a correr riscos no Brasil, de acordo com Menezes. “Há setores que costumam sempre ter bom desempenho, a exemplo do agrobusiness”, cita.

A importância da inovação

Para Menezes, a inovação e o empreendedorismo se tornaram peça fundamental para a sobrevivência das empresas. Tanto que até grandes empresas criaram unidades independentes de venture capital (capital de risco), para adquirir novos negócios. “As grandes já não conseguem inovar na velocidade necessária, e buscam novas tecnologias por meio das venture capitals.”

O governo brasileiro também tem criado iniciativas para financiar empresas inovadoras. Além de aumentar os recursos de órgãos ligados à pesquisa e desenvolvimento, como a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), começa a replicar os modelos de financiamento de países bem-sucedidos, como o Chile e Israel.

Uma forma de estimular o surgimento de novas startups seria pela via de incentivos tributários. “Nos Estados Unidos, há crédito final aos empreendedores, e na Inglaterra, há isenção de impostos sobre ganho de capital”, exemplifica. No Brasil, as chances de incentivos fiscais para o empreendedorismo parecem distantes.

Menezes conta que, em uma reunião sobre empreendedorismo em Brasília, o grupo de representantes de venture capital do qual fazia parte levou essa reivindicação ao governo, e ouviram que a gestão pública não tem espaço para novas concessões fiscais.

O Brasil possui iniciativas públicas e privadas crescentes para financiar o empreendedorismo, mas enquanto a formação básica dos profissionais não melhorar, a quantidade de bons projetos disponíveis continuará limitada. A tentativa de formar uma cultura empreendedora é importante e deve ser estimulada, segundo Menezes. “Precisamos de mais empreendedores referência no Brasil. São eles que trazem inovação ao mercado.”

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