Relação com parceiros de alto risco têm que ser monitorada por políticas de compliance

publicado 27/04/2016 11h24, última modificação 27/04/2016 11h24
São Paulo – Histórico e relevância do fornecedor são itens considerados na gestão de riscos
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Quando um relacionamento comercial de alto risco não pode ser evitado, as empresas precisam se resguardar atuando estritamente de acordo com políticas formais de gestão de terceiros, de acordo com Pyter Stradioto, diretor de compliance da Samsung para a América Latina, e Luiz Camps, diretor de compliance da Amil/United Health Group. “Há parceiros que oferecem riscos menores e outros que oferecem um risco muito maior. É necessário conhecer muito bem seu parceiro de negócios”, afirma Stradioto, no comitê de Compliance da Amcham – São Paulo realizado na terça-feira (26/4).

Um dos relacionamentos que exige atenção redobrada das empresas é o que envolve órgãos públicos, afirma Stradioto. Como a relação das empresas com o governo é invariavelmente cercada de burocracias, o executivo disse que há sempre a possibilidade de aparecerem intermediários dispostos a vender facilidades.

Daí vem a importância de mapear os parceiros que lidam com a esfera pública e ter o registro de todas as operações – elas devem estar previstas na política de compliance. “Se é o parceiro quem faz a intermediação (com entes públicos), você perde o controle. Mas se ele (seu parceiro ou colaborador) lida diretamente com você, então você é que tem o controle”, assinala o executivo.

A gestão do compliance de fornecedores deve ser feita de acordo com o nível de risco potencial. “Se for um prestador de serviços de limpeza, talvez um questionário (sobre atividades) seja suficiente. Mas se é o cara que vai lidar com um ente público pode ser necessária a realização de pesquisas e entrevistas de avaliação de risco. A complexidade vai aumentar na medida em que o risco aumenta.”

Outro passo importante é a certificação dos terceiros. “Depois da aprovação, pode-se incluir cláusulas contratuais que garantam a qualidade e monitoramento do serviço”, comenta o executivo. Muitas ferramentas eletrônicas, por exemplo, permitem às empresas monitorar notícias do parceiro relacionadas a eventuais práticas de corrupção. O Google é uma delas. “Ele funciona de graça, porém dá mais trabalho”, afirma Stradioto.

Amil

Muitas vezes, a importância estratégica de um fornecedor acaba obrigando as demais empresas a se relacionarem, mesmo que ele tenha se envolvido em escândalos de corrupção, lamenta Camps. “Na área de saúde, há tecnologias com patentes exclusivas de algumas companhias que, infelizmente, pisaram do lado errado da linha. Mas tenho que usá-las, porque sem elas não consigo entregar meu serviço.”

A saída é trabalhar com elas em ambiente absolutamente regulado, afirma o executivo. “Temos contratos estabelecidos com revisão e checagens periódicas. As cláusulas de pagamento envolvem a discriminação da origem dos recursos e as transações bancárias são registradas e monitoradas por órgãos internacionais de controle”, detalha.

O executivo ressalta que os riscos são inerentes ao negócio, e cabe à empresa minimizar o potencial de perdas. “Como atravessar aquilo com o menor risco é o que a gente (de compliance) vai fazer. Se aquele prestador de serviço é o único do mercado, há uma justificativa para a utilização dele.”

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