Segundo KPMG, 29% dos executivos acreditam que a política de compliance não está sendo aplicada corretamente

publicado 16/08/2018 12h02, última modificação 20/08/2018 09h56
Campinas – Falta de clareza na comunicação do compliance compromete processos, segundo auditoria

Cerca de 70 executivos acompanharam o encontro Business Transformation e Compliance promovido pela Amcham Campinas no dia 02/08. O assunto, que está em pauta constantemente dentro das empresas, ainda é ponto focal de dúvidas. Pelo menos é o que evidencia a pesquisa realizada pela KPMG apresentada Antonio Gesteira, sócio líder da prática forense no Brasil para a KPMG.

Segundo o estudo, 32% dos executivos alegam que o conceito de compliance não é uniforme para toda empresa e por tanto 29% acreditam que a política de compliance não está sendo aplicada corretamente.

Gesteira afirma que o principal gargalo em que culminam nesses dados é o da comunicação, ou a falta de clareza em comunicar quando o assunto é o compliance. “Muitas empresas não enxergam o compliance como um investimento, apenas realizam uma política ampla que para uns é utilizada detalhadamente e para outros não”.

Outro dado da pesquisa afirma ainda que 92% dos executivos não confiam no Data Analytics da empresa e apenas 3% das empresas utilizam o Data para evitar problemas de compliance.

A não utilização dessas tecnologias, para Gesteira, apenas reafirmam o caminho longo que o Brasil tem a percorrer quando o assunto é compliance. “O problema da má comunicação faz com que as empresas não aproveitem o compliance de forma estratégica. Essas tecnologias servem para prevermos problemas de compliance e nos anteciparmos com as soluções. Temos um universo muito grande a explorar nessas questões”.

Para o sucesso da implantação de um processo de compliance claro, objetivo e estratégico para o próprio negócio, Gesteira afirma que só existe um caminho: a participação de lideranças que pulverizem as políticas. “O processo não terá sucesso se todas as lideranças não estiverem envolvidas e comprometidas. É preciso inserir o compliance nas agendas e principalmente entendê-lo como um processo estratégico para a empresa, que trará competitividade com mais reportes, denúncias e principalmente investigações”, finalizou.

Além de Gesteira participaram do painel de debates do encontro Eduardo Nogueira, vice-presidente e conselheiro geral associado da DHL Supply Chain e Reynaldo Goto, executivo jurídico e de compliance, coordenador do Pacto Global da ONU.