Terceirização envolve custo intangível, apontam especialistas no Seminário Trabalhista

publicado 28/09/2015 10h41, última modificação 28/09/2015 10h41
Recife - Encontro reuniu especialistas e empresários na sede da Amcham no último dia 24/9
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 Os participantes do Seminário de Relações Trabalhistas da Amcham Recife, no dia 24/9, manifestaram preocupações e defenderam alterações na PL do jeito que ela foi aprovada pela Câmara (o texto ainda precisa ser votado no Senado). Para o gerente sênior da área trabalhista e previdenciária da Ernest Young, Giuliano Cintra, o trecho da lei que instaura a solidariedade do pagamento das contribuições trabalhistas e previdenciárias no caso de não fiscalizar o cumprimento das obrigações é um dos mais preocupantes. A solidariedade significa que o terceirizado pode cobrar o cumprimento dos seus direitos tanto da empresa que terceiriza quanto da tomadora de serviços.

 “Há um custo intangível que tem que ser calculado muito cuidadosamente pela empresa na hora de decidir se vale a pena ou não terceirizar. Haverá custos tanto para fiscalização externa (a terceirizadora), como para a interna (a da sua própria gestão). Nem toda empresa tem estrutura para isso”, comenta Cintra.

Acordos coletivos

O Seminário de Relações Trabalhistas contou ainda com painel sobre acordos coletivos. O diretor de relações institucionais do HSBC, João Rached, falou sobre sua experiência de décadas com acordos coletivos e defendeu o fim da mentalidade de confronto entre patrões e empregados, a qual considera “uma armadilha”.

“É preciso que haja comprometimento ético tanto da parte dos patrões como dos empregados para que se encontre um ponto de equilíbrio, com vantagens para os dois lados”, diz Rached. “Sindicatos são instituições legalmente instituídas e que são fundamentais para manter a qualidade de vida dos trabalhadores. Nos países sem sindicatos fortes, acaba existindo um profundo desrespeito aos direitos humanos.”

Participaram do painel ainda a sócia-gestora da área trabalhista do escritório de advocacia Queiroz Cavalcanti, Bianca Dias, e o desembargador do TRT, Fábio Farias.        

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