Uso de mediação no Brasil reduziria “dramaticamente” a demanda do Judiciário, diz mediador americano

publicado 19/10/2015 10h28, última modificação 19/10/2015 10h28
São Paulo – Tony Piazza mediou quatro mil processos, entre eles o do controle acionário do Facebook
tony-piazza-5198.html

Quanto mais conflitos empresariais no Brasil forem resolvidos por mediação extrajudicial, mais “dramática” será a redução de demanda do Poder Judiciário, segundo o mediador americano Antonio (Tony) Piazza. “É uma enorme vantagem ter lei e tribunais encorajando as pessoas a usar mediação pela primeira vez”, afirma o especialista.

“Antes de as pessoas conhecerem o quanto de eficiência a mediação pode acrescentar à solução de conflitos, ter o encorajamento de uma lei própria é uma grande vantagem”, referindo-se à Lei da Mediação (13.140/2015) aprovada em junho, que regulamenta o uso da mediação na solução de conflitos envolvendo empresas e administração pública.

Formado em direito, Piazza foi ao Centro de Arbitragem e Mediação da Amcham na terça-feira (13/10) para dialogar com advogados e mediadores brasileiros. Em sua carreira como mediador, intermediou mais de quatro mil processos de acordo nos Estados Unidos, Europa e Ásia ao longo dos últimos trinta anos. Atualmente, Piazza é sócio do escritório Mediated Negotiations, em São Francisco (EUA), e foi convidado para o encontro pelo Centro de Arbitragem e Mediação da Amcham, Ericsson e SwedCham Brasil.

Quando soube que um processo judicial no Brasil leva anos para ser concluído, Piazza disse que isso é mais um motivo para as empresas aderirem à mediação. “A conta de matemática é simples. Se um único caso no Brasil pode levar anos e a maioria dos casos de mediação pode ser resolvida em um dia, haveria uma redução dramática de casos nos tribunais brasileiros”, disse Piazza.

Para ser um bom mediador, Piazza disse que o ponto mais crítico é a discrição. “Todos os envolvidos no acordo precisam ter discrição sobre os termos do acordo. De outro modo, não dá para ter sucesso na negociação.”

Piazza mediou acordo do Facebook

Em 2008, Mark Zuckerberg, dono do Facebook, recorreu à mediação de Piazza no acordo que terminou por definir o controle acionário da companhia em seu favor. Os investidores Tyler e Cameron Winklevoss processavam Zuckerberg, acusando-o de se apropriar indevidamente da ideia deles de criar uma rede social, e exigiam uma polpuda compensação financeira mais participação acionária. O episódio ficou conhecido mundialmente por meio do filme ‘A Rede Social’, de 2010, sobre a origem do Facebook.

A participação de Piazza no episódio foi pequena, mas decisiva: em dois dias, um acordo de duas páginas com as principais cláusulas foi alcançado e assinado por todos. Zuckerberg concordou em comprar a rede social dos Winklevoss, a ConnectU, por 65 milhões de dólares, sendo 20 milhões de dólares em dinheiro e US$ 45 milhões em ações do Facebook. Em troca, os investidores desistiram da acusação de apropriação indébita.

 

registrado em: