Petroleiras atuantes no Brasil avaliam os leilões do excedente de cessão onerosa

publicado 19/11/2019 17h31, última modificação 21/11/2019 14h59
Rio de Janeiro - Executivos da Petrobras, BP Upstream, Petrogal, Equinor e Premier Oil falam sobre o momento que atravessa o mercado nacional
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Organizados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis – ANP, os leilões do excedente de cessão onerosa ocorridos neste mês dividem opiniões. Ao todo, 14 petroleiras estavam habilitadas para arrematar quatro áreas do pré-sal, na Bacia de Santos, mas somente a Petrobras deu lances em duas das áreas oferecidas (Búzios e Itapu). As outras duas (Atapu e Sépia) saíram sem ofertas, fazendo com o que valor arrecadado fosse bem menor do que as expectativas iniciais, que eram de R$ 106,5 bi.

Protagonista das rodadas, a Petrobras retornou aos holofotes dos investidores internacionais com o arremate das principais áreas leiloadas. Para Roberto Ardenghy, diretor executivo de Relacionamento Institucional da companhia, os leilões tiveram excelente resultado para a estatal e para o Brasil. “Atualmente, estamos focados nas Bacias de Campos e Santos, mas com certeza vamos perseguir outras áreas para explorar. Por tudo o que aconteceu, estamos passando por uma gestão de portfólio, mas temos planos para o futuro”, explicou. Sobre estes planos, o executivo salientou: “investir em novas áreas exploratórias é fundamental para capturar oportunidades e garantir o futuro”.

Leilões precisam de mudança para o mercado ser mais atrativo

Adriano Bastos, presidente da BP Upstream Brasil, defendeu alterações nos leilões: “Me recuso a dizer que os arremates foram um fiasco. Foram arrecadados quase R$ 70 bilhões, um dos maiores valores do mundo. No entanto, não tenho dúvidas de que foi o fim de um ciclo. A mudança dos processos é fundamental para manter o setor”.

Entre os presentes, houve um consenso de que a simplificação de regras seja no regime de partilha seja em projetos de P&D irá fomentar a indústria. “O futuro é extremamente promissor e os leilões fazem com que a base de clientes aumente. Com a chegada de multinacionais, nossa competitividade aumenta. Por isso, é imprescindível que a gente continue a insistir pela simplificação nesses processos para tornar o país mais atrativo”, acrescentou Adyr Tourinho, Brazil & Oilfield Equipment Latam VP da Baker Hughes.

O CEO da Petrogal Brasil alertou ainda para outros entraves no processo, que não era claro sobre a questão dos valores: para vencer o leilão, a empresa deveria oferecer o maior bônus para a União. Portanto, era impossível prever o valor do investimento. “Não podemos mais olhar para o petróleo da mesma forma que olhávamos no passado. As empresas precisam de segurança para investir. Creio que a falta de clareza nos valores e os riscos geológicos naturais afastaram as empresas dos leilões”, opinou Miguel Pereira, durante o evento que discutiu os resultados das rodadas de licitação. 

Por sua vez, Maria Clara Costa da norueguesa Equinor, destacou a força do portfólio nacional. "Precisamos olhar para os campos já disponíveis com o desinvestimento da Petrobras, um portfólio com grande potencial", disse ela. Na figura de Nathan Biddle, a petroleira britânica Premier Oil ressaltou bons motivos para que o mercado se mantenha otimista. "Nos últimos meses, com o desinvestimento da  Petrobras, tivemos um aumento de 38% dos produtores de offshore no mercado brasileiro. E esse é um passo importante para construção de um mercado mais diverso e dinâmico, que é o que precisamos", pontuou.

Na visão das fornecedoras de bens e serviços, a diversificação de clientes advinda dos leilões é uma grande oportunidade para alavancar o setor. “É saudável para a indústria que tenhamos uma diversificação de clientes. Para que mais investidores internacionais voltem seu olhar para o Brasil é necessário uma programação de leilões, e que os que ocorram sejam bem sucedidos”, defendeu o presidente da Fugro Brasil, Rogério Carvalho. Adyr Tourinho completou: “essa diversificação é extremamente importante não só para as prestadoras de serviços, como também para a Petrobras e competitividade do país”.

As declarações foram feitas durante a 15ª edição do Brazil Energy and Power, organizado pela Amcham no Rio de Janeiro. O evento reuniu, nos últimos dias 12 e 13, diversos players do mercado de petróleo e gás. No segundo dia, os executivos debateram sobre transição energética. Para ler, acesse aqui.

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