“TI deve ser prioridade para suportar a economia do país”, afirma coordenador do programa federal TI Maior

por simei_morais — publicado 21/05/2013 10h37, última modificação 21/05/2013 10h37
São Paulo – Rafael Moreira, do MCTI, detalha investimentos do governo no setor e áreas de grande demanda em TI
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É considerado um jovem integrante do mercado brasileiro, mas já responde por, pelo menos, 4,5% do PIB nacional e está ligado a outros setores por seu caráter de fornecedor de “soluções e apoio”. Foi com esses argumentos que Rafael Moreira, coordenador do programa TI Maior no MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação), detalhou as oportunidades de negócio da primeira ação federal coordenada de incentivo ao setor de tecnologia da informação e comunicações (TIC). “TI entrou para as prioridades do governo para suportar o crescimento da economia”, declara.

Ele participou do comitê aberto de TIC da Amcham – São Paulo na quinta-feira (16/05), ao lado de Diogo Brunacci, diretor de Relações Governamentais da SAP; Rodolfo Fücher, diretor de Assuntos Corporativos da Microsoft; Saulo Porto, diretor de Relações institucionais e Oportunidade Social da Totvs; e Norberto Tomasini, diretor de CIO Advisory da PwC.

Todos citaram dados de pujança setorial, como uma participação no PIB quase equivalente ao da indústria automobilística, que é de 5%, e a transversalidade de TI no restante da economia. “Se TI parar de funcionar, afeta 100% do PIB nacional”, avalia Rodolfo Füscher.

Política pública

Segundo Moreira, o TI Maior levou 12 meses de preparação, antes de ser lançado, em agosto de 2012. Ele ressalta o ineditismo com que o assunto passou a ser tratado pelo governo. “No Brasil, as grandes lideranças ainda não citam economia digital como estratégia para o crescimento do país”, diz.

O programa tem o objetivo de fortalecer a presença do Brasil no mercado mundial de TI, com incremento de exportações, ampliação dos empregos qualificados na área e da participação do setor no PIB nacional. Serão investidos, dos cofres federais, R$ 500 milhões até 2015, em projetos em parceria com a iniciativa privada, especialmente em centros de pesquisa e em aceleração de startups.

“Os projetos [contemplados] podem ser variados, desde desenvolvimento de softwares avançados, novas linguagens de programação, novas aplicações, estudos em big data, bancos de programação, a hardwares”, cita Moreira.

Editais

Um dos primeiros passos do programa foi a escolha de nove aceleradoras que vão ajudar cem startups a se desenvolverem no país. As startups, por sua vez, serão definidas em um edital que se encerra em 31 de maio. Elas receberão do governo R$ 200 mil cada uma, além de aportes privados que podem variar de R$ 20 mil a R$ 1 milhão. “Já foram feitos 15 mil downloads do documento do edital, 4 mil do exterior”, comenta.

O próximo edital a ser lançado vai selecionar de dez a 15 centros de pesquisa e inovação, que vão receber R$ 15 milhões do governo. A expectativa é de que até 200 pesquisadores, brasileiros ou estrangeiros, recebam bolsas nos primeiros dois anos para trabalhar nesses centros. Participantes do Ciência Sem Fronteiras também deverão ser selecionados, diz Moreira.

Setores afins

O MCTI mapeou, ainda, os setores da economia que mais demandam inovação em TI, no Brasil. Segurança de dados, óleo e gás, saúde, aeronáutica e aeroespacial, educação, energia, grandes eventos esportivos, finanças, agricultura e meio ambiente, telecomunicações, mineração e tecnologias estratégicas (computação em nuvem; mobilidade, jogos digitais, internet; computação avançada de alto desempenho) devem direcionar investimentos.

Para suportar o crescimento de TI, o MCTI abriu cursos de formação básica em parceria com universidades e o próprio setor. Em seis meses, o projeto Brasil Mais TI teve 71 mil participantes, 20 mil a mais que a expectativa inicial, aponta Moreira.

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