Além de fidelização de clientes, tecnologia de Big Data permite maior eficiência operacional às empresas

por andre_inohara — publicado 28/11/2012 17h34, última modificação 28/11/2012 17h34
São Paulo – Uso da ferramenta possibilita descobrir oportunidades escondidas em grandes volumes de dados armazenados e obter agilidade operacional.
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A oferta de serviços e produtos personalizados está sendo facilitada pela chegada das tecnologias de Big Data, garantindo às empresas maior fidelização de clientes e direcionamento mais eficiente dos esforços logísticos e operacionais.

Por meio da estruturação de informações como frequência, tipo ou periodicidade de consumo da base de clientes, as ferramentas de Big Data organizam um imenso e muitas vezes desconexo volume de dados em padrões de comportamento e consumo, dando às empresas maior capacidade de gerar serviços personalizados.

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O Big Data será um motor de inovação, considera Katia Vaskys, diretora (Smarter Analytics Director) da IBM Brasil. “As análises permitirão à empresa produzir mais com menos recursos, evitar fraudes ou descobrir um novo perfil de consumidor”, explica a executiva, que participou do comitê de TIC [Tecnologia da Informação e Comunicação] da Amcham-São Paulo nesta quarta-feira (28/11).

“Hoje trabalhamos com dados incertos porque seu produtor não está mais dentro da empresa, e o Big Data aumenta nossa capacidade de encontrar padrão e correlação em dados incertos”, acrescenta ela.

Katia apresentou os dados de uma pesquisa sobre Big Data, divulgada em outubro e realizada pela IBM em conjunto com a universidade de Oxford. Um total de 1.144 empresas em todo o mundo foi ouvido, sendo 67 brasileiras.

Uma tendência identificada na pesquisa é que, no Brasil, os grandes responsáveis pela introdução da tecnologia nas companhias – nas fases iniciais de familiarização e exploração dos recursos da ferramenta – são os principais executivos (CEOs) e as unidades de negócio. Os responsáveis pela tecnologia aparecem nas etapas posteriores, de implementação e execução.

Trata-se de uma constatação inversa da encontrada no resto do mundo, onde os introdutores do Big Data são os gestores de tecnologia (CIOs), com os CEOs apoiando as fases posteriores.

A justificativa para o contraste é que, no Brasil, são as áreas de negócios que tomam a liderança na pesquisa de inovação e novas tecnologias, e não a TI. “Isso serve de alerta aos profissionais de tecnologia, para que tomem a iniciativa nesse processo”, pontua a executiva.

Serviços financeiros e oportunidades no varejo

O Big Data tem grande uso no varejo, mas também em segmentos como o de serviços financeiros. Na Boa Vista Serviços, empresa de análise de crédito, o Big Data é utilizado para identificar e antecipar indícios de comportamento fraudulento da base de clientes.

“Temos milhões de registros diários de operações, e percebemos que podemos extrair informações interessantes e descobrir possibilidades de comportamento ilícito”, comenta Célio de Figueiredo Baião Junior, gestor de Arquitetura de Dados e Informações da Boa Vista Serviços.

Além do trabalho de detecção de fraudes, a tecnologia permite atualizar com maior precisão os dados cadastrais dos clientes, como a confirmação de endereços, salienta Figueiredo.

No ramo do varejo, a evolução das tecnologias de mobilidade será um grande impulsionador de negócios, prevê Alexandre Pereira, executivo de Soluções da SAP. O relacionamento de um cliente com um posto de gasolina, por exemplo, pode gerar promoções de serviços.

“Com aplicativos de Big Data, o posto pode oferecer um pacote com os serviços mais consumidos pelo cliente, baseado no histórico de relacionamento”, exemplifica Pereira. As possibilidades da tecnologia são abrangentes, segundo o executivo.

“É possível aliar o Big Data com o Design Thinking [metodologia de trabalho que busca soluções funcionais e estéticas para o consumidor, usando pensamento intuitivo e analítico], o que une a metodologia analítica com a parte intuitiva”, sugere Pereira.

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Tendência de crescimento do Big Data

O Big Data é uma das tecnologias mais promissoras em TI, em função do aumento da produção de dados no mundo, acompanhado pela redução dos custos de armazenagem, argumenta Patrícia Florissi, vice-presidente de soluções Smart e CTO global da empresa de armazenamento de dados EMC².

“Em 2010, o tamanho do universo digital era de 1,2 zetabyte, e em 2015 estima-se que será de 7,9 zetabytes”, afirma Patrícia. Para efeito de comparação, estudo da Cisco Systems ilustrou que 1 zetabyte corresponde a baixar cerca de 3.177 vezes o catálogo inteiro de vídeos da Netflix em 2011.

Além disso, o aumento do mundo digital já criou uma nova profissão, a de cientista de dados. Esse especialista terá que unir conhecimentos em matemática, estatística e marketing, para transformar informação em tendências comerciais.

Mas a principal vantagem do Big Data é a possibilidade de produzir análises mais intuitivas e preditivas (voltadas ao futuro). “Hoje, se tenta entender porque uma venda é menor em determinada época do mês. Quando isso se dá pelo comprometimento salarial do consumidor com outras despesas, tenta-se compensar isso com promoções comerciais”, exemplifica.

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