Alimentação, vestuário e beleza devem continuar liderando crescimento do setor de franquias em 2012

por andre_inohara — publicado 05/12/2011 16h29, última modificação 05/12/2011 16h29
São Paulo – Desenvolvimento da classe C no interior do Brasil desperta o interesse de empresas de franchising nacionais e internacionais.

As empresas franqueadoras estão de olho nos consumidores da classe C, público que mais cresce no Brasil. Trata-se de clientes ávidos por serviços e produtos de alimentação, vestuário, acessórios pessoais, beleza e saúde, setores que apresentarão as melhores oportunidades no mercado de franquias em 2012.

Também há espaço para a chegada de companhias de outros segmentos, como o de educação, segundo Ricardo Camargo, diretor-executivo da Associação Brasileira de Franchising (ABF).

“Escolas de desenvolvimento profissional e de idiomas se recuperarão em função dos eventos internacionais (Copa e Olimpíadas) nos próximos anos”, informou Camargo, que participou do comitê Business In Growth (BIG) da Amcham-São Paulo na quinta-feira (24/11).

Impulso da classe C

A expansão da classe C é um fenômeno nacional, mas seu impulso tem mudado o perfil de regiões mais atrasadas do País, como Nordeste, Norte e Centro-Oeste.

Camargo, da ABF, apresentou números da Cetelem/IPSOS que indicam que a classe C representou 53% do mercado consumidor em 2010. As classes A e B, de maior renda, compõem 21% do total, enquanto que D e E, com baixíssimo poder aquisitivo, somam 25%.

“Estamos vendo o início de um forte processo de interiorização do desenvolvimento. Por exemplo, pela primeira, vez o Nordeste vendeu mais motocicletas que o Sudeste (a região mais rica do País)”, observa Camargo.

Além disso, a ascensão social facilitou a acumulação de recursos para a constituição de novos negócios, comentou Batista Gigliotti, presidente da consultoria de franquias Fran Systems e professor dos cursos de pós-graduação da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

É nesse contexto que o modelo de franquias se apresenta como opção atrativa. “Quando não se tem experiência anterior em um ramo, a franquia é um sistema bastante recomendado”, argumenta Gigliotti.

Nova onda

O baixo crescimento econômico de Europa, EUA e Canadá, países de forte tradição franqueadora, induzirá marcas que não estão no Brasil a virem para cá, argumenta o executivo.

Ele se refere a um fluxo de empreendedores que será reforçado pelas afinidades culturais. Entre os países em desenvolvimento, o Brasil é o que apresenta hábitos de consumo mais semelhantes aos dessas regiões.

O Brasil atrai o interesse de todos os tipos de franqueados, e por isso Gigliotti acredita em um boom de franquias médias. “Com menos recursos financeiros, elas não podem errar, então buscarão mercados com maior garantia de retorno. Essa será a nova onda de franquias estrangeiras entrando no País.”

As micro franquias, que exigem investimento inicial de até R$ 50 mil, também devem crescer. Boa parte dessas franquias são formadas por atividades realizadas em regime de home office.

Apesar da menor necessidade de investimento, elas também trazem seus riscos, alerta. “O franqueado vai precisar de capital de giro para se sustentar durante um ou dois anos, porque são negócios que exigem formação de carteira de clientes.”

Internacionalização

Enquanto as franquias internacionais procuram espaço no Brasil, as marcas nacionais, mais capitalizadas, tendem a fazer o movimento inverso. “As franquias mais antigas estão buscando fortemente internacionalizar suas marcas”, comenta Gigliotti.

De acordo com dados da ABF, as empresas brasileiras estão presentes em 49 países. Portugal é o país que mais abriga marcas nacionais, com 38, e em seguida vêm os Estados Unidos, com 25.

Case AlphaGrafics

Ao decidir se estabelecer no Brasil, a empresa americana de serviços de comunicação visual AlphaGraphics passou algum tempo estudando e fazendo testes no mercado brasileiro.

Quando uma empresa se instala em outro país, há questões de adaptação que precisam ser solucionadas. ”As questões culturais de cada país trazem alguma dificuldade com relação às operações”, disse Rodrigo Abreu, diretor executivo Alphagraphics.

Para Abreu, a expansão de uma empresa pelo caminho das franquias só deve ser feita quando ela já possuir um modelo de onde seja possível reproduzir sem dificuldades os processos operacionais, de marca e gestão.

A AlphaGraphics foi fundada em 1970 nos Estados Unidos, e possui mais de 260 unidades em nove países.

Case Puket

No Brasil, a confecção de moda íntima feminina Puket está presente em 12 mil pontos de venda, distribuídos em lojas próprias, franqueadas e outros canais de distribuição no atacado e varejo.

Ao trabalhar com franqueados, a empresa oferece treinamento sobre o produto, que vai da operação à distribuição, segundo Cláudio Bobrow, CEO da Puket. Outro ponto abordado foram os pontos comerciais.

Bobrow frisou que eles são um investimento importante, e que deve ser feito com cautela.

O terceiro aspecto da filosofia da Puket é a de manter um bom relacionamento com os franqueados.

 

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