Apesar das turbulências internacionais, empresas brasileiras tendem a continuar na mira de aquisições por estrangeiros

por andre_inohara — publicado 22/09/2011 14h23, última modificação 22/09/2011 14h23
São Paulo – Consultor indica que volume de operações de fusões e aquisições no País deve continuar aquecido mesmo com crise global, em função dos bons fundamentos das empresas nacionais.

As pequenas e médias empresas brasileiras devem continuar sendo alvo preferencial de aquisições por companhias estrangeiras, principalmente as chinesas.

Como possuem boa condição financeira, o interesse por elas tende a continuar elevado, mesmo diante da perspectiva de desaceleração do crescimento global, notadamente nos países ricos.

“As empresas brasileiras têm situação de alta liquidez e baixo endividamento, o que explica o interesse dos investidores estrangeiros por elas”, disse William Oliveira, gerente para a América Latina (General Manager) da empresa de assessoria financeira Intralinks.

O executivo participou do comitê Business in Growth (BIG) da Amcham-São Paulo nesta quinta-feira (22/09) e mencionou uma pesquisa da consultoria britânica Merger Market.

A enquete revelou que 81% dos 150 executivos entrevistados no mundo, com conhecimentos sobre o Brasil, acham que o volume de operações de fusões e aquisições no País aumentará nos próximos 12 meses a partir de julho de 2011.

O dado é anterior à piora da situação fiscal europeia (setembro) e ao rebaixamento da nota da dívida americana (agosto), mas, mesmo assim, significativo.

“A crise pode ajudar a baixar o valor de mercado das empresas brasileiras de elevados para razoáveis, pois os fundamentos de liquidez não serão alterados, já que o mercado interno está aquecido e deve continuar assim nos próximos meses”, afirmou Oliveira.

Na mesma pesquisa, 70% dos executivos revelam acreditar que o interesse de empresas estrangeiras por ativos brasileiros aumentará. Desse universo, os maiores interessados devem ser chineses, seguidos de americanos e europeus.

“Mas o interesse dos europeus deve cair, devido à piora da situação fiscal no continente”, argumentou.

Rapidez na integração

No difícil processo de fusão e aquisição de empresas, o passo mais delicado tanto para o lado comprador como para o vendedor é a transmissão da filosofia corporativa de uma organização a outra.

Por isso, uma incorporação bem-sucedida tem de ser feita rapidamente, envolvendo a integração de pessoas e sistemas operacionais, segundo Jaime Rebelo, diretor financeiro (CFO) do Grupo Multi.

O conglomerado controla as escolas Wizard, Skill, Yázigi – de idiomas – e Microlins e S.O.S. Computadores, de informática.

“Quando se adquire uma companhia, vem muita coisa que pode ser enxugada. O consolidador precisa cuidar das sinergias”, disse. Rebelo disse que o grande desafio de adquirir uma empresa é fazer a integração de culturas.

“No nosso grupo, estamos resolvendo o problema da integração com gestão e treinamento de pessoas, e unificação de sistemas operacionais”, comentou. Esse processo necessita ser rápido, até mesmo para solucionar o êxodo dos antigos executivos, revelou.

Muitas vezes, essa transição precisa ser feita em até três meses, o tempo máximo que a maioria dos gestores da administração anterior costuma permanecer. “Esse executivo sabe que perderá o seu posto [para o equivalente da empresa consolidadora]”, destacou Rebelo.

Ganhos de sinergia

Quando os problemas de integração de cultura e sistemas são solucionados, é hora de extrair os benefícios da incorporação. No Grupo Multi, as aquisições trouxeram ganhos de escala.

“Foi com a Skill (adquirida em 2007) que sentimos de fato a conjunção de vantagens. Pudemos criar um sistema de shared services em finanças, recursos humanos, marketing e compras”, ilustrou Rebelo.

Grupo Multi

O Grupo Multi se originou em 1987, com a fundação de rede de idiomas Wizard. Crescendo de forma orgânica, com a criação de novos serviços, a rede realizou sua primeira aquisição em 2006, incorporando as marcas Planet e Yeski, também de idiomas.

Em 2007, o grupo adquiriu a Skill, então uma das maiores redes de ensino de idiomas. Dois anos depois, entrou no ramo de informática com a compra de SOS Computadores, Microlins e Bit Company.

As redes Quatrum, de ensino de inglês para o público infantil, e Yázigi foram absorvidas em 2010.

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